NOVA BOLSA DE VALORES PARA CONCORRER COM A BM&F BOVESPA

16 fevereiro. 2011

 

 De algum tempo para cá vêm sendo lançadas, na mídia, notícias sobre a intenção de alguns grupos de criar no Brasil uma nova bolsa de valores para concorrer com a BM&F BOVESPA, a qual praticamente mantém o monopólio dessa atividade no país. No dia em que a Deutsche Boerse AG e a  Nyse Euronext anunciam sua fusão e vinte dias após a Bolsa de Londres ter adquirido a bolsa de Toronto, a Bats Global Markets (uma operadora global de bolsas sediada nos Estados Unidos) e Claritas (uma gestora brasileira de recursos) vêm a público para informarem que assinaram um memorando de entendimentos com o objetivo de estudarem a viabilidade da criação de uma nova bolsa no Brasil. “A nova bolsa que a Bats Global Markets e a Claritas pretendem criar no Brasil terá como um dos principais diferenciais os custos” apregoa o chefe para desenvolvimento de negócios globais da Bats Global Markets, Ken Conlin. Numa etapa inicial, em que se mencionam apenas intenções para a condução de estudos preliminares, parece ser demasiado precoce que sejam feitos comentários envolvendo custos mais competitivos numa operação desse porte, embora possa ser esse o objetivo.

Por essas e outras, a preocupação parece ser exagerada.  Ademais a BM&F BOVESPA é a quarta maior bolsa do mundo em valor de mercado e a instalação de mais uma bolsa de valores no Brasil parece ser o caminho contrário do que está acontecendo no mundo atualmente, como indicamos acima, uma vez que as instituições, desse tipo, estão buscando associarem-se. Nesse sentido a BM&F BOVESPA, pela presença e extensão com que atua no mercado brasileiro, seria um alvo perfeito para uma fusão, o que a tornaria ainda mais forte e com o benefício de ter os custos operacionais reduzidos. Considere-se ainda que a atuação de uma nova bolsa no mercado nacional dependeria fortemente da adesão das corretoras de valores para atrair clientes, algo difícil de ocorrer na visão de muitos analistas, em função dos interesses recíprocos dessas instituições com a BM&F BOVESPA. Outro ponto crucial a ser levado em conta é se de fato existe espaço para a atuação de duas bolsas em nosso mercado, sem contar com todos os aspectos burocráticos envolvidos num projeto como esse.

Nesse contexto, acredito que serão necessários vários anos, muito trabalho e investimentos substanciais para a criação e o desenvolvimento de algum tipo de produto que seja suficientemente inovador para que uma nova bolsa possa obter sucesso na competição com a forte influência e a tradição que a BM&F BOVESPA desfruta no Brasil e no mundo.

 Mas se o cenário é ainda tão nebuloso, como explicar a derrocada dos papéis da empresa que já caíram 12,8% (4,74% só no dia 15/2) no ano. É evidente que, na dúvida, os investidores preferem ficar fora desse papel, mas será esse o caso, ou haverá alguma outra força misteriosa por trás dessa movimentação. Em nossa visão o que há de realmente inconteste nessa questão é o fato positivo de que o número de investidores irá crescer exponencialmente nos próximos anos, o que, sem dúvidas, dará mais robustez ao mercado acionário e poderá conduzir a uma valorização das ações negociadas nesse mercado.

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4 Respostas to “NOVA BOLSA DE VALORES PARA CONCORRER COM A BM&F BOVESPA”


  1. Boa Paizão!
    Achei o texto muito bom e informativo, gostei do lay ou e da sua foto!
    Beijos e sucesso na sua nova empreitada como blogueiro!


  2. Provavelmente em função das notícias sobre a criação de uma nova bolsa no Brasil, a BM&FBovespa apressou-se em confirmar ontem (18 de fevereiro), por meio de sua assessoria de imprensa, que vai assinar na segunda feira (21 de fevereiro) memorando de entendimento com a Bolsa de Xangai. Segundo a BM&FBovespa o memorando prevê o “o inicio de discussão de oportunidades de negócios entre ambas as bolsas que deve facilitar para os investidores e emissores o acesso aos mercados”. Por outro lado o relatório da administração que acompanhou as demonstrações financeiras publicadas no dia 18/2 já incluia um tópico específico sobre internacionalização, no qual destaca entre outros a assinatura de um “acôrdo de intenções com a Bolsa de Hong Kong para estabelecer uma parceria que permita a dupla listagem de empresas e facilite o acesso dos investidores de cada país aos dois mercados”. As ações da empresa subiram 2% no pregão do dia 18/2.

  3. cristiane Says:

    Sr. Dias, ótimos temas abordados e didaticos, parabéns.


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