Os mercados globais que, assustados com as mudanças ocorridas no Egito, já estavam quase se acalmando, viram irromper vários movimentos, nascidos no seio da juventude, que estão se alastrando para outros países do norte da África do Oriente médio. Desde o último final de semana, ocorreram protestos e reivindicações em países como Argélia, Bahrein, Iêmen, Líbia e Marrocos.

 Tais movimentos me fazem lembrar os versos de nosso glorioso Castro Alves, que morto em 1871, aos 24 anos, deixou-nos estrofes tão atuais:

Quando nas praças se eleva

Do povo a sublime voz…

Um raio ilumina a treva

O Cristo assombra o algoz…

                ***

A praça! A praça é do povo

Como o céu é do condor

É o antro onde a liberdade

Cria águias em seu calor.

Senhor!…pois quereis a praça?

Desgraçada a populaça

Só tem a rua de seu.

Ninguém vos rouba os castelos

Tendes palácios tão belos

Deixai a terra ao Anteu.

                ***

Mas embalde…Que o direito

Não é pasto de punhal

Nem a patas de cavalo

Se faz um crime legal…

Ah! Não há muitos setembros

Da plebe doem-lhe os membros

No chicote do poder,

E o momento é malfadado

Quando o povo ensangüentado

Diz: já não posso sofrer.

               ***

Mas parece que os governantes daquelas regiões continuam imaginando que podem se perpetuar no poder e teimam em ignorar os anseios por mudanças mais abrangentes que vêm emanando da população de seus países e ganhando importância sistêmica. São na grande maioria reivindicações de melhores condições de vida, mais empregos e mais liberdade.

As eclosões desses movimentos simultâneos, se já não atingiram, estão muito próximas de atingirem o ponto de “no return” com implicações para a economia mundial. E os países ocidentais, meio que perplexos, percebem que há muito pouca coisa que possam fazer para compensar os efeitos econômicos desses eventos, no curto prazo. Dentre esses efeitos, pode-se elencar três mais importantes: o aumento do preço do petróleo e os efeitos inflacionários dele decorrentes; uma maior estocagem preventiva de outras commodities cujo efeito será também uma elevação de preços e o fato de que os países da região muito provavelmente irão diminuir sua importações, afetando o comércio exportador de outros países. Nesse ambiente, momentaneamente conturbado, os países ocidentais podem permanecer apenas como meros expectadores, tentando tão somente intervirem, por meio de notas de protestos e pela ação limitada dos órgãos internacionais, para reduzir o uso e os efeitos da violência contra os manifestantes.

Alguns governantes, de países mais sujeitos a um contágio, estão tentando tomar algumas providências para evitá-lo. É o caso do rei Abdullah da Arábia Saudita que retornou ao seu país, após três meses de ausência para tratamento de saúde. Abdullan ordenou, entre outras medidas, que fossem efetuadas doações de milhões de dólares para famílias pobres e um perdão de dívidas para quem não tenha condições efetivas de quitá-las, esperando com isso evitar que movimentos reivindicatórios cheguem à Arábia Saudita.

Nos próximos dias será possível avaliar, com maior precisão, a reação dos mercados diante de todos esses acontecimentos e seus desdobramentos. Se a situação não se acalmar rapidamente, é possível que um movimento de aversão ao risco, de maior intensidade, se espalhe pelos mercados de ações e de crédito. Mas como não há mal que sempre dure, toda essa preocupação provavelmente diminuirá, na medida em que ocorra a percepção de maior estabilidade no longo prazo nessa região. Vamos aguardar e esperar que Castro Alves seja mais lido.

A Usiminas divulgou, por meio de fato relevante, que os três principais grupos controladores, Camargo Correa, Votorantim e Nippon Steel, os quais possuem juntos 53,7% do capital votante da empresa, modificaram o acordo de acionistas vigente, que vigoraria até 2016, prorrogando-o até 2031. O novo acordo exclui do grupo controlador, a partir de 2016, o Clube de Empregados da Usiminas (CEU) que hoje detém 10,1% do capital votante. Esse evento é importante porque, no momento, cerca de 80% do patrimônio do CEU está investido em ações da Usiminas, o que é muito para um fundo previdenciário. Por esse motivo a participação do CEU sempre foi vista, pelo mercado, como um alvo para quem desejasse entrar no grupo controlador da empresa, muito embora tanto a Nippon Steel , quanto a Votorantim e a Camargo Correa detivessem direitos de preferência em caso de alienação dessas ações. Ocorre que, em algum momento, o CEU terá que se desfazer das ações que possui para poder cumprir os compromissos com a aposentadoria de seus associados. A CSN havia divulgado, também por meio de fato relevante, alguns dias atrás, que já havia adquirido 5% das ações ordinárias da Usiminas e que, eventualmente, poderiam ser feitas aquisições adicionais para superar os 10% do capital votante. É evidente que uma aquisição desse porte teria como objetivo forçar a entrada no grupo de controle. Com o fechamento desse grupo, parece definitivamente afastada qualquer possibilidade da família Steinbruch, que controla a CSN, entrar no grupo de controle da Usiminas. Essa possibilidade, na visão do mercado, representava  uma fraqueza da Usiminas, e, portanto, o fechamento do grupo controlador, seguramente, trará tranqüilidade para o futuro da empresa, afastando os fantasmas que rondavam-na.

Ma s não param aí as boas noticias. Hoje, também através de outro fato relevante, a empresa anunciou que foi encerrado, com sucesso, o processo de venda da participação que ela detinha na Terium, o que trará para os cofres da empresa a expressiva cifra de US$ 1,06 bilhão. Não foi divulgado o resultado dessa operação, mas considerando-se que o investimento registrado em 30/09/2010 representava R$ 1, 6 bilhões, pode-se deduzir que o lucro estaria na casa dos R$ 300 milhões, líquidos de impostos.

Para fechar o ciclo de boas notícias, para a empresa, está certo que as siderúrgicas irão promover um aumento de preços de seus produtos, à partir de março, variando entre 8% e 13%, aumentos plenamente viáveis uma vez que o preço dos produtos siderúrgicos já subiram na Europa e as importações de aço foram reduzidas em aproximadamente 30%.

Por tudo isso, acredito que a Usiminas esteja num ponto de inflexão positivo e que suas ações poderão voltar a ser, em breve, uma das preferidas do mercado.

 Chamou minha atenção, recentes declarações do Sr. Eike Batista, no sentido de que, após muitos anos dedicados à prospecção de novas jazidas de ouro, ele resolveu mudar seu foco para a prospecção de petróleo. Essa mudança, segundo ele, foi motivada pelo fato de que a possibilidade de sucesso, no caso do ouro, é de 1 para 18.000, enquanto que no caso do petróleo é de 50%, ou seja de 1 para 2. Não sei se a disparidade é assim tão grande, mas o The Wall Street Journal publicou o artigo: MINERADORAS CAVAM (MUITO) MAIS FUNDO EM BUSCA DE OURO, o qual de certa forma corrobora as declarações do Sr. Eike. O artigo enfatiza a escassez de novas jazidas mundiais de ouro, o que está levando as mineradoras da África do Sul (o principal pais produtor com 2/3 da produção mundial) a aprofundar as escavações em suas jazidas atuais, buscando conseguir explorar novos veios. Atualmente existem minas, como a de Mponeng, em Joanesburgo, nas quais a exploração já atingiu a incrível profundidade de 4.000 metros e assim mesmo a AngloGold Ashanti Ltd., proprietária da mina, já planeja ir aos 5.000 metros. O mesmo vem ocorrendo no Canadá onde a exploração de algumas importantes jazidas já requer escavações aproximando-se dos 3.000 metros de profundidade. De acordo com o World Gold Council, a quantidade de ouro extraída em toda a história da humanidade é da ordem de 150.000 toneladas e as reservas, hoje dimensionadas, não superam 60.000 toneladas. Considerando-se que a extração anual atualmente está em tôrno de 3.000 toneladas, em 20 anos estariam exauridas todas as reservas conhecidas e economicamente viáveis.

 Enquanto isso a população mundial cresce sem parar e os meios de pagamento se expandem em progressão geométrica, levando a crer que o preço do ouro vai apresentar uma elevação contínua nas próximas décadas.

Historicamente o ouro sempre foi considerado como um investimento defensivo, em especial em tempos de crises, ocasiões em que os aplicadores buscam nele alguma segurança.

Uma das vantagens do ouro é tratar-se de um ativo de elevada liquidez e que pode ser, fácil e rapidamente, transformado em dinheiro.

O ouro como mercadoria

 Até um passado recente era difícil transacionar com ouro no mercado financeiro. Ainda hoje a grande maioria dos investidores nem sabe como fazê-lo. Somente os grandes investidores, os fundos de investimentos e as instituições financeiras (aí incluídos os Bancos Centrais) atuavam nesse mercado. Mas esse cenário está mudando rapidamente e as aplicações têm atraído cada vez mais a atenção de investidores de médio porte. O mercado de ouro, assim como o mercado de ações, integra o grupo dos chamados mercados de risco já que suas cotações variam segundo a lei da oferta e da procura. No mercado internacional, os principais centros que negociam ouro são Londres e Zurique  na Europa e a Bolsa de Mercadorias de Nova York (COMEX) nos Estados Unidos. Há, nesta última praça, um forte mercado de balcão para o ouro físico.

As operações com ouro no Brasil

No Brasil, o maior volume de comercialização de ouro se faz no ambiente da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F BOVESPA). As cotações do ouro, no exterior, são feitas em relação à onça troy, que equivale a 31,104g. No Brasil, a cotação é feita em reais por grama de ouro puro. O preço do ouro, no Brasil, vincula-se, historicamente, às cotações de Londres e Nova York, refletindo, portanto, as expectativas do mercado internacional. Sofre, entretanto, influência direta das perspectivas do mercado interno e, principalmente, das cotações do dólar flutuante.  Atualmente há dois mercados no Brasil para o ouro:

  1. mercado de balcão – operações são fechadas via telefone; após o pagamento, o comprador tem duas opções:  deixar o ouro depositado em custódia em uma instituição financeira, levando consigo um certificado de custódia ou retirar fisicamente a quantidade de ouro adquirida.
  2. mercado spot nas bolsas – a entrega do ouro se dá em 24 horas, os volumes negociados são transferidos automaticamente entre as contas dos clientes em diferentes instituições financeiras, sem que o metal passe pelas mãos de quem negocia.

Novas opções para o pequeno investidor

Atualmente, no âmbito do mercado de balcão, está sendo oferecida pela OUROMINAS, a possibilidade de aquisição de barras de ouro (à partir de 1 grama), as quais se apresentam lacradas em cartões semelhantes aos cartões de crédito. O investidor pode manter essas barras em seu poder e desde não destrua o lacre, tem a recompra garantida, de acordo com a cotação do dia da transação. Essa empresa tem procurado incentivar o hábito de se adquirir ouro, lançando cartões com temas comemorativos (que se prestam para coleções) e cartões para presentes em datas especiais (nascimento,aniversário, natal, dia das mães, dos pais, etc). Existem, também, cartões vinculados a clubes de futebol, para serem consumidos por torcedores.

Perspectivas das aplicações em ouro.

Nos últimos doze meses as cotações do ouro apresentaram valorização ao redor de 24%. Atualmente o grama está cotado em R$ 78 na BMF&Bovespa e a onça troy em US$ 1.390 na COMEX. Os analistas prevêem que, até o final de 2011, a onça troy possa superar  US$ 1.800 e o grama R$ 105. Confirmadas essas previsões a rentabilidade será apreciável. Por todos esses motivos estou convencido de que, em futuro próximo, o ouro passará a integrar o portfólio da maioria dos investidores, inclusive como um importante ítem de diversificação das aplicações, substituindo as reservas que muitos gostavam de fazer em moeda estrangeira, especialmente o dólar. A tributação das operações com ouro segue as mesmas regras do mercado acionário, estando o lucro auferido sujeito a uma alíquota de 20%, desde que o montante das vendas realizadas supere a quantia de R$ 20.000,00 por mês.

 

 De algum tempo para cá vêm sendo lançadas, na mídia, notícias sobre a intenção de alguns grupos de criar no Brasil uma nova bolsa de valores para concorrer com a BM&F BOVESPA, a qual praticamente mantém o monopólio dessa atividade no país. No dia em que a Deutsche Boerse AG e a  Nyse Euronext anunciam sua fusão e vinte dias após a Bolsa de Londres ter adquirido a bolsa de Toronto, a Bats Global Markets (uma operadora global de bolsas sediada nos Estados Unidos) e Claritas (uma gestora brasileira de recursos) vêm a público para informarem que assinaram um memorando de entendimentos com o objetivo de estudarem a viabilidade da criação de uma nova bolsa no Brasil. “A nova bolsa que a Bats Global Markets e a Claritas pretendem criar no Brasil terá como um dos principais diferenciais os custos” apregoa o chefe para desenvolvimento de negócios globais da Bats Global Markets, Ken Conlin. Numa etapa inicial, em que se mencionam apenas intenções para a condução de estudos preliminares, parece ser demasiado precoce que sejam feitos comentários envolvendo custos mais competitivos numa operação desse porte, embora possa ser esse o objetivo.

Por essas e outras, a preocupação parece ser exagerada.  Ademais a BM&F BOVESPA é a quarta maior bolsa do mundo em valor de mercado e a instalação de mais uma bolsa de valores no Brasil parece ser o caminho contrário do que está acontecendo no mundo atualmente, como indicamos acima, uma vez que as instituições, desse tipo, estão buscando associarem-se. Nesse sentido a BM&F BOVESPA, pela presença e extensão com que atua no mercado brasileiro, seria um alvo perfeito para uma fusão, o que a tornaria ainda mais forte e com o benefício de ter os custos operacionais reduzidos. Considere-se ainda que a atuação de uma nova bolsa no mercado nacional dependeria fortemente da adesão das corretoras de valores para atrair clientes, algo difícil de ocorrer na visão de muitos analistas, em função dos interesses recíprocos dessas instituições com a BM&F BOVESPA. Outro ponto crucial a ser levado em conta é se de fato existe espaço para a atuação de duas bolsas em nosso mercado, sem contar com todos os aspectos burocráticos envolvidos num projeto como esse.

Nesse contexto, acredito que serão necessários vários anos, muito trabalho e investimentos substanciais para a criação e o desenvolvimento de algum tipo de produto que seja suficientemente inovador para que uma nova bolsa possa obter sucesso na competição com a forte influência e a tradição que a BM&F BOVESPA desfruta no Brasil e no mundo.

 Mas se o cenário é ainda tão nebuloso, como explicar a derrocada dos papéis da empresa que já caíram 12,8% (4,74% só no dia 15/2) no ano. É evidente que, na dúvida, os investidores preferem ficar fora desse papel, mas será esse o caso, ou haverá alguma outra força misteriosa por trás dessa movimentação. Em nossa visão o que há de realmente inconteste nessa questão é o fato positivo de que o número de investidores irá crescer exponencialmente nos próximos anos, o que, sem dúvidas, dará mais robustez ao mercado acionário e poderá conduzir a uma valorização das ações negociadas nesse mercado.

O QUE SEGURA O IBOVESPA

16 fevereiro. 2011

O QUE ESTÁ SEGURANDO O ÍNDICE IBOVESPA

O índice Ibovespa, como se sabe, é composto pelas ações de uma série de empresas, escolhidas de acordo com o volume das negociações realizadas. Não são, portanto, todas as ações que são negociadas na BOVESPA que integram o índice. Em consonância com os volumes negociados, as ações têm um peso maior ou menor na composição do índice. Por esse motivo, o mercado brasileiro hoje depende em grande parte dos três maiores volumes negociados representados por ações ordinárias e preferenciais das empresas OGX Petróleo, Petrobras e Vale. Sem a valorização dessas empresas, por mais que outras empresas se valorizem, o índice Ibovespa fica praticamente estagnado. Uma análise sucinta, dessas três empresas, permite chegar a algumas conclusões sobre o mercado no neste momento. OGX Petróleo em termos de volume hoje é a terceira ação mais negociada na bolsa. Seus papéis vêm sofrendo desvalorização desde o início de novembro de 2010 e infelizmente não há nada que faça com que os preços saiam de sua tendência de queda. Recentemente o papel perdeu a tendência de alta que vinha apresentando desde o final de 2008, quando foi rompido o suporte de R$ 18,51 em dezembro. Nem mesmo as informações divulgadas envolvendo os resultados finais positivos sobre a vazão de alguns poços e o inicio da produção prevista para agosto de 2011, conseguiram animar os investidores. As cotações que atingiram R$ 23,39 em 14 de outubro de 2010 estão hoje ao redor dos R$ 17,50. A Petrobras é a segunda ação mais negociada na bolsa brasileira. A situação da maior petrolífera brasileira e uma das maiores do mundo parece ter se estabilizado. Depois do estrago provocado pela diluição da participação dos acionistas minoritários no ano passado, em função do enorme aumento de capital, as ações preferenciais estão oscilando na faixa entre os R$ 25,00 e R$ 28,00. Acima desse valor os papeis deverão encontrar grandes resistências para alcançar um patamar ascendente. A ação da Vale vai em sentido contrário ao das outras duas  sendo, atualmente, a mais negociada do índice Ibovespa. As ações preferenciais da mineradora ainda não perderam a tendência de alta iniciada desde a crise de 2008. Apesar de sofrer junto com o mercado recentemente, a maioria dos analistas não deixa de incluí-la em suas recomendações de compra. A previsão é de que os papéis deverão encontrar resistência apenas acima dos R$ 54,00, quando deverão procurar testar o topo de preço histórico na casa de R$ 59,00. Entretanto somente quando os problemas envolvendo as ações da OGX Petróleo e da Petrobras forem resolvidos, sejam êles quais forem, é que o índice Ibovespa poderá apresentar uma alta consistente. Vamos aguardar.