O primeiro mês de 2013 foi marcado pela continuação do aumento do apetite ao risco visto na virada do ano. As principais bolsas marcaram desempenhos positivos no período. Suportando este comportamento, a economia mundial emitiu sinais mais animadores quanto ao atual momento de atividades. O ano começou num tom mais positivo, com um balanço de riscos mais favorável, em que os Estados Unidos não despencaram no abismo fiscal e a economia chinesa confirmou o momento de retomada das atividades. A Europa, mesmo em dificuldades, vem avançando e deixou de ser uma fonte de incertezas no momento, à medida que o Banco Central Europeu tem, pronto para ser usado, novo plano de compras de títulos. Riscos, no entanto, persistem. Os políticos norte-americanos estão prontos para uma nova batalha sobre as finanças do país — agora sob o pretexto do teto da dívida pública. Na Europa, o sistema político continuará a ser bastante exigido pela necessidade de reformas estruturais. Nesse contexto, o Brasil voltou a sentir que os velhos problemas e os mesmos fantasmas que assombraram os mercados em 2012 ainda rondam neste início de 2013. As condições macroeconômicas ainda seguem num tom de deterioração. Os agentes continuam ajustando suas expectativas para um ano de crescimento ainda fraco e uma inflação ainda bastante pressionada. Para piorar este quadro e contribuir para a elevação das incertezas atravessamos um período de risco de racionamento que pode afetar de maneira decisiva a retomada econômica esperada. Apesar de julgamos uma probabilidade bastante baixa de racionamento, apenas o risco pode impor alguma deterioração na confiança dos agentes, tornando a recuperação industrial ainda mais frágil. Nesse contexto, o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) manteve a taxa de juros básica (Selic) em 7,25% ao ano. A decisão foi unânime e em linha com as expectativas de mercado. No comunicado que acompanhou a decisão, o Copom reconheceu a piora da inflação no curto prazo e ressaltou que “a recuperação da atividade doméstica é menos intensa do que o esperado”. Nesse ambiente ainda difuso, a bolsa brasileira segue sendo o destaque negativo, quando comparada com os índices acionários globais. A variação acumulada no mês de janeiro é de queda de -1,95%. Apenas como referencial, o índice norte-americano mais negociado do mundo, S&P500, acumula alta de +5,20%. Se em termos macroeconômicos o cenário não mudou, em termos microeconômicos não pode se dizer o mesmo. Além das preocupações quanto a um possível racionamento de energia (mencionada acima) e sua eventual repercussão para a indústria, adicionalmente, eventos particulares como o fraco reajuste de preços para a Petrobras, as pesadas autuações sofridas pela Natura e pela MMX, contribuíram para uma queda sensível de nosso índice. Outros fatos que merecem destaque são: a destacar  destacamos:  anúncio do aumento de 20% para 25% do percentual de etanol na mistura de gasolina; complexo de Cozumel da OGX revelou ser um poço seco;  aquisições da Profarma (gerando outro grande player no setor de farmácias);  interesse de Abílio Diniz em entrar na BR Foods; (vii) entrada da MRV na lista de trabalho escravo.  Tudo isso tem importante peso na performance da Bovespa. O mês de fevereiro, inclusive devido ao carnaval, não deverá apresentar movimentos bruscos. No 1º. Pregão do mês a Bolsa subiu 1 %.

Europa –

Os dados econômicos na Europa continuam apontando para um quadro de atividade fraco e sem sinais consistentes de recuperação. No entanto, o bloco continua contribuindo para a melhora no apetite por risco nos mercados globais à medida que parou de ser uma fonte de incerteza relevante, conforme vimos em meados do ano passado. A necessidade de reformas estruturais continuará exigindo medidas do governo e entendemos que os riscos políticos na região continuam elevados, porém decadentes, o que tem ajudado na recuperação do humor dos investidores e deverá se manter assim neste mês que se inicia.

Ásia –

Dois fatores vêm marcando de maneira decisiva o comportamento positivo dos ativos de risco na região. No Japão, a nova administração vem usando o Banco Central de maneira bastante ativista para prover toda a injeção de capital necessária para reanimar a atividade e combater os problemas de deflação. A moeda do país continuou no seu movimento de desvalorização impulsionando o índice acionário local, que já acumula no ano uma alta de 7,15%. Na China, a divulgação mais recente do HSBC PMI, referente a janeiro, apontou o 5º aumento consecutivo na pesquisa, que passou a registrar 51,9 pontos, marcando o maior nível desde janeiro de 2011. A leitura direta deste indicador é que após um longo processo de ajuste na economia visto pela desaceleração em 2012, o setor industrial está motivado em retomar as atividades e o processo de reestocagem. A pesquisa apontou uma maior aceleração do ritmo de produção, aquisição de matérias primas e contratação de mão-de-obra, mesmo com uma demanda externa ainda frágil. Tal conjuntura corrobora, junto com os dados macros recentes da economia, uma virada do ano a um ritmo mais robusto que o observado recentemente.

EUA –

Continuamos recebendo os indicadores econômicos referentes ao final do ano passado e o que podemos observar é uma resiliência da maior economia do mundo em passar por períodos adversos de incertezas. Vale lembrar que os dois últimos meses do ano anterior foram marcados por eleição presidencial, catástrofe climática e paralisia diante da resolução do impasse fiscal. Mesmo assim, a economia norte-americana continua emitindo sinais consistentes de um crescimento econômico, a julgar pelos dados de consumo e mercado de trabalho. Julgamos mais provável que a dinâmica dos dados continue suportando esta resiliência, o que será positivo para sustentar as recentes altas nas bolsas do país. Por outro lado, vale monitorar a proximidade com as discussões fiscais sobre a elevação no teto da dívida pública que, independente do desfecho, atuará negativamente no comportamento dos ativos de risco.

Brasil – Retomada ainda frágil.

No Brasil, a retomada é frágil e o investimento privado continua a decepcionar. A política econômica tornou-se mais complexa. Para conter a inflação, as autoridades atuaram para evitar novas rodadas de depreciação do real, e esperamos que a moeda seja controlada para ficar muito próxima ao nível de U$ 2,00. Para piorar a expectativa de recuperação das atividades da indústria, o início do ano foi marcado pelo baixo nível dos reservatórios hidrográficos. Diante deste quadro, o mercado vem discutindo a possibilidade de um racionamento de energia elétrica. O ambiente de retomada do crescimento e a queda das tarifas elétricas, por conta das medidas governamentais, tendem a impulsionar ainda mais o consumo. Entretanto, o impulso dado por esses efeitos é incerto e o volume de chuvas, difícil de ser estimado. O racionamento surge como um risco, mas não nos parece o cenário base. Por enquanto, o mais provável é que o uso complementar de energia térmica gere alguma pressão adicional na inflação, por ser mais cara. Julgamos que a inflação mostre um resultado bastante pressionado em janeiro, mas depois acabe cedendo devido aos impactos do corte de energia elétrica. Nesse cenário, não vemos alteração na política monetária em um horizonte de tempo razoável e julgamos que os números de atividade deverão mostrar mais vigor apenas no segundo trimestre.