GRÉCIA – A SOLUÇÃO PARA A CRISE PARECE LONGÍNQUA

26 fevereiro. 2012

Foi novamente um gol aos 45 minutos do segundo tempo que salvou a Grécia de um catastrófico calote desordenado e a retirada do país da união monetária europeia. Em maio de 2010 o governo grego, para receber o apoio financeiro de  110 bilhões de euros, concordou em implantar medidas de austeridade que provocaram violentas manifestações sociais. Agora a Grécia concordou com medidas ainda mais draconianas, incluindo uma drástica redução de sua soberania, para receber mais 130 bilhões de euros. Muito embora os mercados financeiros tenham reagido com certo alívio, a verdade é que o ceticismo ainda prevalece em relação ao futuro dos gregos, pois muita água ainda tem que passar embaixo da ponte. O próximo passo importante será obter o perdão formal de 53,5% da dívida grega junto aos credores privados, mediante a troca de títulos de 200 bilhões de euros da dívida atual por outros novos no valor de 93 de bilhões de euros. A austeridade aceita pela Grécia se apoia principalmente em novos cortes de gastos, congelamento de salários e demissões  em massa, cujos resultados obtidos até agora foram pífios. Apertar os controles e dobrar a dose de sacrifícios do povo grego, como pretendem os líderes europeus, não tornarão as coisas mais fáceis. As projeções indicam que, pelo andar da carruagem, a Grécia deve chegar em 2020 com uma dívida ao redor de 160% do PIB, ou seja, praticamente igual aos 164% que representa atualmente. A Grécia é hoje um país que se esfacela dia após dia e o governo grego não tem conseguido fazer sua parte, nem no tocante as demissões (dolorosas, mas indispensáveis), nem em relação às privatizações que deveriam render 19 bilhões de euros até 2015. Em vez de reconhecer que sem medidas de estímulo  a economia grega não conseguirá sair do atoleiro em que se encontra, os líderes europeus optaram por aumentar a pressão institucional sobre o governo de Atenas. O pacote de ajuda ora aprovado é o melhor que esses líderes estão dispostos a oferecer à Grécia. Mesmo assim, se tudo der certo ( e quase tudo tem dado errado) os gregos passarão uma década infernal para ficarem com uma dívida de 120% do PIB do país em 2020, uma relação igual a que a Itália tem hoje. O fantasma de uma falência grega continuará pairando no ar e voltará a assombrar os mercados financeiros, sabe Deus até quando.

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