Minha avó dizia que o Diabo tanto enfeitou o olho do filho que acabou furando-o. Mais recentemente Warren Buffet profere que : “quando a maré baixa é que sabemos quem está nadando pelado.”

Ambas as citações são aplicáveis às medidas de risco utilizadas por investidores.

O agravamento da crise da dívida na zona do euro escancarou as divergências entre as principais medidas de risco usadas pelos investidores. As taxas do CDS – derivativo que funciona como espécie de seguro contra calote de um determinado emissor de dívida – de vários países, em especial dos europeus, operam descoladas das avaliações de crédito feitas pelas agências de classificação de risco,  estas em crescente descrédito.

Mas, o que fazer para avaliar o risco de um investimento?

Em tese, como ressalta  matéria recentemente publicada no Valor Econômico, os dois indicadores deveriam andar juntos, uma vez que ambos medem a possibilidade de o emissor de um título de dívida não honrar seus compromissos. Com a crise, porém, o CDS passou a refletir uma ameaça maior de calote do que os ratings aplicados pelas agências de risco (especialmente  Standard & Poor’s,Moodys e Fitch). Países como o Brasil, que possui avaliação “BBB”, são considerados menos arriscados no mercado de CDS do que a França, com classificação “AAA”, a mais alta na escala das agências.

Não há resposta definitiva sobre qual medida é a mais correta. “O rating é fruto da opinião de um grupo de analistas, enquanto o CDS é como se fosse uma avaliação de todo o mercado sobre o risco de um emissor”, compara o economista Raphael Martello, da Tendências Consultoria.

Enquanto os ratings são atribuídos de acordo com uma escala de letras conforme a capacidade de pagamento, o CDS varia seguindo o preço que os investidores estão dispostos a pagar para se proteger de um possível calote.

Ambos os modelos possuem vantagens e desvantagens. Não é de hoje que as agências de rating enfrentam a desconfiança do mercado, mas ela se aprofundou desde 2008, em conseqüência dos problemas com os títulos de hipotecas “subprime” – vários dos quais contavam com rating triplo A. O CDS, contudo, é visto como extremamente suscetível às oscilações de curto prazo, que nem sempre refletem os fundamentos econômicos.

“O CDS é muito mais volátil, enquanto o rating é uma opinião de longo prazo. Por isso, quanto mais volátil é o mercado, maior o descolamento entre o que mostra o CDS e o rating”, diz Rafael Guedes, diretor executivo da agência Fitch Ratings. Ele afirma que o rating e o CDS tendem a convergir, mas que mudanças no rating só acontecem quando muda o cenário-base da agência.

O crescimento das negociações com CDS nos últimos anos tornou o instrumento a principal referência para a avaliação de risco no mercado. Com isso, outros indicadores praticamente caíram em desuso. É o caso do EMBI – sigla para Emerging Markets Bond Index – calculado pelo J.P.Morgan com base no prêmio de uma cesta de títulos soberanos em relação aos papéis do Tesouro americano. Embora o EMBI, que já foi considerado sinônimo de risco país no passado, também sofra influência da ameaça de calote, no CDS essa medida é diretamente negociada pelos investidores, segundo Martello, da Tendências.

Na visão de Mauro Leos, analista de risco soberano da América Latina da agência Moody’s, o CDS é um instrumento importante para investidores que trabalham com curtos intervalos de tempo, como fundos de hedge. Já quem é mais inclinado para o longo prazo, como seguradoras e fundos de pensão, o indicado são as notas de agências de classificação, com maior estabilidade em relação ao CDS.

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BOVESPA – 77.000 PONTOS

11 dezembro. 2011

Os analistas dos dois maiores bancos brasileiros (BRADESCO E ITAUUNIBANCO) refizeram suas analises e apostam que o Ibovespa poderá chegar aos 77.000 pontos em dezembro de 2012. Isso parece bastante factivel especialmente agora quando a União Europeia parece ter encontrado o caminho das pedras para solucionar de vez os problemas de suporte necessários  para blindar as economias dos paises mais sujeitos à crise que assola o continente europeu. Por outro lado dados recentes da economia americana têm saído melhores do que os investidores esperavam, revelando, uma certa robutez do desempenho do país. A menos que novas surpresas ocorram poderemos chegar lá.

Acaba de encerrar-se uma das mais importantes reuniões de governantes dos paises da União Europeia. O resultado final foi considerado bastante positivo pelos analistas e as decisões tomadas influencirão os mercados financeiros de todo o mundo.

De acordo com matéria publicada pela DW-WORLD, a disciplina orçamentária e as punições automáticas para os países deficitários vão valer para os 17 países do euro e mais seis que aderiram ao acordo.

A chanceler alemã, Angela Merkel, deixou claro nesta sexta-feira (09/12) que espera calma nos mercados financeiros e mais confiança na zona do euro depois do compromisso alcançado em Bruxelas.

“Todo mundo pode ver que aprendemos com os erros do passado”, declarou. O fato da Inglaterra (único país discordante) ter impedido um acordo entre todos os 27 países da União Europeia (UE) não é, segundo ela, tão dramático. Para a líder alemã, o mais importante é que agora há regras rígidas e disciplina, e não um acordo de fachada.

O novo acordo para a zona do euro e mais seis países que ainda não adotaram a moeda do bloco deve ser detalhado até o início de março. O contrato deverá estabelecer uma união fiscal, isto é, uma estreita união das políticas orçamentárias dos 23 Estados. Confira a seguir os detalhes do que foi acertado em Bruxelas.

Mecanismo para limitar o endividamento: Todos os signatários se comprometem a implementar limites nacionais de endividamento. Na Constituição ou numa lei nacional similar deve ser determinado que o deficit anual não pode superar 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje esse limite está hoje em 3% na zona do euro. Há uma brecha. O limite pode ser ultrapassado em “circunstâncias excepcionais”, como recessões graves ou desastres naturais. A implementação do limite de endividamento nas leis nacionais deverá ser controlada pela Corte Europeia de Justiça.

Controle orçamentário: Os membros do novo pacto do euro devem submeter seus orçamentos à avaliação da Comissão Europeia antes da aprovação final nos parlamentos nacionais. Em caso de violações das regras de estabilidade, a Comissão Europeia pode fazer restrições aos orçamentos, as quais devem ser respeitadas pelos parlamentos nacionais. A Comissão Europeia ganha, assim, responsabilidades maiores do que possui até o momento.

Punições automáticas: Se a Comissão Europeia detectar violações das regras da união fiscal ou um deficit excessivo, ela inicia um processo por deficit excessivo, que segue etapas definidas, ou seja, corre quase automaticamente. Até agora, um processo por deficit excessivo tinha que ser aprovado pelos ministros das Finanças. No futuro, um processo só pode ser evitado se dois terços dos ministros suspenderem esse automatismo. Esta regra já havia sido definida para a união monetária agora vigente. Quais serão as penalidades, não está decidido ainda.

Os líderes da nova união fiscal deverão se reunir mensalmente para discutir suas políticas fiscais comuns. Isso seria, então, o muito citado “governo econômico”.

Não aos eurobonds :Com o estreitamento da cooperação na área da política orçamentária, os títulos comuns da dívida foram deixados de lado. A Alemanha e outros países de economia vigorosa continuam rejeitando os chamados eurobonds. Essa etapa pode ser alcançada somente no final do desenvolvimento de uma união fiscal, como disse Merkel em junho passado.

O tratado internacional entre os 23 estados para a formação da união fiscal será fechado fora do Tratado de Lisboa. As disposições existentes até agora sobre o procedimento relativo aos deficits excessivos na zona do euro, com seus 17 estados, continuarão valendo​​.

Essa situação pode levar a conflitos jurídicos. A solução encontrada em Bruxelas não é a “mais limpa”, segundo fontes da delegação alemã, mas foi a única saída diante do não do primeiro-ministro britânico, David Cameron. Também a Hungria divulgou que não irá participar em hipótese alguma da união fiscal. Suécia e República Tcheca vão consultar primeiro seus parlamentos nacionais. O novo tratado deve ser ratificado e entrar em vigor até o fim de 2012.

Medidas de curto prazo

A médio e longo prazo, a união fiscal deverá recuperar a confiança dos mercados em títulos da dívida de países da zona do euro. Para acalmar a situação a curto prazo, os líderes europeus concordaram em adotar algumas medidas para “apagar incêndios”:

Fundo especial no FMI: nos próximos dez dias, os Estados da zona do euro devem decidir sobre a transferência de 200 bilhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington. O dinheiro deverá ser encaminhado, como um empréstimo sob condições rigorosas, para Estados endividados, como a Itália. Ainda não foi decidido de onde sairá o dinheiro para esse fundo. Uma das opções era que ele viria dos bancos centrais, que, por sua vez, poderiam obter o dinheiro do Banco Central Europeu (BCE). Mas o presidente da instituição, Mario Draghi, rejeitou essa hipótese nesta quinta-feira.

Mecanismo Europeu de Estabilidade: O fundo de emergência permanente Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (MEEF) deverá entrar em vigor um ano antes do previsto anteriormente, ou seja, em meados de 2012. Ele deve ser munido de capital próprio mais cedo que o planejado pelos orçamentos nacionais, recebendo 500 bilhões de euros. A ampliação do fundo deve prosseguir por vários anos. O MEEF não receberá uma licença para operar como banco, ou seja, não poderá pedir dinheiro emprestado ao Banco Central Europeu. As decisões sobre que países receberão empréstimos do MEEF não serão mais por unanimidade, mas por uma maioria de 85% dos detentores de parcelas do capital, evitando um bloqueio por parte de Estados menores. Mas, por essa regra, a Alemanha teria praticamente um poder de veto.

Sem participação dos credores privados: A participação de credores privados no reescalonamento de dívidas de Estados ou em parcelas de dívidas será abandonado. Este é um sinal claro aos mercados financeiros, que, assim, em princípio, não correm riscos adicionais ao comprarem títulos de governos da Europa. Depois de bancos privados terem sido convocados para participar do perdão da dívida grega, os investidores privados fugiram de títulos do governo europeu. Portanto, a Grécia deverá ficar como um caso isolado. Merkel foi uma grande defensora da participação dos credores privados. Mas ela já admite agora que isso foi um erro.

A estratégia de utilização de super navios para o transporte de minério de ferro até a China foi colocada em risco após os problemas com o navio atracado no Maranhão. Segundo os analistas, os super navios seriam utilizados para reduzir os custos de transporte marítimo da Vale, mas o que tem acontecido na prática é diferente. Dos 35 cargueiros encomendados, a empresa possui 6 em circulação, sem no entanto, conseguir autorização para atracar em portos chineses. Com o problema no Maranhão cerca de 750 mil toneladas de minério de ferro deixaram de ser embarcados para a China. Agora o governo do Maranhão quer que o navio com problemas seja levado para outro local para reparos, pois mesmo com a pequena probabilidade de que a embarcação afunde, se isto acontecer poderia colocar em risco as operações de todo o porto no Maranhão. A Vale está irredutível em relação aos planos de novos cargueiros e afirma que os embarques no porto já estão normalizados.

Os atores principais do drama europeu, Angela Merkel, chanceler da Alemanha e Nicolas Sarkozy, presidente de França, tem mais um incentivo para forçar um novo tratado na Zona do Euro: a agência de classificação de risco Standard & Poor’s afirmou,  que colocou em revisão o rating (nota de crédito) de 15 países europeus, inclusive o da Alemanha e França, que podem perder a nota máxima de crédito AAA. Os mercados acionários asiáticos fecharam em baixa, mas os europeus, americano e brasileiro, não deram muito valor a essa declaração. Parece que os investidores estão ficando anestesiados contra a S&P.