OS PROBLEMAS ECONÔMICOS RESSALTAM A INCOMPETÊNCIA DO MINISTRO DA FAZENDA NOS 100 DIAS DO GOVERNO DILMA.

11 abril. 2011

Os 100 dias do governo Dilma deixaram, na área econômica, uma preponderante evidência: a percepção de que o Ministro da Fazenda já superou, em muito, os limites de sua capacidade para exercer o cargo que ocupa. Sua obstinação em adotar medidas paliativas, ineficazes e em doses homeopáticas levaram o País a ficar aprisionado em uma tríplice armadilha: o crescente déficit fiscal, a alta da inflação e a valorização do real. Essa incompetência somente não aflorou anteriormente porque havia um Banco Central com atuação independente na prática. Hoje, com um Banco Central subordinado, ou pelo menos alinhado, não há como mascará-la mais.

É evidente que a política econômica, iniciada no governo de Fernando Henrique e continuada por Lula, baseada no tripé – metas de inflação, câmbio flutuante e altos superávits primários – foi modificada. O Banco Central trabalha, agora, com o duplo objetivo de controlar a inflação e manter o crescimento econômico num ritmo considerado como adequado pelo governo. Essa opção ficou clara na entrevista concedida pela Presidenta Dilma, ao jornal Valor Econômico, na qual ela disse que pretende controlar a inflação e, ao mesmo tempo, crescer 5% ao ano.  

Alexandre Schwartsman, ex-diretor da área internacional do Banco Central, observa, com muita propriedade, que “a atual política econômica é um conjunto de ações mais ou menos desconexas que tenta atacar cada problema individualmente, sem uma avaliação mais cuidadosa das conseqüências como um todo”.
 O governo busca evitar a valorização cambial sem que seja levado em conta que ela neutraliza o impacto inflacionário da alta das commodities (ou seja, se o valor dólar aumentar, a inflação também aumentará). Toma medidas para refrear o ingresso de capitais e busca aumentar o investimento, que necessita de financiamento externo (ou seja, sem financiamento externo ou o governo investe diretamente e aumenta o déficit público ou libera créditos oficiais que voltam a irrigar o sistema financeiro e criar mais inflação). E, enquanto o Banco Central tenta, timidamente, frear a demanda, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) libera a sua imensa carteira de crédito, para emprestar recursos em montantes recordes (ou seja, o governo pretende aumentar a produção e ao mesmo tempo frear o consumo).

O desarme dessas armadilhas depende de medidas que vão além da retórica e as quais o atual Ministro parece não ter competência nem vontade de adotar.

Mas como diz o ditado, há males que vêm para o bem. Neste caso os males representados pela inflação em alta, o aumento do déficit público e o descontrole cambial, virão para o bem, que será a substituição da equipe econômica liderada pelo Ministro da Fazenda. Estou convicto de que isso é só uma questão de tempo. De pouco tempo. Não tenho dúvidas de que um plano B deve estar sendo orquestrado nos bastidores, pela equipe do Ministro da Casa Civil Antonio Palocci. Um plano capaz de reconduzir a política econômica ao caminho adequado. Espero que a Presidenta se decida logo, pois o plano será tão menos indolor quanto mais cedo for adotado. Isso vale para a sociedade brasileira e para o próprio governo. Esta não é uma questão de vidência, mas de clara evidência.

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