O The Wall Street Journal publicou um interessante artigo, escrito por Maxwell Murphy, sobre o tema, o qual foi também reproduzido pelo Valor Economico.

Muitas grandes empresas têm recorrido às recompras de ações como uma maneira de elevar o retorno aos acionistas e satisfazer investidores ativistas, mas os resultados comumente decepcionam.

Inclusive no Brasil, períodos de queda nas bolsas são cada vez mais acompanhados de anúncios de recompra de ações, com o correspondente debate sobre a utilidade e a efetividade dessa manobra.

Em teoria, as recompras não apenas retornam dinheiro para os acionistas que vendem as ações de volta para a companhia, como também recompensam aqueles que as mantêm, ao reduzir o total de ações em circulação, o que consequentemente aumenta o valor relativo do investimento.

Mas as coisas nem sempre funcionam assim, por razões que podem ser simples como um “timing” ruim. Neste ano, as 30 companhias que integram a Média Industrial Dow Jones gastaram, até 7 de agosto, um total de aproximadamente US$ 70,6 bilhões para recomprar ações que valiam US$ 65,3 bilhões. Isso é equivalente a uma perda de 7,5% no investimento, o que supera o declínio de 3,9% da Dow Jones no mesmo período.

Desde o começo de 2007, ano que marcou o pico das operações de recompra, até 7 de outubro, o mesmo grupo de empresas gastou cerca de US$ 614,2 bilhões recomprando ações que valiam no fim da primeira semana de outubro US$ 590,8 bilhões. Ainda que a baixa de 3,8% seja menor que a queda de 10,8% da Dow Jones no mesmo período, não deixa de ser um retorno negativo.

Alguns especialistas em finanças corporativas argumentam que as empresas só deveriam recorrer a recompras raramente, quando muito, porque o dinheiro pode quase sempre ser melhor usado para fazer aquisições ou injetado novamente para financiar a expansão do próprio negócio.

“Acho difícil de acreditar que não seja possível gerar mais valor para os acionistas por meio de aquisições estratégicas ou empregando o capital no crescimento da empresa ou na melhoria de projetos, em vez de apenas recomprar ações”, diz o diretor financeiro de uma das empresas que integram o índice Dow Jones.

Mas tanto os defensores quanto os céticos concordam que há recompras eficientes e ineficientes, e que essas últimas podem destruir, em vez de criar, valor para os acionistas.

Recompras podem funcionar quando as empresas não pagam muito caro pelos papéis e quando reduzem de forma relevante o número de ações em circulação. Mas encontrar o momento correto de realizar a operação pode ser difícil. Quando as empresas estão com excesso de caixa, como é o caso de muitas americanas atualmente, as ações podem registrar picos de curto prazo. Por outro lado, as ações comumente atingem um piso quando as empresas estão sem caixa e tentam controlar os gastos.

O caso da International Business Machine Corp. mostra como recompras podem ser benéficas tanto para a empresa quanto para seus investidores. Desde o fim de 2006, de acordo com documentos apresentados às autoridades de mercado, a IBM recomprou US$ 60,3 bilhões em ações que valeriam a mais de US$ 91 bilhões hoje. Mais de 60% das 504 milhões de ações recompradas permaneceram fora do capital social; o que significa que elas não foram recolocadas no mercado, por exemplo, em pacotes de remuneração de executivos que incluem pagamento baseado em ações.

Como consequência disso, entre outros fatores, o total de ações em circulação da IBM recuou 20% nesse período, ao mesmo tempo em que o preço do papel quase dobrou. Enquanto a companhia elevou seu dividendo por ação em 150%, o desembolso total com dividendos aumentou apenas 100%.

“Ao longo da última década, investimos cerca de US$ 70 bilhões em despesas de capital e aquisições (de 116 empresas) e quase US$ 60 bilhões em pesquisa e desenvolvimento voltados para áreas identificadas como de alto valor”, disse um porta-voz da IBM em uma nota. “Nós retornamos US$ 89 bilhões para nossos acionistas com recompras de ações e, no fim de 2010, nosso dividendo trimestral era cinco vezes maior do que em 2000.”

Apesar desse tipo de resultado positivo, Gregory Milano, diretor-presidente da Fortuna Advisory LLC, firma de consultoria corporativa de Nova York, diz que o “primeiro problema [com a recompra] é um erro de pensamento estratégico”. Milano é crítico em relação à maioria dessas operações, que ele diz que normalmente geram baixa rentabilidade.

Sua fórmula para calcular o retorno anual do investimento de uma recompra pesa a média do preço pago pelas ações, a cotação atual e o dinheiro economizado com dividendos por conta da redução da quantidade de papéis em circulação. Segundo esse critério, as empresas da Média Industrial Dow Jones que tiveram maior retorno com essas operações desde 2007 são IBM e McDonald’s, com índices de 19,4% e 19,1%, respectivamente.

O pior desempenho – excluindo Bank of America Corp., que não compra seus próprios papéis desde 2007 e precisaria de autorização regulatória fazê-lo, e Alcoa Inc., que interrompeu a prática no fim de 2008 para se “focar no caixa”, em meio à recessão – foi da Hewlett-Packard Co., com retorno negativo de 23,3% nas recompras.

A HP gastou cerca de US$ 45 bilhões recomprando mais de um bilhão de ações desde 2007. Embora o preço médio de compra seja bem maior que a cotação atual, a companhia reduziu o total de papéis em circulação em mais de 25%.

Mesmo assim, isso não ajudou a ação, cujo preço tem sido corroído por anos de mudanças seguidas no alto comando, erros corporativos e fraco desempenho.

Meg Whitman, nova diretora-presidente da HP, disse em setembro que “as prioridades de longo prazo para alocação de capital da companhia continuam sendo […] investir no negócio, recomprar ações e pagar dividendos”.

Ela reiterou o posicionamento da HP de que um programa de recompra mais moderado seria necessário no curto prazo com o objetivo de se “reconstruir o balanço patrimonial” da empresa. Mas ela acrescentou que a HP está “comprometida a, no mínimo, evitar totalmente a diluição” do valor aos acionistas resultante de emissões ligadas a programas de remuneração de executivos.

Para desenhar uma recompra eficiente, é importante que as empresas sejam claras sobre seus motivos e objetivos. Assim, tanto executivos como investidores podem julgar melhor o sucesso ou fracasso do programa.

 

 

O COPOM ( Comitê de Política Monetária do Banco Central) reduziu pela segunda vez consecutiva a taxa básica de juros da economia brasileira, a taxa Selic, em meio ponto percentual, para 11,5% ao ano. Segundo o Banco Central, a decisão foi unânime. O Banco Central cuidou para acalmar o mercado em relação à inflação ao reduzir a taxa. Em comunicado, o BC afirma que a queda da Selic é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta de 4,5% ao ano em 2012, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A queda de 0,5% na Selic não surpreendeu os analistas, que já esperavam a decisão do Banco Central através dos sinais emitidos desde a última reunião, ocorrida em agosto. Na bolsa de valores, os analistas concordam que as maiores beneficiadas com o corte são as construtoras. Ontem as ações da Gafisa (GFSA3), Cyrela (CYRE3), MRV Engenharia (MRVE3) e Brookfield (BISA3) registraram fortes valorizações, com os investidores já a ntecipando o movimento do BC. Segundo os economistas, com menores taxas de juros, os potenciais compradores de imóveis sentem mais confiança em financiar a casa própria a longo prazo.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmaram neste final de semana que irão aprovar medidas para resguardar a saúde financeira do setor bancário europeu. Os dois líderes europeus apresentarão até o final de outubro um plano para evitar uma crise de confiança generalizada na capacidade dos países da Zona do Euro enfrentar os problemas econômicos que afligem a Europa. Para os analistas uma nova rodada de investimentos em bancos e a conclusão do resgate da Grécia estarão contemplados nas discussões em pauta. As bolsas de valores mundiais reagiram com euforia  às declarações dos dois dirigentes europeus. Na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos os mercados financeiros fecharam com expressivas altas, o mesmo acontecendo com o Ibovespa.

A RELATIVIDADE NA ECONOMIA

08 outubro. 2011

Só mesmo um gênio da humanidade como Albert Einstein para explicar a relatividade na economia mundial e extrair das explicações um sentido lógico para o comportamento dos agentes financeiros. Senão vejamos:

Como é que um país como a Grécia, cuja população total é menor que o número de desempregados nos Estados Unidos, e cujo PIB de US$ 340 bilhões representa menos de 2%           do grupo econômico ao qual pertence (países da zona do euro), pode representar tanto risco à economia mundial e causar tanto estrago pelo mundo afora, com o já vem acontecendo há meses, desestabilizando o sistema financeiro internacional, sem que os governos encontrem uma forma de solucionar o problema de uma vez por todas?

Como é que as agências de classificação de riscos, que se atribuíram o direito e a competência para estabelecer notas de classificação para empresas, bancos e até mesmo países, conseguiram convencer instituições no mundo inteiro a adotar cegamente suas classificações para decidirem como e onde aplicarem seus recursos financeiros?

Como é que essas mesmas agências, que desgraçadamente falharam em suas análises atribuindo notas máximas de garantia (AAA) a instituições que emprestavam dinheiro mediante juros até 10 vezes superiores às taxas praticadas no mercado e aceitando como garantia até a  4ª., 5ª.  e por vezes a 6ª.  hipoteca de um mesmo imóvel, levando o mundo à mais grave crise da história em 2008, agora se apregoam como arautos das advertências e elevam o tom para anunciar com estardalhaço, em sentido contrário ao que fizeram antes, o rebaixamento de suas notas de forma indiscriminada e inconseqüente?

Como é que se pode admitir que as instituições que seguiram a cartilha dessas agências, a rigor não possam mais aplicar seus recursos em títulos do governo americano, por exemplo, por que foram rebaixados e não ostentam mais o estatus AAA?

Respondendo essas questões os economistas de plantão alegam que tudo é uma questão de expectativas. Mas o certo é que as expectativas estão exacerbadamente pessimistas e seguindo rigorosamente a lei de Murphy, segundo a qual nada está tão ruim que não possa piorar.  Por isso é que eu acho que somente Einstein mesmo, do alto de sua genialidade, poderia explicar como é que pode.

O ex-presidente do Banco Central do Brasil e sócio da Tendências Consultoria, Gustavo Loyola, escreveu para o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, um artigo publicado hoje (1/10/2011) , sob o mesmo título, através do qual faz uma análise clara, objetiva, didática e suscinta da atual crise pela qual vêm passando os paises da zona do Euro. No artigo é feita uma avaliação dos mais prováveis desfechos da crise e dos efeitos que poderiam advir para o Brasil. Reputo esta, como uma das melhores análises que tive oportunidade de ler sobre esse assunto,  e como concordo inteiramente com o autor,  tomei a decisão de  reproduzi-la neste meu blog. Escreveu Gustavo Loyola :

 ” Fazer qualquer previsão sobre o desenlace da crise europeia não é tarefa fácil. Há diversas variáveisem jogo e não pode ser descartada a possibilidade de acidentes de percurso. Mas é possível traçar dois cenários para o problema europeu. No primeiro, o default se circunscreve à Grécia e a Comunidade Europeia consegue isolar os demais países e os sistemas bancários nacionais dos efeitos negativos do calote grego. No cenário alternativo, há default por parte de outros países, com fortes repercussões sobre os bancos europeus, principalmente se Itália e/ou Espanha forem atingidas.

Para que o primeiro cenário se materialize, é necessária a reestruturação ordenada da dívida da Grécia, com vistas a pôr seu endividamento numa trajetória sustentável, ao mesmo tempo que haveria a recapitalização dos bancos afetados. Para os demais países com dificuldades – Portugal, Irlanda, Espanha e Itália -, mas que ainda são solventes, haveria abundantes recursos comunitários para assegurar a liquidez necessária para rolar sua dívida, por meio do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF). Neste caso se estaria aplicando a recomendação de Walter Bagehot no seu célebre livro Lombard Street, segundo a qual é necessário prover liquidez ilimitada aos bancos solventes numa situação de crise financeira. O EFSF serviria de emprestador de última instância, cumprindo um papel que o Banco Central Europeu teria dificuldades estatutárias e conceituais para executar. Apesar das dificuldades políticas e técnicas de implementação das medidas, este é o cenário mais provável, até porque as alternativas são bem mais custosas.

De todo modo, não se deve descartar a possibilidade do cenário alternativo, em que haveria uma crise financeira de grande intensidade, causada pelo default desordenado de países soberanos. Este cenário derivaria da impossibilidade de os países europeus agirem tempestivamente, principalmente em razão de obstáculos políticos. Os líderes europeus seriam atropelados pelos mercados, gerando uma crise financeira aberta, cujo tratamento se daria por medidas isoladas dos países, com baixo grau de coordenação entre eles.

As consequências para o Brasil seriam bem distintas dependendo da ocorrência de cada um desses cenários. No primeiro caso, os efeitos sobre nossa economia se dariam primordialmente pelo canal de comércio, fruto de menor taxa de crescimento da economia mundial. Trata-se de cenário moderadamente desinflacionário que afetaria o crescimento do PIB, mas sem afastá-lo substancialmente de sua trajetória potencial. Neste caso, as preocupações domésticas do Banco Central (BC) estariam ainda mais focadas na inflação, pois a demanda continuaria relativamente aquecida e a inflação de serviços seguiria mostrando forte rigidez para baixo. Não ocorreria o cenário de crise aventado pelo Copom na última ata.

Por sua vez, no cenário de default desordenado, as consequências sobre a economia brasileira tenderiam a se assemelhar aos fatos observados em setembro de 2008, quando da quebra do Lehman Brothers. A propagação da crise para o Brasil viria fundamentalmente da retração da liquidez internacional, com efeitos sobre o crédito doméstico e sobre a confiança dos agentes econômicos. Neste caso, o cenário pessimista do BC se materializaria e estaria justificado o afrouxamento monetário preventivo. Novas ações da autoridade monetária, seja de baixa de juros ou de liberação de recolhimentos compulsórios, deveriam se seguir. Nesta hipótese, o ideal seria um “mix” de política econômica com emprego mais intensivo da política monetária e menor uso da política fiscal, diferentemente do observado em 2008-2009.

Embora neste último caso os efeitos sobre a economia brasileira sejam importantes, os fundamentos macroeconômicos e os instrumentos de política disponíveis dão razoável conforto de que os efeitos da crise serão passageiros, a exemplo do ocorrido em 2009. Em suma, mesmo num cenário mais difícil, não há motivos para pessimismo em relação ao Brasil, exceto se cometidas barbeiragens na condução da política econômica.”