Tenho sido indagado, com certa freqüência, a respeito de quais seriam as ações mais recomendadas para se aplicar num momento em que o mercado bursatil encontra-se em queda. Qual seria a melhor opção, quando parece que os preços dos papeis não saem do lugar, pregão após pregão? Antes de qualquer resposta é preciso lembrar que investir na Bolsa não tem sido fácil para a maioria dos investidores desde o ano passado. Em momentos de crise ou de indefinição, como o que vivemos presentemente, é importante que o investidor busque, antes que mais nada, a proteção para o seu capital. Os analistas recomendam ações de empresas chamadas de defensivas nesses momentos. Essas empresas têm uma característica especial em relação às demais, qual seja a de conseguirem manter os seus resultados inalterados apesar da baixa da economia, porque seus produtos e serviços são solicitados pelos consumidores em ambientes nos quais a situação econômica seja boa ou ruim, inclusive porque não há opções de escolha em relação ao consumo. Em épocas de alta inflação, como a atual, empresas que podem reajustar suas receitas regularmente de acordo com um índice inflacionário saem ganhando na Bolsa. Os investidores sabem que podem contar com a segurança oferecida por esses papéis. Companhias de utilidade pública como, por exemplo, as geradoras e distribuidoras de energia elétrica, concessionárias de rodovias, empresas de saneamento básico e telecomunicações se encaixam na descrição de empresas defensivas. Uma outra grande vantagem desse tipo de empresa é representada por sua política de dividendos. Empresas defensivas, em geral, têm volumosos dispêndios com investimentos no início de suas operações, mas ao longo dos anos de sua atividade, seus principais custos reduzem-se apenas à manutenção do investimento inicial. Dessa forma, como não necessitam de recursos adicionais para fazer frente a novos investimentos, a maioria dos lucros é geralmente distribuída de volta aos acionistas na forma de dividendos ou de juros sobre o capital, os quais se constituem em um ótimo rendimento para a carteira de um investidor ao longo dos anos. É preciso ressaltar que a compra de ações deve ser sempre feita em várias etapas, para que se consiga no final um preço médio melhor. Deve-se notar que em 2011, várias empresas dos seguimentos acima referidos tem apresentado rentabilidade superior a 20%, enquanto o Ibovespa exibe uma queda de 6,76% até o mes de maio.

Quando, em 2008, a crise financeira, que começou no setor imobiliário dos Estados Unidos, se espalhou por todo o mundo, o Ibovespa caiu 41,2%. Foi uma crise gigantesca, superando inclusive a de 1929. Já em 2009, quando todos esperavam um período mais de longo de dificuldades, o poder de recuperação do mercado foi surpreendente e o Ibovespa fechou o ano com uma valorização de 82,7%.

Muitos analistas começam a acreditar que a bolsa esteja prestes a dar início a um rali semelhante.

Semelhante porque seria uma reversão da tendência de queda das ações que se viu nesses primeiros cinco meses do ano, embora não com a mesma intensidade com que ocorreu em 2009.

Se realmente ocorrer uma repetição do houve naquele biênio, o investidor precisa estar preparado para não perder o começo desse movimento e acabar se dando conta de que ele ocorreu apenas quando as ações já tiverem recuperado boa parte de seus preços.

A Fidúcia Asset Management está entre os que esperam uma recuperação da Bovespa. Em relatório divulgado aos clientes, a gestora de recursos lista alguns fatores tanto locais quanto internacionais que dão suporte a essa previsão.

Internamente, as medidas tomadas, pela área econômica do governo, devem começar a produzir efeito sobre a inflação e os índices de preços devem vir bastante reduzidos já no próximo mês. Como a bolsa já perdeu quase de R$ 200 bilhões de valor de mercado entre abril e maio, os investidores devem voltar a se interessar pelos papéis.

No âmbito externo, ainda segundo o relatório da Fidúcia, as medidas para conter a inflação na China também vão começar a fazer efeito e a desaceleração da economia chinesa será branda. Com relação aos EUA, o crescimento de 1,8% divulgado para o PIB do primeiro trimestre, confirmou que a recuperação econômica tem prosseguimento, apesar do fim do pacote do governo de US$ 600 bilhões de recompra de títulos que trouxe tanto temor ao mercado.

“Se a percepção melhorar um pouco, como estamos estimando, então nos lembraremos de 2011 como um mini ‘déjà vu’ de 2008/2009”, conclui a Fidúcia em seu relatório.

Vamos todos torcer para que isso realmente aconteça.

 

 

Tenho participado de algumas reuniões informais com alguns analistas e estrategistas de corretoras para trocar idéias sobre os rumos do mercado bursatil e procurar identificar um cenário para esse mercado. Não há dúvidas de que a instabilidade e a volatilidade têm dominado os pregões da Bovespa, tendo se acentuado um movimento de baixa das cotações neste mês. Não somente as cotações têm apresentado instabilidade, mas os volumes também têm flutuado bastante, mesmo excluídos eventos pontuais que ocorreram. Parece consenso que dois fatores se constituem nos principais motivos para a queda do mercado bursatil. Tais fatores, embora distintos, têm intima correlação entre eles. Um deles é o medo de que o processo inflacionário se acentue e outro de que a política monetária venha a se tornar mais restritiva. Por um lado os investidores estão temerosos de que a inflação, fugindo do controle, venha a afetar a lucratividade das empresas e por outro de que o Banco Central tenha que ser mais incisivo na política monetária aumentando ainda mais e por mais tempo a taxa SELIC, o que teria impacto no crescimento econômico, reduzindo-o além das expectativas atuais. Enquanto o governo não ajustar suas medidas de forma a que a inflação pare de crescer sem estrangular o crescimento econômico, a incerteza continuará pairando sobre os investidores. Mas o consenso que tenho observado é de que estamos hoje num patamar de índices, razoavelmente confortável para evitar que os mercados se deteriorem ainda mais. Os analistas acreditam que três vetores devem ser observados com a máxima cautela para suportar a tomada de decisões. A piora da bolsa só ocorreria se houvesse de fato uma queda acentuada do crescimento, ou seja, se as estimativas do PIB ficassem abaixo de 4%. Os outros dois vetores que merecem atenção são: a taxa de juro real projetada no mercado futuro para os próximos doze meses – Essa taxa deveria ficar sempre abaixo de 7% ao ano (o que significa que a inflação se situa dentro da meta do Banco Central) – e os resultados semanais da pesquisa FOCUS (pesquisa semanal que o Banco Central faz junto aos principais agentes do mercado) que indica a expectativa da inflação. Atualmente todos os fatores se encontram bem abaixo dos níveis máximos tolerados. O crescimento do PIB após a mais recente revisão aponta para um crescimento de 4,5%. A curva de juros futuros indica juros reais de 6,5% (por duas vezes nas últimas semanas essa taxa se aproximou de 6,8%, mas recuou rapidamente). E finalmente a inflação para 2012 apontada pela última pesquisa FOCUS está em 5,11% aproximando-se do centro da meta que é de 4,5%. A conclusão é de que como, neste momento, todos os vetores se encontram em níveis confortáveis, as expectativas ainda são positivas para o mercado acionário, o que poderá propiciar uma recuperação dos preços das ações até o final do ano.