Depois das exuberantes altas de janeiro e fevereiro, a BOVESPA apresentou um comportamento de acomodação em março e abril. Isso já era esperado e é até saudável para o mercado. Não é possível manter ganhos na casa de 2 dígitos por meses seguidos, sob pena de que quedas igualmente abruptas venham a ocorrer.

Lí e achei excelente o artigo (Bolsa em queda – alegrai-vos) publicado por Eduardo Leitão em seu blog, comentando o fato de que as pessoas ficam muito preocupadas quando a Bolsa de Valores apresenta seus indices em queda, olhando apenas o lado negativo da questão. Concordo plenamente com os pontos de vista de Eduardo Leitão e reproduzo a seguir seu artigo. Escreve Leitão:

Fico navegando na Internet e observando… É interessante perceber o contra-senso geral das pessoas no mercado. A bolsa cai e todo mundo fica triste, incrédulo, cético, desanimado, preguiçoso, etc.. Começam a pensar em renda fixa, ou fundos, ou comprar um lote cheio de mato e deixar lá… Etc…

Posso vir aqui um milhão de vezes e falar isso, e ainda vai ser pouco: Bolsa em queda é coisa boa! Torçam para cair mais, muito mais! Torçam para saírem notícias ruins, péssimas! Torçam para a mídia alardear negatividade! Pois é assim que as boas oportunidades surgem!

É simples, vejam:

Bolsa caindo = preço ficando baixo = oportunidade de comprar coisa boa a preço baixo. Só isso! Bolsa não é complicado não!

Bolsa em queda – alegrai-vos!

E lembrem-se: sua rentabilidade é diretamente proporcional à sua boa-vontade em aprender a investir melhor!

Muita gente pensa que mais risco é igual a mais rentabilidade, e não tem nada a ver! Mais boa-vontade e educação é igual a mais rentabilidade! Mais risco = mais risco mesmo!

Se você tem sonhos grandes como moradia própria, constituição de família, filhos, tranquilidade financeira, não pense que renda fixa e fundos vão lhe ajudar. Saia da zona de conforto, vença a preguiça e o medo e eduque-se para os investimentos!

Leia com atenção esta lei universal do Capitalismo: Somente trabalhando ninguém fica rico – é preciso Investir bem para vencer o sistema. Muito trabalho = mais trabalho. Agora, Trabalho + Investimento = liberdade financeira!

 

Há muito tempo os investidores anseiam por um ambiente no qual as taxas de juros sejam menores no país. Muitas vezes, nos últimos anos, eles chegaram a demonstrar certo entusiasmo com a percepção de que o momento estava próximo, mas sempre de alguma forma as expectativas acabaram frustradas. Agora, parece ser diferente. O discurso e a prática do governo indicam claramente o objetivo de que o país possa conviver com uma taxa Selic mais modesta. As ações nesse sentido, intensificadas desde o início do ano, trouxeram novamente ânimo novo aos mercados. A última reunião do Copom decidiu por mais uma redução expressiva, trazendo a taxa para 9%, ou seja, um dos níveis mais baixos de todos os tempos. Houve aceno também de que novas reduções poderão vir. Mais um corte de 0,5  pontos percentuais e se chegaria à taxa historicamente mais baixa. Muitos economistas de renome têm advertido de que essa verdadeira obcessão das autoridades econômicas embute um risco muito grande para um perigoso repique inflacionário. Parece não haver dúvidas sobre isso. Mas os investidores tem que tomar suas decisões diárias no contexto do que está acontecendo. E o que está acontecendo é que os juros estão em queda e é segundo este prisma que as decisões têm que ser tomadas. No futuro, quando a inflação voltar a crescer (porque ela provavelmente crescerá) o governo tomará outras medidas que julgar oportunas e os investidores terão que dançar conforme a música. Como essa redução na taxa Selic tem um efeito colateral profundamente saudável para as contas do governo, uma vez que reduz em muito os dispêndios com os encargos financeiros sobre a dívida pública, a equipe econômica provavelmente se sentirá muito tentada a retardar ao máximo uma nova onda de alta das taxas Selic. Hoje está muito difícil conseguir uma boa rentabilidade sem correr riscos, inclusive porque a taxação pelo imposto de renda nas aplicações de renda fixa devora a maior parte da rentabilidade. Hoje, aqueles investidores que não tem nervos para riscos devem alocar seus recursos nas aplicações cuja remuneração seja vinculada de alguma forma às taxas de inflação. A meu ver nesse caso destacam-se os fundos imobiliários que apresentam duas vantagens principais: seus rendimentos são geralmente indexados ao IGPM e estão isentos de imposto de renda (exceto a venda das cotas que é tributada como ganho de capital). Quem quizer mais do que isso terá que correr riscos e buscar ganhos no mercado de renda variável. Boa sorte e que Deus os ilumine.

O QUE DIZEM OS GRÁFICOS

30 março. 2012

O comportamento do índice Bovespa  nos próximos pregões será decisivo para definir qual será a tendência do mercado acionário brasileiro nas próximas semanas, segundo os critérios da análise gráfica.

Foi dada  uma pausa no movimento de alta iniciado nos 60 mil pontos e agora estão sendo testados dois suportes importantes, os 64.800 e os 64.000 pontos. O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira  aos 64.510 pontos, menor nível desde o início de fevereiro. A  tendência  permanece ainda de alta. Essas interrupções no movimento de alta são até muito positivas para o mercado ganhar fôlego para novas altas. Por outro lado o  volume vem apresentando quedas nos últimos dias, o que é muito bom e saudável para o mercado. O mercado tem recuado com volume mais fraco e subido com volume forte. É preciso observar se esse cenário vai continuar assim daqui para frente, uma vez que o rompimento dos suportes com volume forte indicaria a reversão da tendência.

Caso venha a ocorrer o rompimento dos índices de suporte, na aopinião dos analistas gráficos o Ibovespa buscaria novos suportes, em 63.000 num primeiro momento e os 61.900 pontos numa etapa posterior. Mas, se continuar na tendência de alta, o próximo objetivo do índice seria nos 67.000 pontos. O que não significa que o mercado vai engatar imediatamente em outro rali. Será preciso aguardar um sinal de fundo no gráfico para ter certeza de quando a Bovespa voltará a subir com força.

Na quarta-feira, o clima externo ruim após a divulgação de dados americanos e da China pesou sobre a bolsa brasileira. Com o recuo de 1,45% no dia, o Ibovespa passou a perder 1,11% em março, mas ainda ganhava 14,67% no ano. Os investidores venderam principalmente ações de bancos, de varejo e também os papéis da BM&FBovespa.

No caso dos bancos, o mercado analisou os dados de crédito e inadimplência divulgados pelo Banco Central e aguardava o resultado da reunião do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com os presidentes do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e das maiores instituições privadas do país para cobrar a redução do spread bancário.

As ações ON da BM&FBovespa encerraram com perda de 2,58%, após a bolsa informar que foi condenada em ações civis públicas e populares que apuravam a prática de possíveis atos de improbidade administrativa e pediam o ressarcimento de supostos danos ao erário, devido a operações realizadas pelo Banco Central em janeiro de 1999 no mercado futuro de dólar.

São quedas específicas e pontuais que afetam ações com peso importante no Ibovespa. Passado esses ajustes pontuais essas ações devem recuperar seu potencial de alta e ajudar na manutenção do índice.

Achei muito interessante o artigo de James Saft, articulista da Reuters,  cuja tradução de Mario Zamarian foi publicada  no Valor Economico sob o titulo : SE O MUNDO NÃO VAI ACABAR POR QUE CONTINUAR APOSTANDO NO OURO. A seguir a transcrição literal do artigo.

Uma aparente recuperação econômica e uma queda recente no preço do ouro têm levado os investidores a ser perguntar se o metal precioso não perdeu seu lugar nos portfólios. Depois de subir desde o princípio da crise financeira, o ouro acumula uma desvalorização superior a 10% desde o pico atingido em setembro. Em grande parte, o castigo do ouro se deve à melhoria dos indicadores econômicos e uma sensação de que o sistema bancário não vai implodir – por piores que as coisas estejam na Europa.

Então, se o mundo não está acabando, por que ter ouro? Colocando em dúvida a posse do ouro está nada mais, nada menos, que Warren Buffett, que defende as ações e classifica o ouro de um ativo não produtivo. Por que manter ouro, que nunca inova, nunca aumenta as margens de lucro e nunca abre novos mercados? “Se você mantiver uma onça de ouro por uma eternidade, você ainda terá uma onça de ouro no fim desse período”, escreveu Buffett em sua mais recente carta anual aos acionistas.

“Esse tipo de investimento exige um grupo crescente de compradores, que, por sua vez, são atraídos por acreditarem que, comprando, esse grupo vai crescer ainda mais”, disse Buffett. “Os proprietários não são inspirados pelo que o próprio ativo pode produzir – ele continuará sem vida para sempre -, e sim pela crença de que outros o vão desejar mais avidamente no futuro”.

O ouro, observa Buffett corretamente, beneficiou-se primeiro dos negócios motivados pelo medo, estimulados por investidores que temem que os bancos centrais e os governos possam articular uma grande inflação com o objetivo de corroer suas dívidas.

Em segundo lugar, assim como acontece com todos os ativos cujos preços sobem muito, o ouro recebeu um empurrão de compradores de momento, aqueles que jogam seu dinheiro em uma corrida na esperança de sair quando a tendência perder força. Remova esses suportes e o ouro deverá cair, rápida e acentuadamente.

Certamente Buffett está correto sobre a incapacidade do ouro de procriar ou crescer, mas acredito que ele apresenta os negócios movidos pelo medo exageradamente como uma barganha do tipo tudo ou nada. O ouro é um tipo de anti-investimento, uma apólice de seguro contra ações ruins de outras pessoas. É claro que ele não inventa uma coisa nova que o tornará rico, mas também não vai, como alguns executivos de empresas, pagar-se em excesso e mudar os preços de suas opções de ações.

É razoável pensar, dada a sequência recente de indicadores, que outra rodada de afrouxamento quantitativo é menos provável nos Estados Unidos. Isso certamente deverá reduzir o valor corrente do ouro, que, ao contrário das notas do dólar, não pode criar vida pela decisão de um banco central.

Mas é importante lembrar que o impacto do afrouxamento quantitativo não termina se o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) simplesmente não imprimir mais dinheiro. Ainda há o problema de como enxugar o grande volume de liquidez de uma economia em recuperação.

É importante observar que títulos de dívida de longo prazo dos EUA têm sido vendidos com vigor recentemente. Isso poderá ser totalmente benigno, uma vez que pode simplesmente refletir uma perspectiva mais otimista de crescimento, daí uma perspectiva mais normal para a inflação.

No entanto, o investidor ficaria preocupado com o que pode acontecer com as expectativas de inflação se, e quando, esse movimento em direção a taxas maiores for sustentado. Se o Fed atraiu o crescimento para “fora de sua caverna”, ele poderá ter dificuldade para colocar a inflação para dormir. O ouro é o seguro contra isso, embora como a maioria dos seguros é bem provável que ele seja pago, mas mesmo assim tem valor.

“Como proprietário de ouro (e de ações da Berkshire Hathaway) posso afirmar categoricamente que não tenho ouro por achar que o futuro será dominado pela malversação monetária. Tenho porque acho que isso pode acontecer”, escreveu Dylan Grice, estrategista do banco Société Générale em uma nota a clientes.

Uma recuperação econômica, que é apenas uma suposição a esta altura, não resolve o problema do endividamento de longo prazo dos EUA e das economias europeias, muito menos o problema demográfico do Japão. É um pouco cedo para afastar totalmente essas preocupações. Espertamente, Grice também observa que a comparação correta não está entre as ações e o ouro, e sim entre o dinheiro e o ouro.

Certamente Buffett entende o valor de opção do dinheiro. Afinal de contas, ele está sempre pronto para fazer grandes investimentos quando uma companhia que ele admira está passando por necessidades e proporciona a ele um bom preço. O ouro na verdade é simplesmente uma outra forma de dinheiro, embora uma com características de risco diferentes das do dólar, euro ou iene. Assim como o dinheiro, ou as ações, o ouro não é uma proposta do tipo tudo ou nada, e sim uma parte útil de um portfólio. 

Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 9,75% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e dois votos pela redução da taxa Selic em 0,5 p.p.”.

 Com esse lacônico comunicado  o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) surpreendeu uma boa parte dos analistas  que previa um corte de 50 pontos-base na Selic, e reduziu a taxa básica de juro em 75 pontos-base, para 9,75% ao ano. Embora a decisão não tenha sido tomada por unanimidade, os acontecimentos recentes, como o fraco PIB brasileiro de 2011, a desaceleração da economia chinesa, a pressão sobre o câmbio e o arrefecimento do crédito interno já levavam o mercado a não descartar um ajuste mais forte da Selic. O que surpreendeu mesmo foi o comunicado em si que não deixa nenhuma pista sobre a reunião que durou mais de quatro horas (uma das mais longas) e quais serão os próximos passos. Qualquer luz nesse sentido somente poderá ser obtida quando for publicada a ata da reunião. Até lá muita especulação será feita.

Esta é a quinta vez que a taxa básica de juro foi reduzida durante o governo da presidente Dilma Rousseff, chegando ao menor patamar desde abril de 2010, quando registrou 9,5% ao ano. Desde agosto de 2011, a Selic já caiu 275 pontos-base.

Mesmo com esse corte expressivo da taxa básica de juro, o Brasil mantém a vice-liderança no ranking de juros nominais, só perdendo  para a Venezuela, onde a taxa de juros nominal está em 15,55% ao ano.

A redução da taxa básica de juro é parte de uma estratégia adotada pelo governo para proteger a economia doméstica da crise financeira internacional, que ameaça o consumo e o crescimento da indústria local. A projeção do mercado é que a taxa continue recuando nos próximos meses. Ainda são esperados novos cortes de até 0,75 pontos-base nas próximas reuniões, para que a Selic chegue a 9,0% ao ano, patamar em que deve fechar 2012. Só não há consenso de quantas reuniões serão necessárias para atingir esses 0,75 pontos adicionais. Vamos ter que esperar para ver.

Hoje os investidores mantiveram-se retraidos mundo afora. O Ibovespa recuou 2,76%,a mais forte baixa desde outubro de 2011. Na realidade após uma alta de 18% em apenas dois meses os investidores buscavam um motivo para uma realização de lucros mais forte. Tiveram quatro motivos principais: Fraco PIB europeu, que embora esperado confirmou a debilidade da economia da zona do euro e da própria união europeia; fraco PIB brasileiro (apesar do crescimento de 2,7% o Brasil acaba de superar o Reino Unido e se torna a 6a. economia do mundo); os temores de que a Grécia não consiga a adesão necessária para trocar os papeis de sua divida até a próxima 5a. feira compromentendo o programa de ajuda ao país e finalmente a declaração de Wen Jiabao (ministro de finanças da China) informando, ontem, que reduziu para 7,5% a meta de crescimento da economia do país em 2012, após permanecer em torno de 8% por sete anos seguidos.
No entanto, hoje, Zheng Xinli, vice-chefe do subcomitê econômico da Conferência Consultiva Política do Povo da China, um think-tank (centro de estudos) do governo, afirmou que a previsão da taxa de crescimento é mais simbólica do que real e a economia chinesa deve se expandir ao redor de 9% neste ano.
Realizações de lucros após altas tão fortes são consideradas saudáveis para o mercado.
Após a realização de hoje e a declaração de Zhen Xinli é possível que os mercados apresentem alguma recuperação amanhã.

Foi novamente um gol aos 45 minutos do segundo tempo que salvou a Grécia de um catastrófico calote desordenado e a retirada do país da união monetária europeia. Em maio de 2010 o governo grego, para receber o apoio financeiro de  110 bilhões de euros, concordou em implantar medidas de austeridade que provocaram violentas manifestações sociais. Agora a Grécia concordou com medidas ainda mais draconianas, incluindo uma drástica redução de sua soberania, para receber mais 130 bilhões de euros. Muito embora os mercados financeiros tenham reagido com certo alívio, a verdade é que o ceticismo ainda prevalece em relação ao futuro dos gregos, pois muita água ainda tem que passar embaixo da ponte. O próximo passo importante será obter o perdão formal de 53,5% da dívida grega junto aos credores privados, mediante a troca de títulos de 200 bilhões de euros da dívida atual por outros novos no valor de 93 de bilhões de euros. A austeridade aceita pela Grécia se apoia principalmente em novos cortes de gastos, congelamento de salários e demissões  em massa, cujos resultados obtidos até agora foram pífios. Apertar os controles e dobrar a dose de sacrifícios do povo grego, como pretendem os líderes europeus, não tornarão as coisas mais fáceis. As projeções indicam que, pelo andar da carruagem, a Grécia deve chegar em 2020 com uma dívida ao redor de 160% do PIB, ou seja, praticamente igual aos 164% que representa atualmente. A Grécia é hoje um país que se esfacela dia após dia e o governo grego não tem conseguido fazer sua parte, nem no tocante as demissões (dolorosas, mas indispensáveis), nem em relação às privatizações que deveriam render 19 bilhões de euros até 2015. Em vez de reconhecer que sem medidas de estímulo  a economia grega não conseguirá sair do atoleiro em que se encontra, os líderes europeus optaram por aumentar a pressão institucional sobre o governo de Atenas. O pacote de ajuda ora aprovado é o melhor que esses líderes estão dispostos a oferecer à Grécia. Mesmo assim, se tudo der certo ( e quase tudo tem dado errado) os gregos passarão uma década infernal para ficarem com uma dívida de 120% do PIB do país em 2020, uma relação igual a que a Itália tem hoje. O fantasma de uma falência grega continuará pairando no ar e voltará a assombrar os mercados financeiros, sabe Deus até quando.