A única certeza que se pode ter neste início de ano novo é que os juros em 2013 continuarão baixos. O cenário deve permanecer praticamente inalterado para os produtos mais tradicionais o que significa que os rendimentos da caderneta de poupança e dos fundos de renda fixa devem continuar perdendo da inflação. Isso levará os investidores a abandonarem os investimentos mais conservadores, pelo menos em parte. Para elevar seus ganhos e não ver seu patrimônio corroído pela inflação será preciso buscar alternativas de maior risco. O investidor terá que estudar mais e pesquisar mais. Os prazos das aplicações terão que ser alongados para se conseguir obter uma rentabilidade melhor. Essa nova realidade representa uma alteração muito grande no dia a dia dos investidores.  Parte desse cenário já vem levando os aplicadores a efetuarem mudanças em seus portfólios de investimentos desde os últimos meses de 2012. Essa mudança no perfil dos investimentos ainda está longe de ter se consolidado e por isso uma certa volatilidade deve ocorrer nos primeiros meses de 2013 para refletir a acomodação dessa nova ordem. Sem dúvida os produtos isentos de tributação do imposto de renda para as pessoas físicas, como os fundos imobiliários e os fundos de debêntures, deverão ter procura mais intensa. E a Bolsa? A Bovespa é sem dúvida a forma mais tradicional para quem deseja apostar no bom desempenho das empresas. É verdade que o índice Ibovespa é altamente impactado pelo desempenho das ações blue chips (entre as quais se destacam Vale, Petrobras, concessionárias de energia elétrica e bancos) empresas essas que vem enfrentando dificuldades não somente em função da desaceleração da economia mundial, mas principalmente pela intervenção do governo na política de preços dos derivados de petróleo, nas tarifas de distribuição de energia elétrica e na verdadeira guerra desenvolvida contra os bancos para redução das taxas de juros, usando como instrumento as instituições oficiais. Mas o importante é saber que há vida fora do Ibovespa. Há várias oportunidades particularmente no seguimento de samall caps. Em minha opinião a bolsa está barata e num ambiente de retomada do crescimento (mesmo que não seja nada espetacular) deverá representar uma das melhores alternativas para 2013. Mas a Bolsa é também muito suscetível ao que ocorre no mundo como um todo. Acontecimentos internacionais geralmente exacerbam a performance do mercado acionário doméstico. Por isso tudo é que o aplicador deverá começar a se preocupar com o que fazer com seu dinheiro bem antes do carnaval neste ano. Investir atualmente requer mais trabalho, mais técnica e mais conhecimento. O auxílio de consultores também deverá ser avaliado como alternativa importante. Está chegando o momento em que dispensar o conselho e o conhecimento de especialistas pode conduzir a enganos na escolha de investimentos que redundem em prejuízos. Para quem não está afeito ao dia a dia do mercado financeiro, que está cada vez mais sofisticado, não é fácil dominar os diversos tipos de ativos, estratégias, linguagem, riscos e até mesmo como operar no campo de investimentos. O perigo aumenta por que cada dia mais os investidores contam com ferramentas que propiciam a possibilidade de operar por conta própria, como os home-brokers oferecidos por grande parte das instituições financeiras. Sugiro que os investidores estabeleçam objetivos claros para sua vida financeira, organizando orçamentos com o maior detalhamento possível. Como diz o professor Fábio Gallo, não há planejamento demasiado ou escasso, há planejamento certo ou errado. Com o planejamento adequado será possível estabelecer prazos para os investimentos e o grau de risco que poderá ser aceito para atingir cada um dos objetivos traçados.  É claro que nenhum planejamento é imutável. Correções de rota podem e devem ser aplicadas, mas o mais importante é ter disciplina para seguir o que foi planejado.

Depois de terem desgraçadamente falhado em suas avaliações, e terem sido um dos grandes responsáveis pela terrível crise que ocorreu em 2008, as agências de risco vêm fazendo verdadeiro jogo de cena para salvar sua credibilidade. Assim é que aproveitando a sexta feira treze deste ano bissexto a Agência de classificação de risco Standard & Poor’s anunciou o rebaixamento da nota que atribui à dívida pública de nove países da zona do euro. Com isso, a Alemanha torna-se o único país da eurozona a manter a nota “AAA”. O anúncio já era aguardado ao longo do dia, e fez os mercados fecharem em baixa na Europa, nos EUA e no Brasil.Áustria, França, Malta, Eslováquia e Eslovênia tiveram a nota rebaixada em um grau. Já Chipre, Itália, Portugal e Espanha foram rebaixados em dois níveis. Dos 16 membros da zona do euro, 14 foram colocados sob perspectiva negativa , ou seja, um alerta de que o rating pode cair novamente na próxima avaliação. Só Eslováquia e Alemanha aparecem com perspectiva estável. A nota sinaliza quanto um país é seguro para investir. A zona do euro está em crise porque as dívidas de países como Grécia, Itália, Espanha e Portugal, estão muito altas, e há dúvidas se eles conseguiria honrar seus compromissos financeiros. Autoridades da zona do euro já haviam informado, em anonimato, que a agência de classificação de risco anunciaria hoje o rebaixamento da nota da França e da Áustria.  No começo de dezembro, a mesma agência já tinha colocado as notas dos países da zona do euro, inclusive as da Alemanha e França, em situação de “revisão para possível rebaixamento” algo inédito, o que prenunciava uma possível redução dentro de três meses. Existe, entretanto, um conflito entre as avaliações das agências de risco, uma vez que dias atrás, outra respeitavável Agência de classificação de riscos, a Fitch, informou que não existe qualquer chance de que sua avaliação da França venha a sofrer qualquer rebaixamento em 2012.

 

 O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou o ano passado com queda acumulada de 18,1% , seu  pior desempenho desde 2008. Motivos não faltam para explicar esse desempenho tão ruim. O fato é que as incertezas no ambiente externo, principalmente em decorrência da crise de dívida soberana na zona do euro, mantiveram os investidores na defensiva.
Apesar desse fraco desempenho a Bovespa movimentou o expressivo volume recorde de R$ 1,61 trilhão no ano passado, alcançando marcas históricas também em número de negócios e nas operações de aluguel de ações.
O total superou por pouco a marca anterior, de 2010, quando o giro total da Bolsa brasileira correspondeu a R$ 1,60 trilhão. A média diária de 2011, de R$ 6,49 bilhões, também foi recorde.
De acordo com as informações oficiais divulgadas pela BM&FBovespa,  em 2011 foram realizadas 141.229.649 operações no segmento Bovespa, superando o recorde anterior, de 2010 (106.418.437).
O volume financeiro das operações com empréstimo de ações alcançou a marca histórica de R$ 732,75 bilhões no ano passado, em pouco mais de 1,4 milhão de transações.
O valor de mercado das 373 empresas com ações negociadas na BM&FBovespa estava em R$ 2,29 trilhões no encerramento de 2011. No ano anterior, o valor correspondia a R$ 2,56 trilhões, referente a 381 companhias. Ao fim do ano passado, o número de contas de investidores pessoas físicas no mercado de ações foi de 583.202, uma queda de 4,5% ante o total do encerramento de 2010 quando esse número era 610.915.

 

Minha avó dizia que o Diabo tanto enfeitou o olho do filho que acabou furando-o. Mais recentemente Warren Buffet profere que : “quando a maré baixa é que sabemos quem está nadando pelado.”

Ambas as citações são aplicáveis às medidas de risco utilizadas por investidores.

O agravamento da crise da dívida na zona do euro escancarou as divergências entre as principais medidas de risco usadas pelos investidores. As taxas do CDS – derivativo que funciona como espécie de seguro contra calote de um determinado emissor de dívida – de vários países, em especial dos europeus, operam descoladas das avaliações de crédito feitas pelas agências de classificação de risco,  estas em crescente descrédito.

Mas, o que fazer para avaliar o risco de um investimento?

Em tese, como ressalta  matéria recentemente publicada no Valor Econômico, os dois indicadores deveriam andar juntos, uma vez que ambos medem a possibilidade de o emissor de um título de dívida não honrar seus compromissos. Com a crise, porém, o CDS passou a refletir uma ameaça maior de calote do que os ratings aplicados pelas agências de risco (especialmente  Standard & Poor’s,Moodys e Fitch). Países como o Brasil, que possui avaliação “BBB”, são considerados menos arriscados no mercado de CDS do que a França, com classificação “AAA”, a mais alta na escala das agências.

Não há resposta definitiva sobre qual medida é a mais correta. “O rating é fruto da opinião de um grupo de analistas, enquanto o CDS é como se fosse uma avaliação de todo o mercado sobre o risco de um emissor”, compara o economista Raphael Martello, da Tendências Consultoria.

Enquanto os ratings são atribuídos de acordo com uma escala de letras conforme a capacidade de pagamento, o CDS varia seguindo o preço que os investidores estão dispostos a pagar para se proteger de um possível calote.

Ambos os modelos possuem vantagens e desvantagens. Não é de hoje que as agências de rating enfrentam a desconfiança do mercado, mas ela se aprofundou desde 2008, em conseqüência dos problemas com os títulos de hipotecas “subprime” – vários dos quais contavam com rating triplo A. O CDS, contudo, é visto como extremamente suscetível às oscilações de curto prazo, que nem sempre refletem os fundamentos econômicos.

“O CDS é muito mais volátil, enquanto o rating é uma opinião de longo prazo. Por isso, quanto mais volátil é o mercado, maior o descolamento entre o que mostra o CDS e o rating”, diz Rafael Guedes, diretor executivo da agência Fitch Ratings. Ele afirma que o rating e o CDS tendem a convergir, mas que mudanças no rating só acontecem quando muda o cenário-base da agência.

O crescimento das negociações com CDS nos últimos anos tornou o instrumento a principal referência para a avaliação de risco no mercado. Com isso, outros indicadores praticamente caíram em desuso. É o caso do EMBI – sigla para Emerging Markets Bond Index – calculado pelo J.P.Morgan com base no prêmio de uma cesta de títulos soberanos em relação aos papéis do Tesouro americano. Embora o EMBI, que já foi considerado sinônimo de risco país no passado, também sofra influência da ameaça de calote, no CDS essa medida é diretamente negociada pelos investidores, segundo Martello, da Tendências.

Na visão de Mauro Leos, analista de risco soberano da América Latina da agência Moody’s, o CDS é um instrumento importante para investidores que trabalham com curtos intervalos de tempo, como fundos de hedge. Já quem é mais inclinado para o longo prazo, como seguradoras e fundos de pensão, o indicado são as notas de agências de classificação, com maior estabilidade em relação ao CDS.

Os atores principais do drama europeu, Angela Merkel, chanceler da Alemanha e Nicolas Sarkozy, presidente de França, tem mais um incentivo para forçar um novo tratado na Zona do Euro: a agência de classificação de risco Standard & Poor’s afirmou,  que colocou em revisão o rating (nota de crédito) de 15 países europeus, inclusive o da Alemanha e França, que podem perder a nota máxima de crédito AAA. Os mercados acionários asiáticos fecharam em baixa, mas os europeus, americano e brasileiro, não deram muito valor a essa declaração. Parece que os investidores estão ficando anestesiados contra a S&P.

O The Wall Street Journal publicou um interessante artigo, escrito por Maxwell Murphy, sobre o tema, o qual foi também reproduzido pelo Valor Economico.

Muitas grandes empresas têm recorrido às recompras de ações como uma maneira de elevar o retorno aos acionistas e satisfazer investidores ativistas, mas os resultados comumente decepcionam.

Inclusive no Brasil, períodos de queda nas bolsas são cada vez mais acompanhados de anúncios de recompra de ações, com o correspondente debate sobre a utilidade e a efetividade dessa manobra.

Em teoria, as recompras não apenas retornam dinheiro para os acionistas que vendem as ações de volta para a companhia, como também recompensam aqueles que as mantêm, ao reduzir o total de ações em circulação, o que consequentemente aumenta o valor relativo do investimento.

Mas as coisas nem sempre funcionam assim, por razões que podem ser simples como um “timing” ruim. Neste ano, as 30 companhias que integram a Média Industrial Dow Jones gastaram, até 7 de agosto, um total de aproximadamente US$ 70,6 bilhões para recomprar ações que valiam US$ 65,3 bilhões. Isso é equivalente a uma perda de 7,5% no investimento, o que supera o declínio de 3,9% da Dow Jones no mesmo período.

Desde o começo de 2007, ano que marcou o pico das operações de recompra, até 7 de outubro, o mesmo grupo de empresas gastou cerca de US$ 614,2 bilhões recomprando ações que valiam no fim da primeira semana de outubro US$ 590,8 bilhões. Ainda que a baixa de 3,8% seja menor que a queda de 10,8% da Dow Jones no mesmo período, não deixa de ser um retorno negativo.

Alguns especialistas em finanças corporativas argumentam que as empresas só deveriam recorrer a recompras raramente, quando muito, porque o dinheiro pode quase sempre ser melhor usado para fazer aquisições ou injetado novamente para financiar a expansão do próprio negócio.

“Acho difícil de acreditar que não seja possível gerar mais valor para os acionistas por meio de aquisições estratégicas ou empregando o capital no crescimento da empresa ou na melhoria de projetos, em vez de apenas recomprar ações”, diz o diretor financeiro de uma das empresas que integram o índice Dow Jones.

Mas tanto os defensores quanto os céticos concordam que há recompras eficientes e ineficientes, e que essas últimas podem destruir, em vez de criar, valor para os acionistas.

Recompras podem funcionar quando as empresas não pagam muito caro pelos papéis e quando reduzem de forma relevante o número de ações em circulação. Mas encontrar o momento correto de realizar a operação pode ser difícil. Quando as empresas estão com excesso de caixa, como é o caso de muitas americanas atualmente, as ações podem registrar picos de curto prazo. Por outro lado, as ações comumente atingem um piso quando as empresas estão sem caixa e tentam controlar os gastos.

O caso da International Business Machine Corp. mostra como recompras podem ser benéficas tanto para a empresa quanto para seus investidores. Desde o fim de 2006, de acordo com documentos apresentados às autoridades de mercado, a IBM recomprou US$ 60,3 bilhões em ações que valeriam a mais de US$ 91 bilhões hoje. Mais de 60% das 504 milhões de ações recompradas permaneceram fora do capital social; o que significa que elas não foram recolocadas no mercado, por exemplo, em pacotes de remuneração de executivos que incluem pagamento baseado em ações.

Como consequência disso, entre outros fatores, o total de ações em circulação da IBM recuou 20% nesse período, ao mesmo tempo em que o preço do papel quase dobrou. Enquanto a companhia elevou seu dividendo por ação em 150%, o desembolso total com dividendos aumentou apenas 100%.

“Ao longo da última década, investimos cerca de US$ 70 bilhões em despesas de capital e aquisições (de 116 empresas) e quase US$ 60 bilhões em pesquisa e desenvolvimento voltados para áreas identificadas como de alto valor”, disse um porta-voz da IBM em uma nota. “Nós retornamos US$ 89 bilhões para nossos acionistas com recompras de ações e, no fim de 2010, nosso dividendo trimestral era cinco vezes maior do que em 2000.”

Apesar desse tipo de resultado positivo, Gregory Milano, diretor-presidente da Fortuna Advisory LLC, firma de consultoria corporativa de Nova York, diz que o “primeiro problema [com a recompra] é um erro de pensamento estratégico”. Milano é crítico em relação à maioria dessas operações, que ele diz que normalmente geram baixa rentabilidade.

Sua fórmula para calcular o retorno anual do investimento de uma recompra pesa a média do preço pago pelas ações, a cotação atual e o dinheiro economizado com dividendos por conta da redução da quantidade de papéis em circulação. Segundo esse critério, as empresas da Média Industrial Dow Jones que tiveram maior retorno com essas operações desde 2007 são IBM e McDonald’s, com índices de 19,4% e 19,1%, respectivamente.

O pior desempenho – excluindo Bank of America Corp., que não compra seus próprios papéis desde 2007 e precisaria de autorização regulatória fazê-lo, e Alcoa Inc., que interrompeu a prática no fim de 2008 para se “focar no caixa”, em meio à recessão – foi da Hewlett-Packard Co., com retorno negativo de 23,3% nas recompras.

A HP gastou cerca de US$ 45 bilhões recomprando mais de um bilhão de ações desde 2007. Embora o preço médio de compra seja bem maior que a cotação atual, a companhia reduziu o total de papéis em circulação em mais de 25%.

Mesmo assim, isso não ajudou a ação, cujo preço tem sido corroído por anos de mudanças seguidas no alto comando, erros corporativos e fraco desempenho.

Meg Whitman, nova diretora-presidente da HP, disse em setembro que “as prioridades de longo prazo para alocação de capital da companhia continuam sendo […] investir no negócio, recomprar ações e pagar dividendos”.

Ela reiterou o posicionamento da HP de que um programa de recompra mais moderado seria necessário no curto prazo com o objetivo de se “reconstruir o balanço patrimonial” da empresa. Mas ela acrescentou que a HP está “comprometida a, no mínimo, evitar totalmente a diluição” do valor aos acionistas resultante de emissões ligadas a programas de remuneração de executivos.

Para desenhar uma recompra eficiente, é importante que as empresas sejam claras sobre seus motivos e objetivos. Assim, tanto executivos como investidores podem julgar melhor o sucesso ou fracasso do programa.

 

 

O COPOM ( Comitê de Política Monetária do Banco Central) reduziu pela segunda vez consecutiva a taxa básica de juros da economia brasileira, a taxa Selic, em meio ponto percentual, para 11,5% ao ano. Segundo o Banco Central, a decisão foi unânime. O Banco Central cuidou para acalmar o mercado em relação à inflação ao reduzir a taxa. Em comunicado, o BC afirma que a queda da Selic é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta de 4,5% ao ano em 2012, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A queda de 0,5% na Selic não surpreendeu os analistas, que já esperavam a decisão do Banco Central através dos sinais emitidos desde a última reunião, ocorrida em agosto. Na bolsa de valores, os analistas concordam que as maiores beneficiadas com o corte são as construtoras. Ontem as ações da Gafisa (GFSA3), Cyrela (CYRE3), MRV Engenharia (MRVE3) e Brookfield (BISA3) registraram fortes valorizações, com os investidores já a ntecipando o movimento do BC. Segundo os economistas, com menores taxas de juros, os potenciais compradores de imóveis sentem mais confiança em financiar a casa própria a longo prazo.