A STANDARD & POOR’S REBAIXOU O RATING AMERICANO…E AGORA?

07 agosto. 2011

Depois de uma semana de grande expectativa sobre a decisão do Congresso dos EUA em concordarem com o aumento do endividamento do país para evitar o calote, o mercado financeiro respirou aliviado na 6ª. Feira. Tudo parecia que voltaria ao normal. O incêndio estava apagado e restavam apenas poucas brasas acesas. Entretanto no calar noite, a Standard & Poor’s, como um corvo escuro, anegrado, lançou no ar um relatório através do qual promoveu o rebaixamento do rating dos EUA. Jogou, assim, toneladas de gasolina sobre as brasas quase apagadas e provocou um novo incêndio de graves proporções. Deixou pairando um clima de trevas, sobre o que ocorrerá na 2ª. Feira, com a abertura dos mercados financeiros internacionais. A Standard & Poor’s é uma agência reconhecidamente irresponsável (que falhou bisonhamente na crise de 2008 atribuindo ratings AAA à instituições falidas), mas à qual, infelizmente, muitas instituições ainda estão ligadas para tomada de decisões. Li muitos a artigos publicados nas últimas horas por economistas de vários países, mas o que melhor abordou a situação, na minha opinião, foi o de Paul Krugman, que escreve para o New York Times o qual reproduzo a seguir. Escreveu Krugman:

“Pois é, a Standard & Poor’s fez o que ameaçava fazer: rebaixou o rating dos Estados Unidos. É uma situação estranha.

Por um lado, agora justifica-se a afirmação de que a loucura da direita tornou os Estados Unidos uma nação fundamentalmente doente. Porque, de fato, é a loucura da direita: se não fosse o radicalismo dos republicanos, sempre contrários a impostos, seria possível chegar, sem nenhum problema, a um acordo que garantiria a solvência a longo prazo.

Por outro lado, é difícil imaginar uma entidade menos qualificada para passar um julgamento sobre o nosso país do que as agências de rating. Então as pessoas que classificaram os títulos respaldados em empréstimos subprime agora se declaram os juízes da política fiscal? É mesmo? E, para a coisa ficar mais perfeita, ficou claro que a S&P errou nos cálculos em US$ 2 trilhões; depois de muitas discussões reconheceu – e rebaixou a classificação. Mais do que isso, tudo o que já ouvi sobre as exigências da S&P indica que a agência está falando absurdos a respeito da situação fiscal dos EUA. Ela sugeriu que o rebaixamento se deu por causa do montante da redução do déficit que havia sido negociada para a próxima década, e aparentemente acenou com o mágico número de US$ 4 trilhões.

Entretanto, a solvência dos EUA não depende do que acontece a curto e até mesmo a médio prazo: mais de U$ 1 trilhão de dívidas representa um aumento de apenas uma fração de um ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) aos custos dos juros futuros. Portanto, U$ 2 trilhões a mais ou a menos não têm grande significado a longo prazo. O que importa é a perspectiva a prazo mais longo, que, por sua vez, depende em grande parte dos custos da saúde.

Então, do que é que a S&P estava falando?

Supostamente, ela possuía alguma teoria segundo a qual a restrição agora é um indicador do futuro – mas não há nenhuma boa razão para se acreditar nesta teoria, e seguramente a S&P não tem nenhuma autoridade para fazer esse tipo de vago julgamento político.Em suma, a S&P fez uma asneira – e, depois da débâcle das hipotecas, não tem mais esse direito. É um escândalo – não porque os EUA estejam numa boa situação, mas porque estas pessoas não têm condições de julgar.”

 

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