De acordo com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, as bolsas de valores mundiais perderam aproximadamente US$ 10 trilhões desde junho. Esse montante corresponde a praticamente cinco vezes o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2010. Alexandre Tombini disse, entretanto, que a crise irá facilitar o controle da inflação por parte do Banco Central. Segundo ele a inflação deverá voltar para o centro da meta de 4,5% ao ano, durante 2012.  O presidente  do Banco Central  disse  acreditar  na continuação da volatilidade da taxa de câmbio, mas está pronto para tomar novas medidas contra a desvalorização excessiva do Real.

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Tenho sido indagado com certa freqüência para esclarecer os possíveis motivos pelos quais a BOVESPA tem apresentado, neste ano, performance bastante inferior às Bolsas de Valores dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia. O Brasil, se não é uma ilha isolada e imune às dificuldades que atormentam o mundo na atualidade, está, sem dúvida, com sua economia bem ordenada, com perspectivas de crescimento para este e para os próximos anos, com nível de emprego muito satisfatório, que garante um mercado interno robusto e afasta qualquer possibilidade de recessão. Por outro lado os Estados Unidos têm enfrentado sérios problemas econômicos ao longo deste ano. O desemprego está com índices bastante elevados, o Presidente Obama encontrou enormes dificuldades para conseguir a aprovação do Congresso para aumentar o teto da dívida pública, o país teve, por conta dessa dificuldade, a classificação de risco dos seus títulos soberanos rebaixada pela primeira vez na história, pela agência Standard & Poor’s e a atividade econômica está enfraquecida. Estes são alguns dos problemas enfrentados pelos norte-americanos. A Europa passa por um processo delicado, com os países da zona do Euro enfrentado muitas incertezas provenientes da dívida fiscal de países como a Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália. Na Ásia, embora a China continue apresentando taxas elevadas de crescimento, o Japão (principal economia da região e a terceira maior do mundo) também enfrenta grandes problemas de recessão e emprego, além da superação das dificuldades causadas pelas catástrofes naturais que abalaram esse país no inicio do ano.

Apesar das diferenças de cenários contraditoriamente, o Ibovespa (principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo) acumula uma queda superior a 23% neste ano, enquanto o Dow Jones (índice que reúne as 30 ações mais negociadas da Bolsa de Nova York) caiu 7% no mesmo período. As Bolsas européias (DAX –Alemanha, CAC 40-Paris, FTSE 100-Londres, Itália, Espanha e Portugal), e o NIKKEI-225 de Tóquio, apesar de acumularem quedas maiores do que nos EUA, apresentam  perdas menores do que as verificadas no mercado brasileiro. Ainda nesta 3a.feira, as bolsa da Europa e dos Estados Unidos apresentaram fortes altas, algumas acima de 5% e o Ibovespa fechou praticamente estável. Mas afinal por que a BOVESPA sofre mais do que os mercados internacionais.

Na opinião de analistas, um dos motivos para o Ibovespa estar com um desempenho pior do que as outras Bolsas é que o mercado brasileiro já começou 2011 de forma conturbada, com as ações da Petrobras (que detém a segunda maior participação no Ibovespa) bastante penalizadas em decorrência do processo de capitalização da companhia ocorrido no final de 2010 e de episódios de ingerência do governo no comando da estatal, principalmente na determinação do preço dos combustíveis, com vistas ao controle da inflação.

Outra empresa com grande peso no Ibovespa e que sofreu no início do ano, afetando também o índice de uma maneira geral, foi a Vale. As ações dessa empresa foram penalizadas por problemas em relação a troca de seu presidente executivo, que também teve forte influência do governo.

Assim, segundo os analistas, a Bolsa brasileira já começou o ano em desvantagem em relação aos outros mercados mundiais. Antes dos problemas lá fora se agravarem, a nossa bolsa já caia 10%, enquanto nos EUA o Dow Jones subia 10%.

Outro fator que faz com que a bolsa brasileira esteja pior do que outros mercados mundiais é a forte dependência do nosso mercado em relação às commodities (matérias primas, como celulose, petróleo e minério de ferro), que correspondem ao “core business” de grandes empresas listadas na bolsa brasileira.

Os analistas concordam ainda que, em momentos de crise, apesar de não estarem diretamente envolvidas nos problemas, as economias em desenvolvimento acabam sendo mais penalizadas. Os mercados emergentes sofrem mais, porque ainda representam incertezas para os investidores. São eles que sentem com maior força o impacto da aversão ao risco, num movimento dos investidores conhecido como “fly to quality” ou seja em momentos de crise, muitos investidores fogem para países mais seguros, especialmente para os Estados Unidos.

Outra questão diz respeito ao volume negociado na Bolsa brasileira. Num mercado com volumes estreitos a volatilidade tende a ser maior. A Bolsa brasileira ainda tem um volume de negócios muito menor do que Bolsas norte-americanas e por isso sofre mais com a volatilidade. Finalmente deve ser considerado o fato de que o Brasil continua mantendo o recorde de taxas de juros, o que leva os investidores a aplicarem a maior parte de seus recursos em renda fixa.

O dólar vem apresentando valorizações neste mês que hoje superou 21%. Nessas condições os investidores indagam quais das empresas listadas na Bolsa podem se beneficiar com essa alta da moeda americana. Os analistas acreditam que as empresas voltadas à exportação ou aquelas que competem com produtos importados, para vendas no mercado nacional serão as principais beneficiadas. Os analistas citam as ações de exportadoras como Fibria (FIBR3), Embraer (EMBR3), Vale (VALE3 e VALE5) e as siderúrgicas como Usiminas (USIM3 e USIM5), Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) e Gerdau (GGBR4) pelo potencial competitivo com a alta do dólar. No entanto, esses analistas alertam para as incertezas que rondam o mundo devem continuar nas próximas semanas. O Federal Reserve, banco central dos EUA, decidiu ontem que em vez de injetar dinheiro na economia dos EUA, como havia feito nas duas últimas reuniões, irá comprar US$ 400 bilhões em títulos do governo norte-americano com vencimentos até 30 anos, enquanto vende a mesma quantidade em títulos com vencimentos mais curtos. O objetivo dessa operação batizada de “Twist”, é o de reduzir a taxa de juros dos títulos norte-americanos de longo prazo  com o objetivo de baratear  o custo de aquisição de bens de maior valor financiados para o consumidor, especialmente imóveis.  No entanto, o impacto negativo nas bolsas de valores internacionais após o anúncio do FED, mostra que os investidores esperavam por mais.

 

 Uma entrevista disponibilizada pelo InfoMoney, com Paulo Portinho,  gerente-geral do INI (Instituto Nacional de Investidores),   e o analista da Futura Investimentos, Adriano Moreno, aborda com bastante propriedade e clareza aspectos relacionados com as dúvidas do investidor comum quando tem que decidir sobre a venda de ações que estejam em seu portfólio. Saber o momento certo de vender uma ação é sem dúvida um grande desafio para todos aqueles que operam no mercado de renda variável. Se o papel está em alta, as maiores dúvidas costumam ser: será que ele vai continuar subindo? É melhor vender agora ou esperar ainda mais valorização? E se ele começar a cair? O mesmo acontece quando o papel está em queda, com a diferença que, neste caso, o investidor costuma ficar ainda mais ansioso e propenso a cometer erros.Em primeiro lugar, é importante lembrar que existem dois tipos de análises mais usadas para embasar as decisões de compra e venda de um determinado ativo: a análise técnica (que observa o desempenho da ação por meio dos gráficos) e a análise fundamentalista (que se preocupa com os números da empresa e observa principalmente os balanços e projeções da companhia).

Analise fundamentalista

Para aqueles que usam a análise fundamentalista, existem dois momentos principais para se optar pela venda de uma ação. Em primeiro lugar, o investidor pode vender quando a ação sobe muito e não existe nenhum fundamento que explique uma alta tão elevada do preço daqueles papéis. Às vezes, você vê que a ação está subindo muito e não há nenhuma explicação para isso. Uma especulação de mercado pode ter feito com que ela disparasse, por exemplo. Este pode ser um bom momento para vender. Quem investe no longo prazo deve conhecer a dinâmica de preços da ação e os fundamentos da  empresa. Às vezes, o preço descola um pouco dos fundamentos e pode ser uma boa oportunidade de vender.

Ir atrás de outra oportunidade

Outro momento para a venda de uma ação é quando existe um outro papel que apresenta oportunidades muito melhores do que aquele no qual você está comprado. Neste caso, se existe uma ação que tem muito mais chance de subir, você também pode mudar seu investimento para aquela empresa.

Mercado em alta

Outro bom momento para vender é quando o mercado está excessivamente otimista. Quando a bolsa bate recordes atrás de recordes de alta, quando cresce o número de investidores, pode ser uma boa hora para se desfazer do papel, sempre com base nos fundamentos e olhando o potencial de valorização.

Vender na baixa

Mais difícil do que saber a hora de vender uma ação com lucro, é decidir vendê-la com prejuízo. No caso de uma ação que está caindo, o mais importante é que o investidor esqueça o passado e se preocupe se aquele papel tem potencial de crescer ou não a partir daquele momento. A ação deve ser vendida segundo as expectativas de futuro, nunca com base naquilo que aconteceu no passado. Ou seja, se as ações caíram, mas as perspectivas em relação à empresa são boas, o investidor deve se atentar a elas e continuar com o ativo. Entretanto, se não houver boas chances de recuperação, pode ser melhor realizar o prejuízo e partir para outra. Se a companhia não tiver perspectiva de crescimento, venda. Bolsa é expectativa futura.

Análise gráfica

Já os investidores que preferem operar com base na análise técnica devem definir a venda do papel baseados nos pontos indicados pelo gráfico e utilizar a ferramenta de stop, para limitar as perdas. Este tipo de operação não é para acumular patrimônio e sim para girar patrimônio. Na nossa concepção, este é o investidor profissional, que tem objetivo de ganhar 2%, 5% em um único dia, então, a decisão de venda dele é baseada em outro tipo de análise. Estes investidores devem estipular  limites de perdas, para evitar grandes prejuízos. É importante definir o quanto está disposto a perder e colocar uma ordem stop para vender automaticamente.

 

As ações ordinárias da Usiminas (USIM3) têm mostrado significativas altas  registrando as maiores  valorizações do índice Ibovespa. Isso tem decorrido de  novos rumores de venda de parte do controle da companhia.

Em reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” a Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) teria feito uma proposta de compra das participações que a Camargo Corrêa e Votorantim possuem no capital da Usiminas, o que levaria a CSN a entrar no grupo de controle da empresa.

O valor da oferta pelo bloco de controle teria sido da ordem de R$ 6 bilhões, o que representaria um valor de cerca de R$ 39,00 por ação (cotadas atualmente em tornode R$ 23,00). As duas empresas ainda não teriam respondido à solicitação da CSN.

Por diversas vezes a CSN manifestou abertamente, inclusive atraves da publicação de fatos relevantes, o interesse em participar mais ativamente do controle da Usiminas, considerada um investimento estratégico para a empresa, com a existencia de grandes sinergias de abastecimento de minério de ferro e logística. Até o final de agosto a CSN detinha posição acionária de 11,29% nas ações ordinárias da Usiminas e de 15,15% nas ações preferenciais.

EUA AFETAM AS BOLSA NOVAMENTE

02 setembro. 2011

As principais bolsas de valores mundiais fecharam em forte queda nesta 6ª. feira, com os investidores decepcionados com os principais indicadores econômicos vindos dos EUA. O Departamento do Trabalho divulgou, antes da abertura dos mercados, diversos indicadores relativos ao mercado de trabalho norte-americano, sendo os principais deles, o número de empregos criados e a taxa de desemprego. Os analistas aguardavam a adição de aproximadamente 60 mil vagas no mercado de trabalho (foram criados 58 mil vagas), com uma taxa de desemprego geral mantida em 9,1%, o que se confirmou. O que pesou fortemente foi uma noticia divulgada pelo New Iork Times, segundo a qual o governo americano vai entrar com um processo multibilionário contra cerca de 15 grandes bancos, alegando que eles supervalorizaram a qualidade dos produtos derivados de hipotecas vendidas durante a bolha imobiliaria que estourou em 2008. A Agência Federal de Financiamento de Moradia (FHFA, na sigla em ingles) pretende argumentar que os bancos deveriam saber que os titulos lastreados em hipotecas não eram seguros. De acordo com o NYT entre os bancos estão o Bank of America, JPMorgan Chase, Deutsche Bank EUA e o Goldman Sachs. As ações desses bancos cairam entre 6% e 8%. Os investidores também se retrairam em virtude dos feriados que ocorrerão na proxima semana nos EUA e no Brasil.

 

Com um comunicado de duas páginas (em lugar dos tradicionais dois curtos parágrafos) o Copom informou que decidiu efetuar um corte de 0,5 pontos na taxa Selic. A decisão, embora não tenha sido unânime uma vez que dois votos foram contrários, indica claramente uma mudança de metas. A verdade é que o mercado foi tomado de surpresa por essa atitude agressiva do Copom. Para explicar os motivos da decisão o comunicado usa, principalmente, argumentos de que a crise externa já vem afetando o desempenho da economia brasileira. Argumentos à parte, pois quando muitas explicações são necessárias é porque nenhuma delas convence de fato, a decisão parece ter sido equivocada e no mínimo prematura. A crise internacional só seria desinflacionária se o cenário apresentasse uma degradação muito forte, o que não parece ser o caso, especialmente quando o FED (Banco Central dos EUA)        acena com a possibilidade de anunciar medidas de incentivo à economia americana na reunião do final deste mês. Por outro lado, parece claro que o problema da inflação no Brasil, está ligado preponderantemente a distorções no ambiente interno e não a fatores externos. Prova disso é a resistência de queda nos preços dos serviços, alimentados por um mercado de trabalho robusto. O Banco Central surpreendeu e surpresa é tudo que o mercado abomina. Uma das regras de ouro na condução da política econômica é sinalizar o que se pretende fazer. Aliás a previsibilidade é um dos sinais de evolução da política econômica e das relações da autoridade monetária com o mercado.Tudo faz crer que o Banco Central abandonou de vez a meta de inflação e passa a olhar apenas o crescimento econômico.