Por que a bolsa brasileira cai mais do que as outras?

27 setembro. 2011

Tenho sido indagado com certa freqüência para esclarecer os possíveis motivos pelos quais a BOVESPA tem apresentado, neste ano, performance bastante inferior às Bolsas de Valores dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia. O Brasil, se não é uma ilha isolada e imune às dificuldades que atormentam o mundo na atualidade, está, sem dúvida, com sua economia bem ordenada, com perspectivas de crescimento para este e para os próximos anos, com nível de emprego muito satisfatório, que garante um mercado interno robusto e afasta qualquer possibilidade de recessão. Por outro lado os Estados Unidos têm enfrentado sérios problemas econômicos ao longo deste ano. O desemprego está com índices bastante elevados, o Presidente Obama encontrou enormes dificuldades para conseguir a aprovação do Congresso para aumentar o teto da dívida pública, o país teve, por conta dessa dificuldade, a classificação de risco dos seus títulos soberanos rebaixada pela primeira vez na história, pela agência Standard & Poor’s e a atividade econômica está enfraquecida. Estes são alguns dos problemas enfrentados pelos norte-americanos. A Europa passa por um processo delicado, com os países da zona do Euro enfrentado muitas incertezas provenientes da dívida fiscal de países como a Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália. Na Ásia, embora a China continue apresentando taxas elevadas de crescimento, o Japão (principal economia da região e a terceira maior do mundo) também enfrenta grandes problemas de recessão e emprego, além da superação das dificuldades causadas pelas catástrofes naturais que abalaram esse país no inicio do ano.

Apesar das diferenças de cenários contraditoriamente, o Ibovespa (principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo) acumula uma queda superior a 23% neste ano, enquanto o Dow Jones (índice que reúne as 30 ações mais negociadas da Bolsa de Nova York) caiu 7% no mesmo período. As Bolsas européias (DAX –Alemanha, CAC 40-Paris, FTSE 100-Londres, Itália, Espanha e Portugal), e o NIKKEI-225 de Tóquio, apesar de acumularem quedas maiores do que nos EUA, apresentam  perdas menores do que as verificadas no mercado brasileiro. Ainda nesta 3a.feira, as bolsa da Europa e dos Estados Unidos apresentaram fortes altas, algumas acima de 5% e o Ibovespa fechou praticamente estável. Mas afinal por que a BOVESPA sofre mais do que os mercados internacionais.

Na opinião de analistas, um dos motivos para o Ibovespa estar com um desempenho pior do que as outras Bolsas é que o mercado brasileiro já começou 2011 de forma conturbada, com as ações da Petrobras (que detém a segunda maior participação no Ibovespa) bastante penalizadas em decorrência do processo de capitalização da companhia ocorrido no final de 2010 e de episódios de ingerência do governo no comando da estatal, principalmente na determinação do preço dos combustíveis, com vistas ao controle da inflação.

Outra empresa com grande peso no Ibovespa e que sofreu no início do ano, afetando também o índice de uma maneira geral, foi a Vale. As ações dessa empresa foram penalizadas por problemas em relação a troca de seu presidente executivo, que também teve forte influência do governo.

Assim, segundo os analistas, a Bolsa brasileira já começou o ano em desvantagem em relação aos outros mercados mundiais. Antes dos problemas lá fora se agravarem, a nossa bolsa já caia 10%, enquanto nos EUA o Dow Jones subia 10%.

Outro fator que faz com que a bolsa brasileira esteja pior do que outros mercados mundiais é a forte dependência do nosso mercado em relação às commodities (matérias primas, como celulose, petróleo e minério de ferro), que correspondem ao “core business” de grandes empresas listadas na bolsa brasileira.

Os analistas concordam ainda que, em momentos de crise, apesar de não estarem diretamente envolvidas nos problemas, as economias em desenvolvimento acabam sendo mais penalizadas. Os mercados emergentes sofrem mais, porque ainda representam incertezas para os investidores. São eles que sentem com maior força o impacto da aversão ao risco, num movimento dos investidores conhecido como “fly to quality” ou seja em momentos de crise, muitos investidores fogem para países mais seguros, especialmente para os Estados Unidos.

Outra questão diz respeito ao volume negociado na Bolsa brasileira. Num mercado com volumes estreitos a volatilidade tende a ser maior. A Bolsa brasileira ainda tem um volume de negócios muito menor do que Bolsas norte-americanas e por isso sofre mais com a volatilidade. Finalmente deve ser considerado o fato de que o Brasil continua mantendo o recorde de taxas de juros, o que leva os investidores a aplicarem a maior parte de seus recursos em renda fixa.

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