A Vale divulgou o resultado de suas operações no ano de 2011. No ano passado a mineradora lucrou R$ 37,8 bilhões, alta de 25,7% na comparação anual, melhor resultado em toda a história da companhia. Apesar de no quarto trimestre de 2011 a companhia ter visto seus lucros caírem 16,5%, para R$ 8,35 bilhões. A Vale registrou vendas líquidas de R$ 105,5 bilhões, alta de 23,6% em 2011. O volume vendido de minério de ferro e pelotas, principal produto da mineradora, foi o mais elevado na história da Vale, totalizando 303,7 milhões de toneladas, representando 54,6% de toda a receita da companhia em 2011. O continente asiático continuou como o maior destino da minério de ferro da Vale, respondendo por 63,1% de todos os embarques. O Brasil ficou com apenas 11,1% do total. Para Ricardo Flores, presidente do Conselho de Administração da Vale, em 2011, o retorno aos acionistas atingiu o valor recorde de US$ 12 bilhões, comprovando o excelente desempenho e enorme potencial da mineradora. Murilo Ferreira, presidente da Vale, afirmou que o desempenho financeiro foi extraordinário, batendo vários recordes, a despeito do ambiente econômico mundial desafiador.

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PETROBRAS : A DECEPÇÃO

11 fevereiro. 2012

Não poderia ser mais melancólica a despedida de José Sérgio Gabrielli da presidência executiva da Petrobras. Sua brincadeira pedindo aos jornalistas: “Não me demitam antes da hora” soou como verdadeiro humor negro. Ele entregou a empresa à sua sucessora em clima de retumbante fracasso, com queda da lucratividade de mais de 56% no trimestre (mesmo após o aumento dos preços dos combustíveis em novembro de 2011) e mais de 5% no ano de 2011. O fato é que a Petrobras teve o pior desempenho entre todas as congêneres. E foi tormentoso ouvir o diretor financeiro Almir Barbassa, como sempre prolixo e confuso em suas explanações, tentando explicar o inexplicável. Bem mais claro e objetivo foi o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, ao declarar: “A presidente Dilma Rousseff prefere que não haja inflação a ter balanços fantásticos”. Na verdade ninguém pleiteava “balanço fantástico” mas, apenas razoável.

Em outras palavras o ministro disse,  auto e bom som, para os investidores, muitos dos quais trabalhadores que optaram por deixar suas economias do FGTS investidas nas ações da Petrobras : “ Danem-se, porque a Petrobras está a serviço do governo.”

O mercado não perdoou e as ações da companhia tiveram uma desvalorização brutal. Em um só pregão a Petrobras perdeu R$ 28 bilhões em seu valor de mercado. Como 52% do capital da empresa pertence a acionistas minoritários, significa que esses investidores arcaram com prejuízos superiores a R$ 15 bilhões em poucas horas.

Pior de tudo é que fica no ar uma enorme interrogação sobre o futuro da empresa. Existem muitos pontos obscuros nas informações divulgadas que nem mesmo experientes analistas conseguiram esclarecer.

A decepção foi geral.

Ótima notícia para os acionistas da OGX Petróleo e Gás. A empresa   finalmente deu início, neste sábado (28/1/2012), ao processo que permitirá a declaração de comercialidade do Campo de Waimea e extração de petróleo. O campo, que fica na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, poderá produzir uma média de até 20 mil barris de petróleo por dia na fase inicial, acreditam os técnicos da empresa. A empresa já afirmou que a produção futura do campo já está vendida: a Shell comprou 1,2 milhão de barris de petróleo, que deverão ser entregues em duas parcelas. Analistas afirmam que o início da produção de petróleo pela OGXP foi bastante rápido se comparado à média mundial para produção em alto mar.

 

Após iniciar 2011 na marca dos 70.000 a BOVESPA operou com seus pregões apresentando muita volatilidade, tendo o Ibovespa no patamar entre 50.000  e 60.000 pontos durante todo o segundo semestre. Meu prognóstico para 2012 é de que a volatilidade continuára mas com o Ibovespa  num novo patamar entre 60.000 e 70.000 pontos. Se eu estiver correto a valorização do Ibovespa ficará em torno de 22%, o que, descontada a inflação, significará  uma recuperação das perdas de 2011. Será um ganho apreciável, mas quem quizer mais do que isso terá que ter uma postura ativa no gerenciamento de sua carteira.

 

O início do ano de 2012 tem surpreendido bastante positivamente os investidores nacionais. A sensação de que o pior da crise já passou, levou o índice Ibovespa a subir quase 11% até o dia 27/1. Os investidores começam a se perguntar se existe algum fator que explique a recente alta. Alguns analistas acreditam que tem a resposta: os investidores estrangeiros. Até o dia 23 de janeiro, o capital estrangeiro já comprou liquidamente R$ 5,3 bilhões em ações na Bovespa. Para se ter uma perspectiva, no ano passado os investidores tiraram da bolsa R$ 1,35 bilhões. No ano de 2010, de janeiro a dezembro, foram adicionados R$ 5,96 bilhões. Se a recente entrada de recursos estrangeiros se mantivesse por todo ano, haveria um saldo positivo de investidores estrangeiros em R$ 83,5 bi ao final de 2012, um valor obviamente fora da realidade, mas mostra a sede do capital internacional pelas ações brasileiras. A entrada de recursos atual só pode ser comparada a do ano de 2009, quando os estrangeiros deixaram R$ 20,6 bilhões na Bolsa, levando o índice Ibovespa a subir 82,6% naquele ano. E para os investidores internacionais a subida recente da Bolsa é ainda melhor: com a cotação do Dólar em queda, o retorno neste mês de janeiro já representa um ganho de 17%. O ano de 2012 parece prometer, e os investidores estrangeiros sabendo disso, estão posicionando, chegando bem cedo à festa. O perigo é de que um ganho tão alto e rápido possa estimular uma realização de lucros no curto prazo.

 

Achei muito didático o artigo escrito por André Rocha e publicado no Valor Econômico, sobre esse assunto e decidí reproduzí-lo aqui no meu blog.

É o sonho de muitas pessoas viver da renda proporcionada pelos dividendos. E alguns conseguem. Mas o montante de dividendos recebidos é a única condição a ser observada? Montar uma carteira de dividendos é um bom investimento?

Suponhamos o caso de uma pessoa com gasto mensal de R$ 30 mil que tenha investido R$ 7,2 milhões em uma ação com um retorno anual de dividendos de 5%. Esse investidor consegue ter suas despesas cobertas pelo recebimento de dividendos. Mas esse investimento superou o “custo de oportunidade”?

Ao investirmos em ações é importante observarmos a rentabilidade de um ativo livre de risco. Esse é o custo de oportunidade. No caso brasileiro, ele é dado pela taxa Selic, que hoje está em 11,5% ao ano. Pode-se obter essa rentabilidade comprando um título público federal conhecido como LFT. Levando-se em conta o imposto de renda (IR), cuja alíquota varia de 15% a 22,5% dependendo do prazo do investimento, o retorno cai para a faixa de 8,9% a 9,8% anuais, ainda assim superior ao proporcionado pelos dividendos. Logo, somente os dividendos, nesse caso, não tornam a aplicação em ações atrativa. É necessário que haja também um ganho de capital, a diferença entre o preço de venda e o de aquisição da ação.

E mais. Não basta que os ativos apresentem a mesma rentabilidade. O ganho obtido com ações deve apresentar um prêmio sobre a rentabilidade das LFTs, chamado de “equity-risk premium”, pois o mercado acionário é mais arriscado. No Brasil, não há estudos a respeito. O professor Aswath Damodaran, da New York University, disponibiliza em seu site o cálculo do “equity-risk premium” para o mercado acionário americano. Em novembro, ele encontrava-se em 6,49% ao ano.

Outro ponto a ser destacado em uma carteira de dividendos é que algumas ações que a compõem podem apresentar baixa liquidez. Portanto, a formação de preço acaba sendo deficiente, o que impede um cálculo apurado do “dividend yield”. Sem contar que, caso o investidor necessite dos recursos, ele tende a vender suas ações com desconto devido ao maior spread, ou seja, diferença entre o preço de compra e de venda do papel. 

Além disso, a política de dividendos das empresas não é imutável. Veja o caso de Eletropaulo (ELPL4). Na divulgação do resultado do segundo trimestre de 2011 (em 10 de agosto), a companhia informou que reduziria o percentual de dividendos a ser distribuído sobre o lucro (“pay-out ratio”), pois considerava que boa parte do resultado do primeiro semestre não havia sido recorrente, ou seja, não iria se repetir no futuro. A empresa havia se beneficiado do dólar depreciado, que reduziu as despesas com energia de Itaipu que são dolarizadas.

Há ainda a expectativa de que as tarifas da concessionária se reduzam na próxima revisão. Por causa do anúncio, a ação caiu 5,4% no dia 11, enquanto o Ibovespa subiu 3,79%. A perda de capital nesse dia “comeu” boa parte do rendimento oriundo dos dividendos do ano. Interessante dizer que a ELPL teve problemas financeiros no início da década de 2000 e, naquela ocasião, a companhia não era uma boa pagadora de dividendos. O mundo dá voltas.

Outro caso interessante é o de Transmissão Paulista (TRPL4). Cerca de 70% de suas concessões vencem em 2015. Ninguém ainda sabe ao certo o que ocorrerá. Caso a TRPL tenha que pagar uma tarifa ao órgão concedente, a geração de caixa será reduzida, o que poderá impactar negativamente o pagamento dos dividendos.

Ações de companhias com política de dividendos agressiva devem fazer parte do portfólio de qualquer investidor. Mas os dividendos pagos não podem ser o único parâmetro. O ideal é ter uma carteira balanceada, incluindo ações defensivas e cíclicas. As cíclicas tendem a apresentar melhor desempenho na recuperação dos mercados. Além disso, as companhias geradoras de caixa podem passar por infortúnios ao longo do tempo e, como conseqüência, alterar sua política de dividendos. Por fim, compare anualmente a rentabilidade de sua carteira (dividendos + ganho/perda de capital) vis-à-vis o custo de oportunidade.

Apesar do governo do PT continuar tentando punir a Vale, mesmo após a saída de Roger Agnelli da presidência da empresa, impondo-lhe multas tão vultuosas, quanto descabidas, a companhia continua pujante. Ela anunciou ontem, após o fechamento do mercado nacional, um aumento de 50% no valor na remuneração mínima a ser paga neste ano aos acionistas da companhia. No total, a Vale propõe distribuir US$ 6 bilhões, a serem pagos em duas parcelas (abril e outubro), aproximadamente US$ 1,17 por ação ordinária ou preferencial. O anúncio vem de acordo com a promessa do presidente da companhia, ao assumir  em maio do ano passado. Ele havia prometido aos acionistas a continuidade do pagamento de bons dividendos ao longo de sua gestão. No comunicado a Vale explica que a proposta precisa ser aprovada pelo Conselho de Administração, mas é consistente com as diretrizes da política financeira da companhia.