O QUE SE PODE ESPERAR DO MERCADO ACIONÁRIO

24 maio. 2011

Tenho participado de algumas reuniões informais com alguns analistas e estrategistas de corretoras para trocar idéias sobre os rumos do mercado bursatil e procurar identificar um cenário para esse mercado. Não há dúvidas de que a instabilidade e a volatilidade têm dominado os pregões da Bovespa, tendo se acentuado um movimento de baixa das cotações neste mês. Não somente as cotações têm apresentado instabilidade, mas os volumes também têm flutuado bastante, mesmo excluídos eventos pontuais que ocorreram. Parece consenso que dois fatores se constituem nos principais motivos para a queda do mercado bursatil. Tais fatores, embora distintos, têm intima correlação entre eles. Um deles é o medo de que o processo inflacionário se acentue e outro de que a política monetária venha a se tornar mais restritiva. Por um lado os investidores estão temerosos de que a inflação, fugindo do controle, venha a afetar a lucratividade das empresas e por outro de que o Banco Central tenha que ser mais incisivo na política monetária aumentando ainda mais e por mais tempo a taxa SELIC, o que teria impacto no crescimento econômico, reduzindo-o além das expectativas atuais. Enquanto o governo não ajustar suas medidas de forma a que a inflação pare de crescer sem estrangular o crescimento econômico, a incerteza continuará pairando sobre os investidores. Mas o consenso que tenho observado é de que estamos hoje num patamar de índices, razoavelmente confortável para evitar que os mercados se deteriorem ainda mais. Os analistas acreditam que três vetores devem ser observados com a máxima cautela para suportar a tomada de decisões. A piora da bolsa só ocorreria se houvesse de fato uma queda acentuada do crescimento, ou seja, se as estimativas do PIB ficassem abaixo de 4%. Os outros dois vetores que merecem atenção são: a taxa de juro real projetada no mercado futuro para os próximos doze meses – Essa taxa deveria ficar sempre abaixo de 7% ao ano (o que significa que a inflação se situa dentro da meta do Banco Central) – e os resultados semanais da pesquisa FOCUS (pesquisa semanal que o Banco Central faz junto aos principais agentes do mercado) que indica a expectativa da inflação. Atualmente todos os fatores se encontram bem abaixo dos níveis máximos tolerados. O crescimento do PIB após a mais recente revisão aponta para um crescimento de 4,5%. A curva de juros futuros indica juros reais de 6,5% (por duas vezes nas últimas semanas essa taxa se aproximou de 6,8%, mas recuou rapidamente). E finalmente a inflação para 2012 apontada pela última pesquisa FOCUS está em 5,11% aproximando-se do centro da meta que é de 4,5%. A conclusão é de que como, neste momento, todos os vetores se encontram em níveis confortáveis, as expectativas ainda são positivas para o mercado acionário, o que poderá propiciar uma recuperação dos preços das ações até o final do ano.

 

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