A Grécia será salva. O problema é encontrar o caminho da salvação.

22 junho. 2011

Todo mundo todo sabe que a crise financeira da Grécia pode ter profundas implicações para outros países europeus e para a economia mundial como um todo. Se o país não fosse membro da união européia a declaração de uma moratória (que significaria deixar de pagar os juros das dívidas ou pressionar os credores a aceitarem pagamentos menores e perdoarem parte da dívida), não seria um grande problema, porque a economia grega em si tem pouca expressão. Isso já aconteceu no passado com as dividas de países da America Latina (entre eles a Argentina e o Brasil) e o mundo não acabou. Entretanto nas condições atuais da  Grécia, isso traria enormes dificuldades pois negaria a hipótese de que a UE e o Banco Central Europeu dariam suporte aos países membros, exatamente para evitar calotes. Nesse contexto uma moratória grega poderia estimular outros países em dificuldades, como Irlanda e Portugal e mesmo Espanha e Itália a fazerem o mesmo, criando uma crise sistêmica de proporções gigantescas. Se ocorresse a opção pelo calote, os bancos europeus que emprestaram dinheiro seriam afetados de forma dramática. Mesmo os bancos americanos e asiáticos que não possuem exposição direta aos títulos da divida grega, seriam também afetados porque têm investimentos nos bancos europeus. Some-se a isso o fato de que os países asiáticos, principalmente a China e o Japão, também teriam siuas economias profundamente abaladas porque cerca de 40% de suas exportações são para os países da zona do euro. É por isso que esses China e Japão têm aplicados apreciáveis recursos na compra de títulos gregos. Portanto, bancar a ajuda aos países com problemas e evitar seu calote, é imprescindível. E isso será feito sem dúvidas. O problema é encontrar uma forma adequada de promover a ajuda. A única maneira viável parece passar pelo perdão parcial da divida. Isso significaria que, em vez de a Grécia tomar dinheiro emprestado junto aos organismos oficiais (Banco Central Europeu, FMI, etc) para pagar dívidas de vencimento imediato, os bancos teriam de concordar em renegociar essas dívidas, provavelmente em termos mais favoráveis aos gregos. Mas os bancos europeus  não dispões de reservas suficientes para absorver os prejuízos decorrentes. Seriam necessários anos para conseguirem acumular as reservas necessárias  (como foi feito no caso das dividas dos países latino-americanos). A alternativa seria os Bancos Centrais aportarem recursos aos bancos de seus países para financiá-los pelo prazo necessário. Mas ainda assim continuaria pairando no ar a dúvida sobre o fato de que um calote grego pode fazer com que investidores questionem se a Irlanda e Portugal não seguirão o mesmo caminho, já que os pacotes de resgate oferecidos a esses dois países foram estruturados para ajudá-los  até que seus governos fossem novamente capazes de obter dinheiro no mercado. E o  que acontecerá com a Espanha, que só tem conseguido obter dinheiro no mercado a custos crescentes? É importante destacar que a economia espanhola equivale à soma das economias grega, irlandesa e portuguesa e seria muito mais difícil para a UE estruturar, caso seja necessário, um pacote de resgate para um país dessa dimensão. É por isso que a ajuda definitiva para a Grécia virá, mas somente quando for encontrada uma forma criativa do ponto de vista econômico e político para a situação.

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