A expressiva redução da taxa básica de juros determinada pelo Banco Central através do Comitê de Política Monetária (COPOM) trazendo a SELIC para seu nível histórico mais baixo (8,5%) modificou bastante o cenário econômico brasileiro no primeiro semestre deste ano. Como a Selic afeta diretamente os investimentos em renda fixa, já que muitas aplicações possuem a taxa básica como referência para a sua rentabilidade, os investidores precisam repensar suas aplicações em renda fixa e readequarem seu portfólio de investimentos.

Diante deste novo cenário, a pergunta que muitos fazem é: como devem ficar as aplicações em renda fixa no segundo semestre deste ano?

Aos níveis atuais de 8,5% para a Selic  as aplicações que renderem abaixo de 100% da Selic  poderão não serem suficientemente rentáveis para cobrir a inflação, i.e. o recurso aplicado quando for resgatado terá menor valor de compra, mesmo computado o rendimento obtido. Isso decorre das distorções da tributação do Imposto de Renda que tributa toda a diferença entre o que foi aplicado e o que foi resgatado por alíquotas bastante salgadas inclusive sobre a inflação. Nos passado apenas o ganho real era tributado, mas hoje as regras mudaram para que o governo pudesse aumentar sua arrecadação. Vejamos o seguinte exemplo: Para uma aplicação de R$ 100 mil num fundo de investimento de renda fixa de alta performance ( que consiga retorno equivalente a 100% da Selic), depois de um ano o investidor deveria receber R$ 8.500,00. Entretanto um fundo de investimento desse perfil deverá cobrar uma taxa de administração de no mínimo 1% a.a., o que já reduziria o rendimento para R$ 7.500,00. O saque dos rendimentos, após um ano de aplicação, implica uma tributação de 20%, ou seja R$ 1.500,00, reduzindo o rendimento líquido para R$ 6.000,00. Como a inflação real  (não apenas o IPCA) projetada para para os próximos 12 meses deverá se aproximar dos 6%, o investidor poderá ter uma rentabilidade negativa.

Será preciso portanto ter muita cautela com a inflação. É preciso lembrar que o governo tem praticamente esgotado seu arsenal de medidas para conter a escalada dos índices. Já  zerou a CIDE (imposto incidente sobre combustíveis), já reduziu o IPI sobre muitos produtos e não poderá evitar que novos e necessários aumentos dos combustíveis venham a pressionar a inflação. Nesse contexto os investimentos atrelados aos índices de preços podem ser uma opção interessante para os próximos meses.

Entre as aplicações que possibilitam lucrar com a alta dos preços está a NTN-B (Nota do Tesouro Nacional – Série B), títulos públicos que possuem a rentabilidade indexada ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação “oficial” do país.

Para adquirir estes títulos, é preciso se cadastrar no programa Tesouro Direto, e ter conta em uma corretora de valores autorizada a operar com títulos públicos.

Também é possível “investir em inflação” por meio dos fundos de renda fixa. Não existe um tipo específico de fundo de inflação classificado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), mas diversos fundos de renda fixa investem primordialmente nestes títulos. Basta analisar o portfólio e o regulamento do fundo antes de investir, para saber que tipo de ativo é mais comprado pelo gestor.

Dentro da renda fixa, outras alternativas de investimentos também podem trazer al rentabilidade no próximo semestre. A LCI (Letra de Crédito Imobiliário) também deve ser analisada. A principal vantagem é que ela é isenta de Imposto de Renda. Com isso, a rentabilidade líquida da aplicação pode ser maior do que de outros investimentos de renda fixa que são tributados.

Outra vantagem da LCI é o fato de a aplicação ser garantida pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 70 mil, o que reduz significativamente o risco da aplicação. Para aqueles que não tem necessidade de utilizar os recursos aplicados, mas pretendem usar apenas os rendimentos obtidos uma das melhores opções são os fundos de investimentos imobiliários, cuja aplicação é suportada por imóveis e o rendimento decorre dos alugueis desses imóveis, estando também  isento de imposto de renda.