CUIDADO COM OS GORILAS QUE ESTÃO NO MERCADO

04 abril. 2011

Achei muito interessante o artigo publicado por Daniele Camba, repórter de investimentos do Valor Econômico, na edição do dia 4 de abril, com o titulo acima. Por isso resolvi posta-lo em meu blog. Espero que também gostem.

Em um vídeo chamado “O gorila invisível”, produzido pelo cientista comportamental Daniel J. Simons, três mulheres vestindo branco e outras três de preto jogam uma bolinha entre elas. Antes de começar o vídeo, o autor pergunta ao telespectador quantas vezes as mulheres de branco jogarão a bolinha entre si. Naturalmente, quem assiste ao vídeo se encarrega de prestar muita atenção nas três mulheres e, na maior parte das vezes, acaba acertando a resposta.

Em seguida, o autor pergunta se o telespectador viu o gorila. E a resposta invariavelmente é: que gorila? Pois é. Revendo o vídeo, percebe-se que, entre uma jogada e outra, aparece no meio da tela um homem fantasiado de gorila, que ainda para, bate no peito e depois sai de cena.

E o que o gorila faz na coluna de bolsa, onde costumam andar apenas touros e ursos? Segundo o estrategista de investimentos pessoais da Santander Asset Management e especialista em finanças comportamentais, Aquiles Mosca, o vídeo é a prova de que é impossível uma pessoa prestar atenção em tudo que está à sua volta. E mais: ela pode estar prestando atenção em algo secundário e acabar deixando passar algo muito mais importante.

“O investidor precisa tomar cuidado com os gorilas do mercado, que são muitos”, diz Mosca. Ele lembra que estudos recentes revelam que o cérebro processa entre 5 a 9 bytes de informações simultaneamente, sendo que cada byte equivale a cerca de 256 letras ou números. Isso pode parecer muito, mas é bastante limitado para a quantidade de informações que habitam o mercado financeiro a cada instante.

Investidor precisa saber identificar as grandes variáveis 

Mas, ao mesmo tempo em que existe uma quantidade enorme de informações, como o mercado é formado por seres humanos, um número muito pequeno de variáveis define o preço dos ativos.

Segundo Mosca, apenas quatro tipos de dados responderam por 70% do movimento do Índice Bovespa nos primeiros três meses deste ano. São eles: indicadores de inflação no Brasil, números sobre a atividade econômica local, inflação no mundo e indicadores de atividade econômica nos EUA e na Europa. Já há um ano e meio, o que definia o destino do mercado eram o nível de liquidez mundial, a saúde ou fragilidade dos bancos internacionais e o ciclo de queda da taxa de juros no Brasil.

 

O resumo dessa ópera, na visão do estrategista da Santander Asset, é que, no meio desse emaranhado de informações, o investidor precisa saber identificar quais são as mais importantes. “Do contrário, ele olhará tudo ao mesmo tempo e vários gorilas passarão despercebidos na sua frente, trazendo consequências para a sua carteira”, explica.

Outra conclusão é que o investidor também precisa estar atento para conseguir antecipar a mudança dessa meia dúzia de variáveis que ditam o destino dos papéis. “Num mercado em que tempo é dinheiro, sai na frente quem conseguir encontrar os gorilas primeiro”, completa o executivo da Santander Asset.

Daniele Camba é repórter de Investimentos do Valor Econômico 

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