Fim do conflito no Pão de Açúcar

13 julho. 2011

A segurança jurídica abordada na matéria do dia 3 de julho, prevaleceu no conflito que se instalou no relacionamento entre os principais acionistas da Companhia Brasileira de Distribuição – CDB (Pão de Açúcar). Após várias semanas de turbulências, o grupo varejista Casino conseguiu frustrar o projeto de fusão entre o seu sócio brasileiro Abílio Diniz e seu concorrente Carrefour. Dessa forma a agressiva tentativa de fusão entre as operações nacionais das redes varejistas Pão de Açúcar e Carrefour está oficialmente suspensa. Essa é a posição do banco BTG Pactual que coordenaria o negócio e Abilio Diniz, um dos principais acionistas da controladora do Grupo Pão de Açúcar. Diante da forte resistência do Casino, dos temores de monopólio e dos ataques dos políticos da oposição à intervenção do Estado brasileiro em um conflito entre os dois atores privados estrangeiros, a presidente Dilma Rousseff ordenou que o BNDES retirasse a proposta de financiamento da operação. O empresário Abílio Diniz e a rede varejista francesa Casino, não conseguiram chegar a um acordo em relação ao processo de fusão. Em uma última tentativa para convencer o sócio francês, Abílio Diniz solicitou uma reunião do Conselho de Administração do grupo Casino, em Paris, para apresentar um estudo preparado pela FGV (Fundação Getulio Vargas) mostrando os possíveis ganhos de sinergia da operação de fusão. Os membros do conselho rejeitaram a proposta por unanimidade, apresentando outros estudos apontando que o negócio não daria certo.  Esse projeto tinha sido divulgado oficialmente pelo Carrefour há quinze dias, após semanas de rumores sobre a existência de negociações entre o número dois mundial do varejo e Abílio Diniz, sócio da Casino desde que esta empresa adquiriu uma participação no Pão de Açúcar em 1999. O Carrefour anunciou ter recebido uma proposta do fundo BTG Pactual com o apoio financeiro do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) para criar uma empresa com a fusão das atividades locais do Carrefour e da CBD. O objetivo seria criar um gigante brasileiro do varejo com vendas de 30 bilhões de euros e de sinergias estimadas entre 600 milhões e 800 milhões de euros.
Para se opor a essa manobra considerada “hostil”, a Casino mobilizou um arsenal jurídico. Para essa empresa, o Brasil é um dos quatro países mais populosos e em forte crescimento nos quais ela construiu uma estratégia de expansão internacional. No final de maio, a Casino lançou um primeiro procedimento de arbitragem contra Abílio Diniz na Câmara de Comércio Internacional, exigindo o cumprimento de um acordo de acionistas que daria a ela a possibilidade de assumir o controle da CBD em 2012. Em junho, quatro dias antes do anúncio oficial do projeto de fusão, o Tribunal de Comércio de Nanterre indicou ter apreendido dezenas de  documentos referentes às negociações mantidas com Abílio Diniz, na sede do Carrefour. Com o projeto oficializado, a Casino iniciou um segundo procedimento de arbitragem contra Diniz, e seu presidente viajou ao Brasil para defender suas posições, classificando a operação “de expropriação” e de “erro estratégico”.
A forte rejeição da oferta de fusão pelo conselho de administração da Casino, que possui 43,1% da CBD, e a desistência do BNDES, encerraram o assunto.
Os analistas acreditam que a suspensão do processo de fusão não deve afetar muito as ações do Pão de Açúcar na Bolsa no médio prazo. No entanto, os investidores devem ser cautelosos. As ações podem operar com extrema volatilidade no curto prazo, caso os investidores se sintam frustrados depois de toda a expectativa criada.

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