DROGASIL E DROGA RAIA

26 julho. 2011

A Drogasil e a Droga Raia acabam de anunciar que estão conduzindo gestões com o objetivo de alcançar a fusão das duas empresas. O comunicado conjunto divulgado ao mercado informa que “no contexto dessas tratativas, as duas companhias vêm estudando alternativas de estrutura para a operação, bem como negociando um acordo de associação, para regular seus termos e condições. Além disso, os acionistas que exercem o controle das duas companhias vêm negociando um acordo de acionistas”. Caso tais gestões sejam concluídas com sucesso resultarão em uma empresa líder absoluta do mercado, com faturamento superior a R$ 1 bilhão de reais por ano.

Divulgações desse tipo somente costumam acontecer quando as tratativas se encontram na fase final e dependem de pequenos detalhes. Tal operação, por sua envergadura, provavelmente terá que ser submetida a aprovação do CADE.

A fusão das duas redes terá sinergias importantes principamente no tocante a administração dos estoques e ao poder de barganha junto aos fornecedores, que poderão aumentar a rentabilidade opercional.

Por outro lado a empresa resultante nascerá com recursos em caixa em montante superior a R$ 400 milhões, que poderão financiar toda a expansão futura.

Como prevíamos em nossa matéria de 22 de junho “A GRÉCIA SERÁ SALVA, O PROBLEMA É ENCONTRAR O CAMINHO”, não deu outra. O caminho foi encontrado e completamente pavimentado hoje. Notícias recém chegadas de Bruxelas dão conta de que um segundo programa de resgate para a Grécia,  foi finalmente aprovado nesta quinta-feira pelos países da zona do euro. O montante da ajuda aos gregos será de 159 bilhões de euros,  dos quais 109 bilhões serão provenientes de financiamento oficial  e 50 bilhões de euros de participação privada.
“Encontramos uma resposta comum à crise”, afirmou após a cúpula do Eurogrupo o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, com medidas para garantir a sustentabilidade da dívida grega e prevenir o contágio a outros países, já que “a situação era realmente grave”.
“O financiamento oficial total será de 109 bilhões de euros”, informa o texto final divulgado nesta quinta-feira.O equacionamento da ajuda, como não poderia deixar de ser, foi finalizado com base em uma complexa estruturação financeira, envolvendo vários órgãos oficiais como o Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional, a Facilidade Européia de Estabilidade Financeira, além de entidades privadas.
Esta participação privada deve ser “totalmente voluntária”, insistiu o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, em entrevista.
Concretamente, os chefes de Estado e do Governo da eurozona ampliarão ao máximo possível os prazos de devolução dos empréstimos procedentes do fundo de resgate, a Facilidade Europeia de Estabilidade Financeira (FEEF), desde os atuais sete anos e meio para 15 anos (com possibilidade de até 30 anos e um período de carência de 10 anos).
Além disso, as taxas de juros dos créditos serão reduzidas para 3,5%. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, assegurou que estas medidas “asseguram a sustentabilidade da dívida grega” a longo prazo.
A suavização das condições para os empréstimos da eurozona que se aplicarão à Grécia beneficiarão também à Irlanda e a Portugal, os outros dois países com programas de resgate.
Por outro lado, os líderes da zona do euro acordaram melhorar a eficácia da FEEF a fim de evitar o contágio a outros países, como Espanha e Itália.As bolsas de valores européias já antecipavam uma solução para o problema grego e fecharam em alta, o que deve se repetir nos próximos dias. Mas foram as bolsas americanas e sul americanas que refletiram amplamente a divulgação do acordo exibindo altas bem expressivas.

A cotação do ouro (para a onça troy) bateu hoje mais um recorde ao superar, pela primeira vez na história, os US$ 1,6 mil  na Bolsa  de Nova York. O ouro nos últimos quatro dias fechou com seguidos recordes graças a sua característica de refúgio diante das dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas na Europa e nos Estados Unidos.
Cerca de duas horas após do início das negociações no mercado, o futuro do ouro mais negociado, com vencimento para agosto, tocava US$ 1.600,9, superando pela primeira vez em  a simbólica marca de US$ 1,6 mil.
O ouro continuava assim esta segunda-feira com tendência de alta na semana passada, na qual o metal precioso acumulou avanço de 3,1% após alcan;car quatro recordes históricos consecutivos: na terça-feira fechou US$ 1.562,3, na quarta-feira US$ 1.585,5, na quinta-feira US$ 1.589,3 e na sexta-feira  US$ 1.590,1.
A escalada do ouro responde “a falta de disciplina fiscal em Washington e na Europa, principalmente quando os investidores esperam que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) lance um novo plano de estímulo e vejamos mais resgates na zona do euro”, segundo declararou o especialista, Tom Winmill da Peroetual Portfolio.
Os analistas prevêm que este ano o ouro alcance preço de US$ 1,7 mil a onça, e que em 2012 o metal alcance US$ 1,8 mil.
A abertura em alta do preço futuro do ouro em Nova York respondia um dia mais à estagnação das negociações entre republicanos e democratas no Congresso dos Estados Unidos para elevar o teto de endividamento do país, até agora limitado a US$ 14,29 trilhões, já que, se não alcançar acordo, a nação teria de declarar moratória a partir de 2 de agosto.
As preocupações que levantam a situação dos EUA, assim como as crescentes dúvidas sobre a dívida soberana de diferentes países da zona do euro, fizeram com que o preço da onça troy à vista também alcançasse pela primeira vez US$ 1,6 mil no mercado de Londres.

 

A Autoridade Bancária Européia (EBA sigla em inglês) divulgou o resultado do teste de resistência a que se submeteram  90 bancos europeus. Esse resultado permitirá aos investidores avaliarem se o sistema bancário da região tem capital suficiente para enfrentar crises. Essa divulgação deverá definir o desempenho dos mercados nas próximas semanas. Esse é o primeiro teste realizado nos bancos europeus após a avaliação preliminar realizada no ano passado e muito criticada por analistas por não tratar com seriedade os riscos de moratória da dívida pública de países europeus. Os analistas estimavam que dos 90 bancos, 20 deles não deveriam passar no teste e precisariam se capitalizar. Entretanto apenas 8 instituições não passaram por ele, o que, segundo a Autoridade Bancária Européia, deve gerar confiança nos mercados sobre a força do setor financeiro na Europa. Das oito instituições financeiras que não passaram nos testes, cinco são espanholas, duas gregas e uma austríaca. Espera-se que essa aprovação de 91%, muito mais do que previam os especialistas, sirva para tranqüilizar os investidores sobre o estado de saúde dos bancos europeus, ainda mais se for levado em conta que nesta edição dos testes os critérios de capital foram mais rigorosos. O presidente da EBA, Andrea Enria, assinalou em entrevista coletiva que, se não se tivesse permitido às entidades fortalecer sua posição financeira com vistas aos testes, em vez dessas oito teriam sido reprovadas vinte instituições. “A iniciativa atuou como incentivo para que os bancos tomassem medidas para melhorar sua faixa de capital de qualidade”, declarou. O objetivo dos testes de solvência ou de “estresse”, planejados para apresentar confiança nos mercados após o descalabro do sistema financeiro mundial em 2008, é avaliar a capacidade que os bancos e caixas têm para enfrentar um cenário adverso hipotético.
Os bancos reprovados deverão apresentar às autoridades reguladoras de seus países antes do próximo dia 15 de outubro um plano de capitalização (com restrições de dividendos, alienação de ativos ou aumentos de capital) para atingir as metas mínimas estabelecidas até o final do ano. Esse resultado, bem melhor do que o aguardado, poderá se refletir positivamente nos pregões das bolsas de valores nas próximas semanas.

A agência de classificação de riscos Moody´s colocou o rating (nota de crédito) de AAA dos Estados Unidos sob revisão para possível ‘downgrade’. A  Moody’s informou que sua decisão está baseada nos receios de que a falta de consenso político em relação ao aumento do limite do endividamento dos Estados Unidos, atualmente em 14,3 bilhões de dólares, conduza o país a um cenário de insolvência.Também a Standard & Poor’s colocou o rating americano sob vigilância negativa desde 18 de Abril, alertando que o país perderia a nota máxima a menos que os responsáveis políticos acordassem um plano para reduzir o déficit e a dívida nacional até 2013. Os Estados Unidos têm um rating de AAA desde 1917. Segundo o porta-voz da Câmara baixa do Congresso, John Boehner, não há garantias de que o limite do endividamento dos Estados Unidos seja aumentado se não houver um acordo até 2 de Agosto. Esse limite, de 14,3 bilhões de dólares (9,63 bilhões de euros), foi atingido em 16 de maio e impõe desde então constrangimentos na capacidade de endividamento dos EUA e também na sua capacidade de pagar as suas obrigações. Os republicanos, que fazem oposição ao governo de Barack Obama, querem que o aumento no endividamento público seja acompanhado por cortes significativos e reformas orçamentárias, com o risco de causar baixas no mercado de trabalho. O Departamento do Tesouro dos EUA afirma que o congresso tem até o início de agosto deste ano para aprovar a nova proposta para o limite de gastos, com a possibilidade de o país parar por falta de recursos. Barack Obama e Ben Bernanke, presidente do Banco Central norte-americano, afirmaram que o congresso do país precisa chegar a um acordo para elevar o limite de endividamento público dos EUA. Obama reitera que a não aprovação do aumento da dívida poderá minar todos os esforços de recuperação econômica até o momento. Se isso realmente vier a ocorrer será uma nova catástrofe financeira abalando o mundo.

A segurança jurídica abordada na matéria do dia 3 de julho, prevaleceu no conflito que se instalou no relacionamento entre os principais acionistas da Companhia Brasileira de Distribuição – CDB (Pão de Açúcar). Após várias semanas de turbulências, o grupo varejista Casino conseguiu frustrar o projeto de fusão entre o seu sócio brasileiro Abílio Diniz e seu concorrente Carrefour. Dessa forma a agressiva tentativa de fusão entre as operações nacionais das redes varejistas Pão de Açúcar e Carrefour está oficialmente suspensa. Essa é a posição do banco BTG Pactual que coordenaria o negócio e Abilio Diniz, um dos principais acionistas da controladora do Grupo Pão de Açúcar. Diante da forte resistência do Casino, dos temores de monopólio e dos ataques dos políticos da oposição à intervenção do Estado brasileiro em um conflito entre os dois atores privados estrangeiros, a presidente Dilma Rousseff ordenou que o BNDES retirasse a proposta de financiamento da operação. O empresário Abílio Diniz e a rede varejista francesa Casino, não conseguiram chegar a um acordo em relação ao processo de fusão. Em uma última tentativa para convencer o sócio francês, Abílio Diniz solicitou uma reunião do Conselho de Administração do grupo Casino, em Paris, para apresentar um estudo preparado pela FGV (Fundação Getulio Vargas) mostrando os possíveis ganhos de sinergia da operação de fusão. Os membros do conselho rejeitaram a proposta por unanimidade, apresentando outros estudos apontando que o negócio não daria certo.  Esse projeto tinha sido divulgado oficialmente pelo Carrefour há quinze dias, após semanas de rumores sobre a existência de negociações entre o número dois mundial do varejo e Abílio Diniz, sócio da Casino desde que esta empresa adquiriu uma participação no Pão de Açúcar em 1999. O Carrefour anunciou ter recebido uma proposta do fundo BTG Pactual com o apoio financeiro do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) para criar uma empresa com a fusão das atividades locais do Carrefour e da CBD. O objetivo seria criar um gigante brasileiro do varejo com vendas de 30 bilhões de euros e de sinergias estimadas entre 600 milhões e 800 milhões de euros.
Para se opor a essa manobra considerada “hostil”, a Casino mobilizou um arsenal jurídico. Para essa empresa, o Brasil é um dos quatro países mais populosos e em forte crescimento nos quais ela construiu uma estratégia de expansão internacional. No final de maio, a Casino lançou um primeiro procedimento de arbitragem contra Abílio Diniz na Câmara de Comércio Internacional, exigindo o cumprimento de um acordo de acionistas que daria a ela a possibilidade de assumir o controle da CBD em 2012. Em junho, quatro dias antes do anúncio oficial do projeto de fusão, o Tribunal de Comércio de Nanterre indicou ter apreendido dezenas de  documentos referentes às negociações mantidas com Abílio Diniz, na sede do Carrefour. Com o projeto oficializado, a Casino iniciou um segundo procedimento de arbitragem contra Diniz, e seu presidente viajou ao Brasil para defender suas posições, classificando a operação “de expropriação” e de “erro estratégico”.
A forte rejeição da oferta de fusão pelo conselho de administração da Casino, que possui 43,1% da CBD, e a desistência do BNDES, encerraram o assunto.
Os analistas acreditam que a suspensão do processo de fusão não deve afetar muito as ações do Pão de Açúcar na Bolsa no médio prazo. No entanto, os investidores devem ser cautelosos. As ações podem operar com extrema volatilidade no curto prazo, caso os investidores se sintam frustrados depois de toda a expectativa criada.

Nos mercados internacionais, o clima de aversão ao risco tomou conta dos investidores que ficaram preocupados com o fato de que o contágio da dívida fiscal da Grécia, que já atingiu Portugal e Irlanda, possa se estender  para o restante da Europa, com as principais bolsas de valores mundiais fechando em baixa. Os economistas e os analistas estão todos  receosos de que a crise fiscal atinja os países mais fracos fiscalmente no momento, principalmente a Itália (3a. maior economia da Europa) e Espanha. A CONSOB (Commissione Nazionale per le Società e la Borsa), órgão italiano similar à CVM no Brasil, aprovou ontem uma medida para tentar reduzir as operações vendidas a descoberto na Bolsa e evitar que especuladores tomem conta da situação. Agora as instituições financeiras que estiverem vendidas a descoberto, precisam notificar a CONSOB. A medida surtiu pouco efeito e o principal índice acionário da Itália encerrou o pregão em baixa superior 4% ontem.  Para complicar ainda mais a situação o Ministro da Economia da Itália, Giulio Tremonti,responsável pelo plano de austeridade econômica, está sob pesadas suspeitas de corrupção.Durante uma reunião os ministros das finanças da União Européia, que trabalhavam nos detalhes finais sobre o resgate financeiro à Grécia, disseram estar cientes de que a Itália preocupava os mercados no momento. As instituições financeiras são o destaque das quedas. Os analistas acreditam que o mercado brasileiro deverá continuar repercutindo as conseqüências do cenário de aversão aos riscos, principalmente com o remanejamento das posições dos investidores estrangeiros.