Com a crise de confiança que afeta grande parte dos países da Europa, o que se tem notado é uma forte migração de investidores direcionando suas aplicações para títulos da divida da Alemanha. Com isso houve uma redução na taxa de juros paga pelo governo alemão nos últimos dois anos. Esse movimento gerou um circulo virtuoso para a Alemanha e propiciou ao país um ganho estimado em 20 bilhões de euros. Enquanto Grécia, Itália, Portugal, Irlanda e Espanha têm grande dificuldade de financiar suas dívidas, pagando taxas de juros cada vez maiores, e não sabem exatamente como farão para honrar seus compromissos financeiros que vencerão em 2012, a Alemanha reduz cada vez mais seus encargos na colocação de seus títulos, num mercado ávido por segurança. A demanda cada vez maior por papeis alemães foi gerada tanto pela crise financeira como pela crise do euro. Investidores migraram de ações,  de papeis de alta rentabilidade e de títulos soberanos da zona do euro, para os títulos mais seguros da Alemanha. Com isso , em média, a taxa paga pelo tesouro alemão caiu mais de 4,5% em 2008 para 2% em 2011. Esse cenário foi regra durante meses, salvo na 5ª. feira passada, quando a Alemanha teve sua primeira dificuldade em colocar no mercado os 6 bilhões de euros em títulos como pretendia. No mercado, o fato marcou o fim de uma época e a constatação de que a crise pode ter chegado finalmente à Alemanha também. Mas de qualquer forma os alemães já ganharam bastante com a crise. Isso pode explicar porque Angela Merkel tem se oposto com unhas e dentes a permitir usar o Banco Central Europeu para ajudar os países da periferia européia e reduzir a tensão no mercado. A verdade é que manter o mercado nervoso permite que a Alemanha financie sua divida, que representa quase 90% do PIB, aos menores custos desde a criação do euro, de onde se pode depreender o que é muito ruim para muitos pode ser muito bom para poucos.

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De acordo com notícia divulgada pelo jornal Valor Econômico, o comissário europeu responsável pelos serviços financeiros, Michel Barnier, classificou nesta sexta-feira de “grave incidente” a divulgação errônea pela agência de classificação Standard & Poor´s de uma mensagem anunciando a diminuição da nota da dívida da França.

“Este incidente é grave e demonstra que, na atual situação extremamente volátil e tensa dos mercados, os atores destes mercados devem dar provas de rigor e de um alto senso de responsabilidade”, indicou em uma declaração.

“É ainda mais importante quando se trata (…) de uma das três grandes agências de classificação, que, por esta razão, tem uma responsabilidade particular”, acrescentou.

Corresponderá à autoridade europeia de vigilância de agências de classificação (ESMA), em coordenação com a Autoridade dos Mercados da França (AMF), “avaliar” o caso e “extrair as consequências”, disse Barnier.

A Standard and Poor’s (SP) reconheceu na quinta-feira em um comunicado que havia difundido por erro a alguns de seus assinantes uma “mensagem” que anunciava a degradação da nota da França, que até agora possui o triplo A, a maior.

“Devido a um erro técnico, foi divulgada automaticamente uma mensagem a alguns assinantes ao portal da S&P Global Crédit indicando que a nota de crédito da França havia mudado”, indica o comunicado da agência.

“Não é o caso: a nota da República francesa segue sem mudanças em AAA, com perspectiva estável, e este incidente não está ligado a nenhuma atividade de vigilância da nota”, acrescentou a agência.

Depois do grande sobressalto provocado por declarações marcadas pelas ambições políticas do Sr. George Papandreou, os investidores de todo mundo respiraram aliviados com a decisão do governo da Grécia de desistir do propalado referendo sobre a ajuda que o país deve receber dos organismos internacionais e que levará a implementação de medidas de grande austeridade fiscal.

Também agradou os investidores a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de reduzir em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros na região, para 1,25% ao ano, marcando uma nova postura do banco.

Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou em alta de 1,76%, aos 12.044 pontos; o Nasdaq subiu 2,20%, para 2.698 pontos; e o S&P 500 avançou 1,88%, para 1.261 pontos.

Os desdobramentos da reunião de líderes do G-20, em Cannes, também foram observados de perto. As discussões, como sempre, se concentraram na Grécia. Os líderes do G-20 também pretendem pedir ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que crie uma nova linha de crédito de curto prazo, que será disponibilizada aos países com “fortes fundamentos e políticas”, mas que foram atingidos por choques externos. As bolsas europeias fecharam antes que os rumores de que a Grécia desistiu do referendo se confirmassem, mas as bolsas fecharam em alta, influenciadas também pela queda na taxa de juros anunciada pelo BCE.

Em Londres, o índice FTSE 100 subiu 1,12%, para 5.545 pontos; em Paris, o CAC 40 avançou 2,73%, para 3.195 pontos; e em Frankfurt, o DAX registrou alta de 2,81%, para 6.133 pontos.