Há muito tempo os investidores anseiam por um ambiente no qual as taxas de juros sejam menores no país. Muitas vezes, nos últimos anos, eles chegaram a demonstrar certo entusiasmo com a percepção de que o momento estava próximo, mas sempre de alguma forma as expectativas acabaram frustradas. Agora, parece ser diferente. O discurso e a prática do governo indicam claramente o objetivo de que o país possa conviver com uma taxa Selic mais modesta. As ações nesse sentido, intensificadas desde o início do ano, trouxeram novamente ânimo novo aos mercados. A última reunião do Copom decidiu por mais uma redução expressiva, trazendo a taxa para 9%, ou seja, um dos níveis mais baixos de todos os tempos. Houve aceno também de que novas reduções poderão vir. Mais um corte de 0,5  pontos percentuais e se chegaria à taxa historicamente mais baixa. Muitos economistas de renome têm advertido de que essa verdadeira obcessão das autoridades econômicas embute um risco muito grande para um perigoso repique inflacionário. Parece não haver dúvidas sobre isso. Mas os investidores tem que tomar suas decisões diárias no contexto do que está acontecendo. E o que está acontecendo é que os juros estão em queda e é segundo este prisma que as decisões têm que ser tomadas. No futuro, quando a inflação voltar a crescer (porque ela provavelmente crescerá) o governo tomará outras medidas que julgar oportunas e os investidores terão que dançar conforme a música. Como essa redução na taxa Selic tem um efeito colateral profundamente saudável para as contas do governo, uma vez que reduz em muito os dispêndios com os encargos financeiros sobre a dívida pública, a equipe econômica provavelmente se sentirá muito tentada a retardar ao máximo uma nova onda de alta das taxas Selic. Hoje está muito difícil conseguir uma boa rentabilidade sem correr riscos, inclusive porque a taxação pelo imposto de renda nas aplicações de renda fixa devora a maior parte da rentabilidade. Hoje, aqueles investidores que não tem nervos para riscos devem alocar seus recursos nas aplicações cuja remuneração seja vinculada de alguma forma às taxas de inflação. A meu ver nesse caso destacam-se os fundos imobiliários que apresentam duas vantagens principais: seus rendimentos são geralmente indexados ao IGPM e estão isentos de imposto de renda (exceto a venda das cotas que é tributada como ganho de capital). Quem quizer mais do que isso terá que correr riscos e buscar ganhos no mercado de renda variável. Boa sorte e que Deus os ilumine.