ECONOMIC OVERVIEW

13 agosto. 2011

Quem olha para o horizonte econômico, procurando enxergar um palmo adiante do nariz, tem dificuldade em visualizar um quadro nítido. De fato o céu não é de brigadeiro. Ao contrário existe uma nebulosidade pairando no ar o que elimina a nitidez da visão. Quando se estende o olhar para mais longe, para o outro lado do Atlântico, a nebulosidade aumenta. Não são poucas as nuvens que envolvem as maiores economias do mundo e que a cada dia ficam mais densas. A economia americana está enfraquecida, com grande dificuldade de se firmar num ciclo virtuoso de recuperação (especialmente após o rebaixamente de seu raiting pela agência Standard & Poor’s) e a inflação permanece como uma ameaça constante para os chineses. A questão mais grave a resolver, entretanto, é o endividamento dos países da zona do euro. Não é de hoje que se questiona a solvência dos países menos desenvolvidos da Europa, como a Grécia e sua capacidade de honrar seus compromissos. Esse país se encontra extremamente endividado e com suas contas públicas que não fecham, uma vez que o governo precisar tomar empréstimos superiores a 10% do PIB por ano, para poder pagar suas dividas que vencem no período. A Grécia não tem competitividade para crescer, principalmente porque não tem como depreciar sua moeda e baratear seus produtos. A única alternativa é reduzir os gastos públicos, mas isso aumenta a depressão da atividade econômica e por conseqüência a arrecadação de impostos, criando um circulo vicioso difícil de ser rompido. Por isso foi necessário obter uma ajuda inicial de US$ 200 bilhões que não foi suficiente nem para as necessidades de um ano. É fácil imaginar o custo político para os países que tem sido os financiadores desse saneamento, como a Alemanha e a França. A deterioração da Grécia não foi isolada. Logo afloraram os problemas de Portugal e Irlanda e a crise ameaça se estender para Espanha e Itália. A incerteza sobre o desdobramento dessa crise pesa sobre os mercados. E o Brasil, como fica nesse contexto? Felizmente a economia brasileira ainda é relativamente fechada. Conseguimos a duras penas acumular um montante de reservas internacionais que nos colocam como o 4º. país do mundo entre os maiores credores de títulos americanos. Nosso mercado interno se fortaleceu nos últimos anos com a melhoria da distribuição de renda que deu acesso de muitos milhares de pessoas ao consumo e conseguimos nos tornar importantes players no mercado mundial commodities agrícolas. Isso dá ao Brasil uma situação privilegiada, com armas importantes contra os efeitos da crise, mas não blindam o país e nem o tornam imune a ela.

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