A recuperação do Ibovespa

07 junho. 2011

O Ibovespa, como um todo, não tem conseguido se recuperar de forma consistente. Entretanto as ações, com maior peso no índice, têm sofrido mais. Por exemplo, as ações preferenciais da Gerdau já caíram no ano 25,1%; as ordinárias da OGX Petróleo têm queda de 22,1%; as preferenciais da Petrobras se desvalorizaram 10,6%, enquanto as preferenciais do Itaú Unibanco caem 8,5% e as do Bradesco, 5,4%. As preferenciais da Vale perderam 8,2%. Alguns desses papéis estão com os menores indicadores desde a crise de 2008, o que é um sinal inequívoco de que o atual movimento de queda está exagerado. Esse é exatamente o caso dos bancos. O preço sobre lucro (P/L – índice que mede em quantos anos o investidor terá de volta o valor aplicado) do Itaú está em 9 vezes e, no entanto, no pior momento da crise de 2008, esse indicador esteve entre 11 e 12 vezes. O mesmo acontece com o Bradesco. O P/L da Vale está em apenas 5. Na opinião da maioria dos analistas os investidores exageraram na venda das ações pois, por pior que seja o cenário da bolsa, a maior parte dessas grandes companhias possui bons fundamentos e, portanto, não deveria sofrer dessa forma. A exceção entre as empresas referidas acima, é a Petrobras, cuja ingerência do governo em sua gestão provoca incertezas sobre os lucros futuros da empresa. Um bom exemplo é a resistência do governo em não aumentar o preço dos combustíveis, com o objetivo de manter a inflação sob controle.

Mas, os fatos negativos que pairam sobre essas grandes companhias já estão integralmente embutidos nos preços de suas ações. Nas siderúrgicas ocorreu uma mudança estrutural no preço do aço, provocada pelo excesso de oferta mundial. No caso dos bancos, foram os efeitos das medidas (batizadas de macroprudenciais) adotadas pelo governo para conter a inflação. Já em relação à Vale, existe o temor de uma desaceleração mais brusca da economia da China – o maior consumidor de minério do mundo – e as incertezas em torno da recente mudança do presidente da empresa. Como todas essas são ações que têm participações relevantes na composição do Ibovespa, por serem negociadas em volumes substanciais nos pregões diários, o que quer que aconteça com elas dita o rumo do principal indicador do mercado brasileiro. Por isso é fácil concluir que a recuperação do Ibovespa só ocorrerá quando os preços dessas ações se recuperarem também.

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