Administradores de empresas listadas na Bovespa acreditam que suas empresas estão sub-valorizadas.  É por isso que, somente nesta semana, três empresas decidiram iniciar programas de recompras de suas próprias ações no mercado: Localiza Rent a Car , Rossi Residencial e Indústrias Romi se juntaram ao grupo de mais de  trinta e cinco empresas listadas na Bolsa, entre as quais Bradesco, Bradespar, ItauUnibanco, Itaúsa, Vale e Gerdau, que desde o inicio do ano lançaram programas similares. Em 2011 quase R$ 6 bilhões já foram destinados pelas empresas para essa finalidade. Os planos de recompra de ações são benéficos aos investidores porque ao recomprar suas próprias ações, a empresa reduz o free-float, ou seja, as ações em circulação e com isso aumenta a participação dos investidores nos resultados. Os administradores das empresas que estão recomprando suas próprias ações acreditam que o preço atual no mercado está abaixo do potencial de geração de valor da empresa no longo prazo. E ninguém para conhecer melhor os fundamentos de um negócio do que os próprios administradores. As ações recompradas geralmente têm duas finalidades: o cancelamento,  que diminui a quantidade de ações disponíveis no mercado, aumentando a participação do investidor no capital da companhia e a manutenção em tesouraria para venda posterior, quando a empresa acredita que o preço negociado no mercado voltou a seu valor justo. Os analistas aconselham os investidores para que fiquem atentos aos programas de recompra de ações no mercado. Isto geralmente significa bons negócios no longo prazo.

Anúncios

No mercado bursatil existem sempre os otimistas e os pessimistas. Ser otimista não significa ignorar os problemas e fechar os olhos para as dificuldades que precisam ser enfrentadas. Significa encarar os fatos de um ponto de vista positivo em busca de soluções e não entrar em desespero achando que o mundo sempre vai desabar e que o fim dos tempos está próximo. Siginifica acreditar que o trabalho produz riquezas e que exite uma infinidade de pessoas capazes trabalhando duro para obter resultados positivos em todos os campos da atividade humana. Eu sou um otimista. Achei muito interessante um estudo abordado por Thais Folego para o jornal Valor Econômico, e que reproduzo a seguir. Escreve Thais Folego: Uma pergunta que todo mundo se faz é: quanto tempo mais o  o pânico no mercado acionário vai durar? O padrão histórico de crises anteriores mostra que o comportamento irracional dos investidores nas bolsas dura cerca de oito semanas.”Assim, dentro de aproximadamente seis semanas o pânico atual deve ter abrandado, uma vez que já dura cerca de duas semanas”, avalia Nicholas Bloom, professor-assistente de economia da Universidade de Stanford em artigo.Bloom é autor do estudo “The impact of uncertainty shocks”, em que observa o comportamento do mercado acionário em 16 grandes momentos de incerteza, entre eles os ataques de 11 de setembro, a crise dos mísseis cubanos, as duas guerras do Golfo, o estouro da bolha da internet, a quebra da Enron e a crise financeira de 2008.Nele, o professor observa o nível de oscilação do mercado com base no VIX, índice que mede a volatilidade das opções de ações na bolsa americana e é visto como um termômetro do medo do mercado. Na última sexta-feira, o indicador fechou aos 43 pontos, mesmo patamar atingido nos ataques terroristas de 11 de setembro, observa Bloom, mas ainda longe dos 80 pontos da crise de 2008.”Quando há muita incerteza, o menor rumor gera oscilações bruscas no mercado. Notícias corriqueiras podem servir de justificativa para centenas de pontos de oscilação nos índices. Boas notícias fazem os mercados decolarem. Más notícias fazem as ações despencarem”, observa o professor.No estudo, ele conclui que momentos de grandes incertezas como os que temos visto nas últimas semanas, com grande volatilidade no mercado de ações, levam a grandes recessões de curto prazo. “O atual pânico é suscetível de provocar um duplo mergulho no final de 2011″, avalia o professor.A despeito do pessimismo com o cenário de curto prazo, Bloom é bastante otimista com o crescimento dos Estados Unidos e da Europa no longo prazo por duas razões. Primeiro, porque essa crise irá forçar reformas há muito necessárias no sistema previdenciário (principalmente na Europa) e do sistema de saúde pública (particularmente nos EUA). Segundo, porque o crescimento da China e da Índia vai continuar a impulsionar o crescimento global.”Estou tão otimista no longo prazo que hoje (19/8/2011) investi a restituição do meu imposto de renda no índice S&P. Logo, aposto mesmo numa rápida recuperação!”, conta Bloom.

ECONOMIC OVERVIEW II

20 agosto. 2011

Nesta semana o mercado financeiro continuou volátil. Um analista definiu a situação como semelhante a trem fantasma, ou seja em cada curva se leva um susto. Humor à parte, o fato que é que os investidores estão intranquilos, desorientados e mais que tudo temerosos de que nem todas as notícias ruins ja estejam divulgadas. Mas, por outro lado não há muita variedade de opções sobre onde investir o enorme volume de recursos financeiros que exitem disponiveis no mundo. Ou se compra ouro (que é relativamente escasso e por isso as cotações ja se aproximam dos US$ 1,900.00 por onça troy, quase 50% de alta em 12 meses), ou se vai para o mercado de commodities, ou para os títulos americanos (apesar do rebaixamento da S&P) ou se volta para o mercado acionário. A outra opção restante que seria aplicação em imóveis não atende aos requisitos de disponibilidade imediata requeridos pelos  investidores do mercado financeiro. Nesse contexto as ações de bancos e de produtoras de commodities (tipo mineradoras, siderúrgicas e petroleiras), foram as que mais perdas sofreram. Algumas distorções ja se fazem presentes, como por exemplo o fato divulgado de que a Apple sozinha, vale tanto quanto  os 32 maiores bancos europeus juntos. Parece não estar sendo levado em conta que a Apple, apesar de sua grandeza indiscutivel, é um empresa altamente dependente de inovações tecnológicas, sem as quais seus produtos podem ficar rapidamente absoletos. Nem mesmo declarações explícitas como a feita ontem pelo presidente da China, XI JINPING, no sentido de que “ nunca haverá um chamado pouso forçado no crescimento da economia chinesa porque manteremos a política macroeconômica estável” (e a China tem condições para isso pois dispõe de um mercado interno capaz de garantir um crescimento apreciável por décadas, se essa for a vontade política de seus dirigentes), têm sido suficientes para acalmar os investidores. Eu continuo esperançoso de que em algum momento a racionalidade deverá se impor, até porque como ressaltamos acima não há muito para onde ir sem que grandes bolhas sejam formadas.

A Fitch (agência de análise de riscos) emitiu relatório mediante o qual anunciou que mantém a classificação dos títulos da dívida soberana dos Estados Unidos na nota máxima de “AAA”, com perspectiva estável, decisão que ocorre duas semanas depois que a Standard & Poor’s decidiu rebaixar a nota dos EUAl.
“A afirmação da classificação de ‘AAA’ da dívida soberana dos EUA reflete o fato de que os pilares chaves do excepcional valor de crédito do país continuam intactos”, destacou o relatório da agência.
A Fitch, tomou a decisão após o congresso americano ter alcançado o acordo para elevar o teto do endividamento público do país em 2 de agosto, destacou o “papel fundamental no sistema financeiro” dos EUA.
A agência insistiu na “flexibilidade, diversificação e bom estado de saúde da economia americana”, assim como na “flexibilidade monetária e de taxas de câmbio” do país, o que “potencializa a capacidade da economia para absorver e se ajustar a impactos”.
Os investidores e analistas americanos estão atentos aos pronunciamentos das principais agências de qualificação depois que a Standard & Poor’s decidiu diminuir a nota dos EUA para “AA+” no dia 5 de agosto, uma decisão que a S&P justificou pelo longo debate ocorrido para elevar o limite de endividamento público que deixou o país à beira da moratória.
A decisão da Standard & Poor’s causou uma onda de instabilidade na Bolsa de Nova York, que contagiou as principais praças financeiras do mundo com quedas generalizados em seus principais indicadores.
A agência de análises de riscos Moody’s já havia decidido, no dia 2 de agosto, manter a máxima nota dos EUA, embora com a atribuição de uma perspectiva “negativa”,  se o país não adotar novas medidas para conseguir uma maior redução do déficit público.Como é possível verificar as três principais agências de análise de riscos não tem uma visão harmônica sobre a economia dos EUA. Qual delas estará com a razão?

 

As operações de vendas de ações a descoberto foram proibidas em vários países da Europa com o objetivo de reduzir a especulação desenfreada que vinha ocorrendo nos mercados bursateis.. França, Itália, Espanha e Bélgica adotaram a medida com o intuito de evitar um colapso das bolsas de valores locais, cujos índices e valor das ações vinham sendo depreciadas principalmente por causa do setor bancário. A Inglaterra e a Alemanha devem seguir o mesmo caminho. A proibição se aplica a operações futuras e assim, investidores com operações já efetuadas, em aberto, não precisarão desfazê-las, mas terão que liquidá-las em seus vencimentos. Os principais mercados acionários europeus foram bastante receptivos às novas medidas. Nas operações vendidas, sem cobertura (isto é quando os investidores vendem papeis que não têm para entrega futura) o investidor ganha quando o mercado cai. São operações altamente especulativas, pois o risco de perda é alto e ilimitado. Nesse tipo de operação o investidor ganha a diferença entre o preço de venda de uma ação ou título que não possui e o preço de recompra mais tarde. Se as ações subirem o investidor é obrigado a pagar um valor mais alto na compra para entregar o já vendeu por um preço menor e aí o prejuizo pode ser muito grande. No Brasil as operações vendidas somente podem ser efetuadas caso o investidor encontre alguém para lhe emprestar ou alugar as ações para vender no mercado (através do banco de títulos da CBLC, o chamado BTC), o que torna a especulação mais difícil. Os analistas vêem com bons olhos a proibição das operações vendidas nos mercados europeus, já que especuladores estavam se utilizando de rumores e boatos no mercado para lucrar com o pânico dos investidores.

ECONOMIC OVERVIEW

13 agosto. 2011

Quem olha para o horizonte econômico, procurando enxergar um palmo adiante do nariz, tem dificuldade em visualizar um quadro nítido. De fato o céu não é de brigadeiro. Ao contrário existe uma nebulosidade pairando no ar o que elimina a nitidez da visão. Quando se estende o olhar para mais longe, para o outro lado do Atlântico, a nebulosidade aumenta. Não são poucas as nuvens que envolvem as maiores economias do mundo e que a cada dia ficam mais densas. A economia americana está enfraquecida, com grande dificuldade de se firmar num ciclo virtuoso de recuperação (especialmente após o rebaixamente de seu raiting pela agência Standard & Poor’s) e a inflação permanece como uma ameaça constante para os chineses. A questão mais grave a resolver, entretanto, é o endividamento dos países da zona do euro. Não é de hoje que se questiona a solvência dos países menos desenvolvidos da Europa, como a Grécia e sua capacidade de honrar seus compromissos. Esse país se encontra extremamente endividado e com suas contas públicas que não fecham, uma vez que o governo precisar tomar empréstimos superiores a 10% do PIB por ano, para poder pagar suas dividas que vencem no período. A Grécia não tem competitividade para crescer, principalmente porque não tem como depreciar sua moeda e baratear seus produtos. A única alternativa é reduzir os gastos públicos, mas isso aumenta a depressão da atividade econômica e por conseqüência a arrecadação de impostos, criando um circulo vicioso difícil de ser rompido. Por isso foi necessário obter uma ajuda inicial de US$ 200 bilhões que não foi suficiente nem para as necessidades de um ano. É fácil imaginar o custo político para os países que tem sido os financiadores desse saneamento, como a Alemanha e a França. A deterioração da Grécia não foi isolada. Logo afloraram os problemas de Portugal e Irlanda e a crise ameaça se estender para Espanha e Itália. A incerteza sobre o desdobramento dessa crise pesa sobre os mercados. E o Brasil, como fica nesse contexto? Felizmente a economia brasileira ainda é relativamente fechada. Conseguimos a duras penas acumular um montante de reservas internacionais que nos colocam como o 4º. país do mundo entre os maiores credores de títulos americanos. Nosso mercado interno se fortaleceu nos últimos anos com a melhoria da distribuição de renda que deu acesso de muitos milhares de pessoas ao consumo e conseguimos nos tornar importantes players no mercado mundial commodities agrícolas. Isso dá ao Brasil uma situação privilegiada, com armas importantes contra os efeitos da crise, mas não blindam o país e nem o tornam imune a ela.

Depois de uma semana de grande expectativa sobre a decisão do Congresso dos EUA em concordarem com o aumento do endividamento do país para evitar o calote, o mercado financeiro respirou aliviado na 6ª. Feira. Tudo parecia que voltaria ao normal. O incêndio estava apagado e restavam apenas poucas brasas acesas. Entretanto no calar noite, a Standard & Poor’s, como um corvo escuro, anegrado, lançou no ar um relatório através do qual promoveu o rebaixamento do rating dos EUA. Jogou, assim, toneladas de gasolina sobre as brasas quase apagadas e provocou um novo incêndio de graves proporções. Deixou pairando um clima de trevas, sobre o que ocorrerá na 2ª. Feira, com a abertura dos mercados financeiros internacionais. A Standard & Poor’s é uma agência reconhecidamente irresponsável (que falhou bisonhamente na crise de 2008 atribuindo ratings AAA à instituições falidas), mas à qual, infelizmente, muitas instituições ainda estão ligadas para tomada de decisões. Li muitos a artigos publicados nas últimas horas por economistas de vários países, mas o que melhor abordou a situação, na minha opinião, foi o de Paul Krugman, que escreve para o New York Times o qual reproduzo a seguir. Escreveu Krugman:

“Pois é, a Standard & Poor’s fez o que ameaçava fazer: rebaixou o rating dos Estados Unidos. É uma situação estranha.

Por um lado, agora justifica-se a afirmação de que a loucura da direita tornou os Estados Unidos uma nação fundamentalmente doente. Porque, de fato, é a loucura da direita: se não fosse o radicalismo dos republicanos, sempre contrários a impostos, seria possível chegar, sem nenhum problema, a um acordo que garantiria a solvência a longo prazo.

Por outro lado, é difícil imaginar uma entidade menos qualificada para passar um julgamento sobre o nosso país do que as agências de rating. Então as pessoas que classificaram os títulos respaldados em empréstimos subprime agora se declaram os juízes da política fiscal? É mesmo? E, para a coisa ficar mais perfeita, ficou claro que a S&P errou nos cálculos em US$ 2 trilhões; depois de muitas discussões reconheceu – e rebaixou a classificação. Mais do que isso, tudo o que já ouvi sobre as exigências da S&P indica que a agência está falando absurdos a respeito da situação fiscal dos EUA. Ela sugeriu que o rebaixamento se deu por causa do montante da redução do déficit que havia sido negociada para a próxima década, e aparentemente acenou com o mágico número de US$ 4 trilhões.

Entretanto, a solvência dos EUA não depende do que acontece a curto e até mesmo a médio prazo: mais de U$ 1 trilhão de dívidas representa um aumento de apenas uma fração de um ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) aos custos dos juros futuros. Portanto, U$ 2 trilhões a mais ou a menos não têm grande significado a longo prazo. O que importa é a perspectiva a prazo mais longo, que, por sua vez, depende em grande parte dos custos da saúde.

Então, do que é que a S&P estava falando?

Supostamente, ela possuía alguma teoria segundo a qual a restrição agora é um indicador do futuro – mas não há nenhuma boa razão para se acreditar nesta teoria, e seguramente a S&P não tem nenhuma autoridade para fazer esse tipo de vago julgamento político.Em suma, a S&P fez uma asneira – e, depois da débâcle das hipotecas, não tem mais esse direito. É um escândalo – não porque os EUA estejam numa boa situação, mas porque estas pessoas não têm condições de julgar.”