A DIVINA COMÉDIA

22 abril. 2011

 Como dizia Dante em sua Divina Comédia, “é preferível um final com horror a um horror sem fim”.

Ao optar pela tímida elevação da taxa de juros em 0,25% deliberada na última reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), o Banco Central deixou claro que se conformou em perder a luta contra a inflação neste ano e mira a apenas a meta de 2012. Com essa decisão contraria a preferência de Dante, pois opta em conviver muito mais tempo com os horrores da inflação e arrisca-se temerariamente a perder totalmente o controle sobre ela.

Alguns economistas continuam argumentando que o aumento da inflação foge do controle porque decorre de choques internacionais de oferta e procura. Argumentam ainda que se o governo viesse a adotar medidas mais radicais de corte nos gastos públicos e aumento maior das taxas de juros, o ritmo da atividade econômica poderia cair a ponto de beirar a uma recessão e que os custos econômicos e sociais seriam enormes. Preferem sonhar com o mundo jogando a nosso favor e com a queda dos preços internacionais das commodities, se Deus quizer.

Pergunto o que é pior: uma inflação alta ou uma recessão branda?

Eu optaria sem dúvida por uma recessão branda, até porque ela poderia ser neutralizada por uma política menos complacente com a valorização do real. Se a nossa moeda se desvalorizasse e simultaneamente fosse reduzido um mínimo do custo Brasil (leia-se redução da escorchante carga tributária), nossas indústrias teriam seus produtos mais competitivos no exterior. Poderiam produzir mais e exportar mais, mantendo o nível de empregos no Brasil e incentivando a atividade econômica.

Entretanto, a decisão de tomar medidas mais drásticas contra o horror da inflação teria um custo político muito maior que econômico ou social, e isso é tudo o que o governo não quer.

Vamos esperar para ver como os mercados reagirão na próxima 2a. feira.

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Os jornais estampam em suas edições de hoje manchetes tais como: DÍVIDAS DOS EUA ABALAM OS MERCADOS.

De repente tudo se passa como se um dos deuses do Olimpo, descesse ao nosso mundo para nos alertar de que “se os déficits americanos continuarem crescendo, os Estados Unidos enfrentarão problemas no futuro”.  Será que ninguém jamais tinha ouvido falar nisso? Será que nenhum analista nunca escreveu nada sobre esse assunto? Foi preciso que essa “novidade” fosse informada apenas ontem pela agência de análise de risco Standard & Poor’s  (S&P) para que o mundo tomasse consciência da situação? A mesma S&P, que juntamente com as demais importantes agências de análise de risco (Fitch e Moods), foi incapaz de detectar toda a debilidade das operações sub-prime e atribuía notas de risco AAA às instituições financeiras responsáveis por tais operações e cuja bancarrota jogou o mundo, em 2008, na pior crise sistêmica da história.

E os mercados mundiais tremeram com essa “novidade”.

Isso é irracionalidade ou não?

Li nos jornais neste final de semana que o presidente do Banco Central, Alexandre Trombini, teria declarado enfaticamente, numa entrevista concedida em Washington, que “a forte entrada de capitais estrangeiros no Brasil é inflacionária”.  Por mais que medite sobre essa declaração eu não consigo entendê-la, em sua plenitude, decorrendo daí uma frustração por descobrir não ter aprendido nada em matéria de economia e finanças em anos de estudos no Brasil e no exterior. De acordo com tudo que aprendi, até hoje, o que ocorre é exatamente o contrário, ou seja, um forte ingresso de capitais, reduzindo a cotação do dólar e valorizando o real, faz com que os preços dos produtos importados e das commodities cotadas em dólar fiquem menores em reais, servindo como importante auxílio no combate da inflação no Brasil. Mesmo que o presidente do BC estivesse se referindo ao fato de que, com as cotações do dólar em baixa, os bancos locais poderiam vir a tomar financiamentos externos para aumentar os recursos destinados a empréstimos em reais, o que por sua vez aumentaria a disponibilidade de crédito dos consumidores brasileiros fomentando o aumento do consumo e que isso seria inflacionário caso a oferta de produtos não acompanhasse a demanda, ainda assim todo esse movimento seria meramente marginal em relação ao enorme volume de dólares que desembarca em nosso país a procura de investimentos (de curto ou longo prazo, especulativos ou não, não importa). Embora pudesse fazer algum sentido, existe um evidente descasamento entre causa e efeito nesse caso. Segundo tudo que aprendi o dólar em baixa se transforma numa âncora cambial sempre usada para combater a inflação. Se o presidente do BC fez mesmo essa declaração que lhe atribuem e se ele estiver certo vou ter que voltar a estudar teoria econômica novamente. E, se assim for, quais poderão ser meus professores e quais livros poderei ler?

 

Após quatro pregões de perdas consideráveis o Ibovespa mostrou alguma recuperação no pregão do dia 15, mas ainda assim a semana encerrou-se com uma desvalorização ao redor dos 3%, verificando-se grande volatilidade nas cotações. Essa volatilidade intensa  por que passa o índice é devida a um conjunto de variáveis ainda pouco claras.
O câmbio, apesar de todo esforço do governo, continua com tendência de valorização no curto prazo, e ninguém se arrisca sobre  qual será o piso das cotações. Para alguns analistas o governo parece estar disposto a aceitar um real mais forte que seria uma espécie de âncora no combate à inflação. O reconhecimento pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, dias atrás, de que o fluxo de capitais continua intenso e que a valorização do Real é inevitável mostraria uma mudança de atitude importante. Entretanto em nova declaração nesta sexta feira, o Ministro disse que o mercado interpretou erroneamente sua fala e que o governo continuará a adotar medidas para conter a entrada de capitais no país.
Muitos analistas descartam outras ações mais contundentes, pois o governo pode estar tentando agir de forma apenas verbal, uma vez que Mantega estaria ciente das limitações para contenção da queda do dólar, um movimento que se repete em escala global. É mais provável que o Banco Central continue a intervir pontualmente por meio de compras no mercado à vista, mas com a força da entrada de capital no Brasil, é possível que a eficiência seja baixa. 
Para não aumentar a pressão no câmbio, entre outros motivos, analistas estão apostando que o Copom (Comitê de Política Monetária) irá elevar a taxa básica de juros em apenas 0,25 pontos percentuais em sua próxima reunião, reduzindo assim o ritmo do aperto monetário.
Se, de fato, o Banco Central sinalizar uma interrupção do aperto, o Ibovespa poderá refletir uma reação positiva. 
As expectativas com o Copom devem dominar a pauta das análises nos próximos dias, com a semana mais curta por causa do feriado de Tiradentes e de Páscoa.  Mas, é preciso lembrar, que a decisão só será comunicada na quarta-feira (20), após o encerramento do pregão. Desse modo, a atenção do investidor ficará voltada, também, para a inflação, para a qual serão divulgados dois índices importantes como a segunda prévia do IGP-M e o IPCA-15, ambos de abril. 
Na cena externa, serão conhecidos os dados do mercado imobiliário nos Estados Unidos, especialmente os números referentes ao início da construção de novos imóveis e a concessão de alvarás para residências. A expectativa é de que esses dados devem dar um tom positivo ao mercado, lembrando que outros indicadores econômicos já divulgados, como produção industrial e confiança do consumidor, surpreenderam positivamente.
Na Europa, será publicado o PMI da Zona do Euro, que serve como uma preliminar da produção industrial e para o qual também se espera alta, bem acima da taxa de corte (que indica atividade crescente) de 50 pontos. Na quarta-feira Portugal deverá fazer nova emissão de títulos e a receptividade será importante mesmo após o pedido de ajuda financeira feito pelo país. Isso porque se a demanda for alta, o mercado ficará menos avesso ao risco e mais tranqüilo, também, em relação à Espanha.
Mas, se, por um lado, os indicadores acenam com otimismo, de outro, a temporada de balanços nos Estados Unidos, que se intensificará na próxima semana, pode trazer volatilidade. Por enquanto, os balanços de empresas de grande porte como a Alcoa,  o Google e o Bank of America Merrill Lynch ficaram aquém das estimativas. 
Para a próxima semana, Citigroup, Intel, Apple e Wells Fargo são algumas das empresas que reportarão seus balanços do primeiro trimestre de 2011. Não me surpreenderia se a semana for positiva para o mercado, corrigindo parte das perdas recentes e voltando o Ibovespa a superar o patamar dos 67 mil pontos.

Os 100 dias do governo Dilma deixaram, na área econômica, uma preponderante evidência: a percepção de que o Ministro da Fazenda já superou, em muito, os limites de sua capacidade para exercer o cargo que ocupa. Sua obstinação em adotar medidas paliativas, ineficazes e em doses homeopáticas levaram o País a ficar aprisionado em uma tríplice armadilha: o crescente déficit fiscal, a alta da inflação e a valorização do real. Essa incompetência somente não aflorou anteriormente porque havia um Banco Central com atuação independente na prática. Hoje, com um Banco Central subordinado, ou pelo menos alinhado, não há como mascará-la mais.

É evidente que a política econômica, iniciada no governo de Fernando Henrique e continuada por Lula, baseada no tripé – metas de inflação, câmbio flutuante e altos superávits primários – foi modificada. O Banco Central trabalha, agora, com o duplo objetivo de controlar a inflação e manter o crescimento econômico num ritmo considerado como adequado pelo governo. Essa opção ficou clara na entrevista concedida pela Presidenta Dilma, ao jornal Valor Econômico, na qual ela disse que pretende controlar a inflação e, ao mesmo tempo, crescer 5% ao ano.  

Alexandre Schwartsman, ex-diretor da área internacional do Banco Central, observa, com muita propriedade, que “a atual política econômica é um conjunto de ações mais ou menos desconexas que tenta atacar cada problema individualmente, sem uma avaliação mais cuidadosa das conseqüências como um todo”.
 O governo busca evitar a valorização cambial sem que seja levado em conta que ela neutraliza o impacto inflacionário da alta das commodities (ou seja, se o valor dólar aumentar, a inflação também aumentará). Toma medidas para refrear o ingresso de capitais e busca aumentar o investimento, que necessita de financiamento externo (ou seja, sem financiamento externo ou o governo investe diretamente e aumenta o déficit público ou libera créditos oficiais que voltam a irrigar o sistema financeiro e criar mais inflação). E, enquanto o Banco Central tenta, timidamente, frear a demanda, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) libera a sua imensa carteira de crédito, para emprestar recursos em montantes recordes (ou seja, o governo pretende aumentar a produção e ao mesmo tempo frear o consumo).

O desarme dessas armadilhas depende de medidas que vão além da retórica e as quais o atual Ministro parece não ter competência nem vontade de adotar.

Mas como diz o ditado, há males que vêm para o bem. Neste caso os males representados pela inflação em alta, o aumento do déficit público e o descontrole cambial, virão para o bem, que será a substituição da equipe econômica liderada pelo Ministro da Fazenda. Estou convicto de que isso é só uma questão de tempo. De pouco tempo. Não tenho dúvidas de que um plano B deve estar sendo orquestrado nos bastidores, pela equipe do Ministro da Casa Civil Antonio Palocci. Um plano capaz de reconduzir a política econômica ao caminho adequado. Espero que a Presidenta se decida logo, pois o plano será tão menos indolor quanto mais cedo for adotado. Isso vale para a sociedade brasileira e para o próprio governo. Esta não é uma questão de vidência, mas de clara evidência.

 

O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, cometeu inúmeros e bizarros erros ao anunciar a elevação da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1,5% para 3 % ao ano. O Ministro se confundiu diversas vezes e as assessorias de impressa da Fazenda e do Banco Central tiveram que corrigir as informações prestadas, posteriormente. O que teria acontecido com o Ministro? Estaria nervoso ou mal informado? Ou ambos?

De fato o que se pode avaliar é que o aumento do IOF terá um efeito pífio sobre as compras a prazo e os empréstimos às pessoas físicas, porque individualmente os aumentos das parcelas a pagar serão irrisórios. Entretanto esse aumento representará uma entrada adicional bastante polpuda de recursos nos cofres do governo (1,5% sobre o total de empréstimos e financiamentos do país). No inicio de 2008, exatamente o mesmo aumento foi aplicado e naquele ano a arrecadação do IOF mais do que dobrou, passando de R$ 3 bilhões para R$ 7,6 bilhões. O estoque atual dos financiamentos é da ordem de R$ 800 bilhões. Considerando-se um aumento de 15% nessa base (mesmo após o incremento da alíquota), o aumento da arrecadação deverá ser em torno de R$ 13,5 bilhões nos próximos doze meses. Essa é a lei dos grandes números.

Do ponto de vista prático, querer reduzir o consumo via aumento do IOF é balela pura, assim como foi balela o aumento do IOF sobre as compras com cartão de crédito no exterior de 3% para 6%, sob alegação de ser uma medida para controle do fluxo cambial. O Senhor Ministro quer enganar a quem?

O que o governo, pretende na verdade, é arrecadar mais, para cobrir o déficit público que se acentua. Se o objetivo fosse mesmo uma redução do consumo, seria muito mais eficiente reduzir os prazos de financiamento, isso sim com impacto forte juntos aos consumidores, pelo aumento expressivo das parcelas a pagar. Mas obviamente o governo não quer assumir o ônus político de tomar uma medida antipopular como essa e através da qual não iria arrecadar um centavo a mais.

Atuando assim, por meio de subterfúgios, o governo só consegue trazer desconfiança e intranqüilidade ao mercado financeiro, onde não existem ingênuos e incompetentes que engolem as tolices que são ditas.

A cotação do Ouro atingiu nova máxima histórica , negociado na bolsa de mercadorias e futuros COMEX nos Estados Unidos..A cotação atingida foi de US$ 1.461,10 a onça troy, de Ouro. Os analistas justificam a alta no preço do metal pelos receios dos investidores com a dívida pública européia, em especial a de Portugal, no momento pagando as taxas de juros mais altas das últimas décadas, depois do rebaixamento pelas agências de classificação de risco internacionais. A queda da cotação do Dólar contra outras moedas também ajuda a commodity a se valorizar depois que a minuta da última reunião do FED não estabeleceu um futuro exato para o fim do afrouxamento monetário no país.