Foi novamente um gol aos 45 minutos do segundo tempo que salvou a Grécia de um catastrófico calote desordenado e a retirada do país da união monetária europeia. Em maio de 2010 o governo grego, para receber o apoio financeiro de  110 bilhões de euros, concordou em implantar medidas de austeridade que provocaram violentas manifestações sociais. Agora a Grécia concordou com medidas ainda mais draconianas, incluindo uma drástica redução de sua soberania, para receber mais 130 bilhões de euros. Muito embora os mercados financeiros tenham reagido com certo alívio, a verdade é que o ceticismo ainda prevalece em relação ao futuro dos gregos, pois muita água ainda tem que passar embaixo da ponte. O próximo passo importante será obter o perdão formal de 53,5% da dívida grega junto aos credores privados, mediante a troca de títulos de 200 bilhões de euros da dívida atual por outros novos no valor de 93 de bilhões de euros. A austeridade aceita pela Grécia se apoia principalmente em novos cortes de gastos, congelamento de salários e demissões  em massa, cujos resultados obtidos até agora foram pífios. Apertar os controles e dobrar a dose de sacrifícios do povo grego, como pretendem os líderes europeus, não tornarão as coisas mais fáceis. As projeções indicam que, pelo andar da carruagem, a Grécia deve chegar em 2020 com uma dívida ao redor de 160% do PIB, ou seja, praticamente igual aos 164% que representa atualmente. A Grécia é hoje um país que se esfacela dia após dia e o governo grego não tem conseguido fazer sua parte, nem no tocante as demissões (dolorosas, mas indispensáveis), nem em relação às privatizações que deveriam render 19 bilhões de euros até 2015. Em vez de reconhecer que sem medidas de estímulo  a economia grega não conseguirá sair do atoleiro em que se encontra, os líderes europeus optaram por aumentar a pressão institucional sobre o governo de Atenas. O pacote de ajuda ora aprovado é o melhor que esses líderes estão dispostos a oferecer à Grécia. Mesmo assim, se tudo der certo ( e quase tudo tem dado errado) os gregos passarão uma década infernal para ficarem com uma dívida de 120% do PIB do país em 2020, uma relação igual a que a Itália tem hoje. O fantasma de uma falência grega continuará pairando no ar e voltará a assombrar os mercados financeiros, sabe Deus até quando.

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A Vale divulgou o resultado de suas operações no ano de 2011. No ano passado a mineradora lucrou R$ 37,8 bilhões, alta de 25,7% na comparação anual, melhor resultado em toda a história da companhia. Apesar de no quarto trimestre de 2011 a companhia ter visto seus lucros caírem 16,5%, para R$ 8,35 bilhões. A Vale registrou vendas líquidas de R$ 105,5 bilhões, alta de 23,6% em 2011. O volume vendido de minério de ferro e pelotas, principal produto da mineradora, foi o mais elevado na história da Vale, totalizando 303,7 milhões de toneladas, representando 54,6% de toda a receita da companhia em 2011. O continente asiático continuou como o maior destino da minério de ferro da Vale, respondendo por 63,1% de todos os embarques. O Brasil ficou com apenas 11,1% do total. Para Ricardo Flores, presidente do Conselho de Administração da Vale, em 2011, o retorno aos acionistas atingiu o valor recorde de US$ 12 bilhões, comprovando o excelente desempenho e enorme potencial da mineradora. Murilo Ferreira, presidente da Vale, afirmou que o desempenho financeiro foi extraordinário, batendo vários recordes, a despeito do ambiente econômico mundial desafiador.

PETROBRAS : A DECEPÇÃO

11 fevereiro. 2012

Não poderia ser mais melancólica a despedida de José Sérgio Gabrielli da presidência executiva da Petrobras. Sua brincadeira pedindo aos jornalistas: “Não me demitam antes da hora” soou como verdadeiro humor negro. Ele entregou a empresa à sua sucessora em clima de retumbante fracasso, com queda da lucratividade de mais de 56% no trimestre (mesmo após o aumento dos preços dos combustíveis em novembro de 2011) e mais de 5% no ano de 2011. O fato é que a Petrobras teve o pior desempenho entre todas as congêneres. E foi tormentoso ouvir o diretor financeiro Almir Barbassa, como sempre prolixo e confuso em suas explanações, tentando explicar o inexplicável. Bem mais claro e objetivo foi o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, ao declarar: “A presidente Dilma Rousseff prefere que não haja inflação a ter balanços fantásticos”. Na verdade ninguém pleiteava “balanço fantástico” mas, apenas razoável.

Em outras palavras o ministro disse,  auto e bom som, para os investidores, muitos dos quais trabalhadores que optaram por deixar suas economias do FGTS investidas nas ações da Petrobras : “ Danem-se, porque a Petrobras está a serviço do governo.”

O mercado não perdoou e as ações da companhia tiveram uma desvalorização brutal. Em um só pregão a Petrobras perdeu R$ 28 bilhões em seu valor de mercado. Como 52% do capital da empresa pertence a acionistas minoritários, significa que esses investidores arcaram com prejuízos superiores a R$ 15 bilhões em poucas horas.

Pior de tudo é que fica no ar uma enorme interrogação sobre o futuro da empresa. Existem muitos pontos obscuros nas informações divulgadas que nem mesmo experientes analistas conseguiram esclarecer.

A decepção foi geral.