O QUE DIZEM OS GRÁFICOS

30 março. 2012

O comportamento do índice Bovespa  nos próximos pregões será decisivo para definir qual será a tendência do mercado acionário brasileiro nas próximas semanas, segundo os critérios da análise gráfica.

Foi dada  uma pausa no movimento de alta iniciado nos 60 mil pontos e agora estão sendo testados dois suportes importantes, os 64.800 e os 64.000 pontos. O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira  aos 64.510 pontos, menor nível desde o início de fevereiro. A  tendência  permanece ainda de alta. Essas interrupções no movimento de alta são até muito positivas para o mercado ganhar fôlego para novas altas. Por outro lado o  volume vem apresentando quedas nos últimos dias, o que é muito bom e saudável para o mercado. O mercado tem recuado com volume mais fraco e subido com volume forte. É preciso observar se esse cenário vai continuar assim daqui para frente, uma vez que o rompimento dos suportes com volume forte indicaria a reversão da tendência.

Caso venha a ocorrer o rompimento dos índices de suporte, na aopinião dos analistas gráficos o Ibovespa buscaria novos suportes, em 63.000 num primeiro momento e os 61.900 pontos numa etapa posterior. Mas, se continuar na tendência de alta, o próximo objetivo do índice seria nos 67.000 pontos. O que não significa que o mercado vai engatar imediatamente em outro rali. Será preciso aguardar um sinal de fundo no gráfico para ter certeza de quando a Bovespa voltará a subir com força.

Na quarta-feira, o clima externo ruim após a divulgação de dados americanos e da China pesou sobre a bolsa brasileira. Com o recuo de 1,45% no dia, o Ibovespa passou a perder 1,11% em março, mas ainda ganhava 14,67% no ano. Os investidores venderam principalmente ações de bancos, de varejo e também os papéis da BM&FBovespa.

No caso dos bancos, o mercado analisou os dados de crédito e inadimplência divulgados pelo Banco Central e aguardava o resultado da reunião do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com os presidentes do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e das maiores instituições privadas do país para cobrar a redução do spread bancário.

As ações ON da BM&FBovespa encerraram com perda de 2,58%, após a bolsa informar que foi condenada em ações civis públicas e populares que apuravam a prática de possíveis atos de improbidade administrativa e pediam o ressarcimento de supostos danos ao erário, devido a operações realizadas pelo Banco Central em janeiro de 1999 no mercado futuro de dólar.

São quedas específicas e pontuais que afetam ações com peso importante no Ibovespa. Passado esses ajustes pontuais essas ações devem recuperar seu potencial de alta e ajudar na manutenção do índice.

Achei muito interessante o artigo de James Saft, articulista da Reuters,  cuja tradução de Mario Zamarian foi publicada  no Valor Economico sob o titulo : SE O MUNDO NÃO VAI ACABAR POR QUE CONTINUAR APOSTANDO NO OURO. A seguir a transcrição literal do artigo.

Uma aparente recuperação econômica e uma queda recente no preço do ouro têm levado os investidores a ser perguntar se o metal precioso não perdeu seu lugar nos portfólios. Depois de subir desde o princípio da crise financeira, o ouro acumula uma desvalorização superior a 10% desde o pico atingido em setembro. Em grande parte, o castigo do ouro se deve à melhoria dos indicadores econômicos e uma sensação de que o sistema bancário não vai implodir – por piores que as coisas estejam na Europa.

Então, se o mundo não está acabando, por que ter ouro? Colocando em dúvida a posse do ouro está nada mais, nada menos, que Warren Buffett, que defende as ações e classifica o ouro de um ativo não produtivo. Por que manter ouro, que nunca inova, nunca aumenta as margens de lucro e nunca abre novos mercados? “Se você mantiver uma onça de ouro por uma eternidade, você ainda terá uma onça de ouro no fim desse período”, escreveu Buffett em sua mais recente carta anual aos acionistas.

“Esse tipo de investimento exige um grupo crescente de compradores, que, por sua vez, são atraídos por acreditarem que, comprando, esse grupo vai crescer ainda mais”, disse Buffett. “Os proprietários não são inspirados pelo que o próprio ativo pode produzir – ele continuará sem vida para sempre -, e sim pela crença de que outros o vão desejar mais avidamente no futuro”.

O ouro, observa Buffett corretamente, beneficiou-se primeiro dos negócios motivados pelo medo, estimulados por investidores que temem que os bancos centrais e os governos possam articular uma grande inflação com o objetivo de corroer suas dívidas.

Em segundo lugar, assim como acontece com todos os ativos cujos preços sobem muito, o ouro recebeu um empurrão de compradores de momento, aqueles que jogam seu dinheiro em uma corrida na esperança de sair quando a tendência perder força. Remova esses suportes e o ouro deverá cair, rápida e acentuadamente.

Certamente Buffett está correto sobre a incapacidade do ouro de procriar ou crescer, mas acredito que ele apresenta os negócios movidos pelo medo exageradamente como uma barganha do tipo tudo ou nada. O ouro é um tipo de anti-investimento, uma apólice de seguro contra ações ruins de outras pessoas. É claro que ele não inventa uma coisa nova que o tornará rico, mas também não vai, como alguns executivos de empresas, pagar-se em excesso e mudar os preços de suas opções de ações.

É razoável pensar, dada a sequência recente de indicadores, que outra rodada de afrouxamento quantitativo é menos provável nos Estados Unidos. Isso certamente deverá reduzir o valor corrente do ouro, que, ao contrário das notas do dólar, não pode criar vida pela decisão de um banco central.

Mas é importante lembrar que o impacto do afrouxamento quantitativo não termina se o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) simplesmente não imprimir mais dinheiro. Ainda há o problema de como enxugar o grande volume de liquidez de uma economia em recuperação.

É importante observar que títulos de dívida de longo prazo dos EUA têm sido vendidos com vigor recentemente. Isso poderá ser totalmente benigno, uma vez que pode simplesmente refletir uma perspectiva mais otimista de crescimento, daí uma perspectiva mais normal para a inflação.

No entanto, o investidor ficaria preocupado com o que pode acontecer com as expectativas de inflação se, e quando, esse movimento em direção a taxas maiores for sustentado. Se o Fed atraiu o crescimento para “fora de sua caverna”, ele poderá ter dificuldade para colocar a inflação para dormir. O ouro é o seguro contra isso, embora como a maioria dos seguros é bem provável que ele seja pago, mas mesmo assim tem valor.

“Como proprietário de ouro (e de ações da Berkshire Hathaway) posso afirmar categoricamente que não tenho ouro por achar que o futuro será dominado pela malversação monetária. Tenho porque acho que isso pode acontecer”, escreveu Dylan Grice, estrategista do banco Société Générale em uma nota a clientes.

Uma recuperação econômica, que é apenas uma suposição a esta altura, não resolve o problema do endividamento de longo prazo dos EUA e das economias europeias, muito menos o problema demográfico do Japão. É um pouco cedo para afastar totalmente essas preocupações. Espertamente, Grice também observa que a comparação correta não está entre as ações e o ouro, e sim entre o dinheiro e o ouro.

Certamente Buffett entende o valor de opção do dinheiro. Afinal de contas, ele está sempre pronto para fazer grandes investimentos quando uma companhia que ele admira está passando por necessidades e proporciona a ele um bom preço. O ouro na verdade é simplesmente uma outra forma de dinheiro, embora uma com características de risco diferentes das do dólar, euro ou iene. Assim como o dinheiro, ou as ações, o ouro não é uma proposta do tipo tudo ou nada, e sim uma parte útil de um portfólio. 

Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 9,75% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e dois votos pela redução da taxa Selic em 0,5 p.p.”.

 Com esse lacônico comunicado  o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) surpreendeu uma boa parte dos analistas  que previa um corte de 50 pontos-base na Selic, e reduziu a taxa básica de juro em 75 pontos-base, para 9,75% ao ano. Embora a decisão não tenha sido tomada por unanimidade, os acontecimentos recentes, como o fraco PIB brasileiro de 2011, a desaceleração da economia chinesa, a pressão sobre o câmbio e o arrefecimento do crédito interno já levavam o mercado a não descartar um ajuste mais forte da Selic. O que surpreendeu mesmo foi o comunicado em si que não deixa nenhuma pista sobre a reunião que durou mais de quatro horas (uma das mais longas) e quais serão os próximos passos. Qualquer luz nesse sentido somente poderá ser obtida quando for publicada a ata da reunião. Até lá muita especulação será feita.

Esta é a quinta vez que a taxa básica de juro foi reduzida durante o governo da presidente Dilma Rousseff, chegando ao menor patamar desde abril de 2010, quando registrou 9,5% ao ano. Desde agosto de 2011, a Selic já caiu 275 pontos-base.

Mesmo com esse corte expressivo da taxa básica de juro, o Brasil mantém a vice-liderança no ranking de juros nominais, só perdendo  para a Venezuela, onde a taxa de juros nominal está em 15,55% ao ano.

A redução da taxa básica de juro é parte de uma estratégia adotada pelo governo para proteger a economia doméstica da crise financeira internacional, que ameaça o consumo e o crescimento da indústria local. A projeção do mercado é que a taxa continue recuando nos próximos meses. Ainda são esperados novos cortes de até 0,75 pontos-base nas próximas reuniões, para que a Selic chegue a 9,0% ao ano, patamar em que deve fechar 2012. Só não há consenso de quantas reuniões serão necessárias para atingir esses 0,75 pontos adicionais. Vamos ter que esperar para ver.

Hoje os investidores mantiveram-se retraidos mundo afora. O Ibovespa recuou 2,76%,a mais forte baixa desde outubro de 2011. Na realidade após uma alta de 18% em apenas dois meses os investidores buscavam um motivo para uma realização de lucros mais forte. Tiveram quatro motivos principais: Fraco PIB europeu, que embora esperado confirmou a debilidade da economia da zona do euro e da própria união europeia; fraco PIB brasileiro (apesar do crescimento de 2,7% o Brasil acaba de superar o Reino Unido e se torna a 6a. economia do mundo); os temores de que a Grécia não consiga a adesão necessária para trocar os papeis de sua divida até a próxima 5a. feira compromentendo o programa de ajuda ao país e finalmente a declaração de Wen Jiabao (ministro de finanças da China) informando, ontem, que reduziu para 7,5% a meta de crescimento da economia do país em 2012, após permanecer em torno de 8% por sete anos seguidos.
No entanto, hoje, Zheng Xinli, vice-chefe do subcomitê econômico da Conferência Consultiva Política do Povo da China, um think-tank (centro de estudos) do governo, afirmou que a previsão da taxa de crescimento é mais simbólica do que real e a economia chinesa deve se expandir ao redor de 9% neste ano.
Realizações de lucros após altas tão fortes são consideradas saudáveis para o mercado.
Após a realização de hoje e a declaração de Zhen Xinli é possível que os mercados apresentem alguma recuperação amanhã.