O primeiro mês de 2013 foi marcado pela continuação do aumento do apetite ao risco visto na virada do ano. As principais bolsas marcaram desempenhos positivos no período. Suportando este comportamento, a economia mundial emitiu sinais mais animadores quanto ao atual momento de atividades. O ano começou num tom mais positivo, com um balanço de riscos mais favorável, em que os Estados Unidos não despencaram no abismo fiscal e a economia chinesa confirmou o momento de retomada das atividades. A Europa, mesmo em dificuldades, vem avançando e deixou de ser uma fonte de incertezas no momento, à medida que o Banco Central Europeu tem, pronto para ser usado, novo plano de compras de títulos. Riscos, no entanto, persistem. Os políticos norte-americanos estão prontos para uma nova batalha sobre as finanças do país — agora sob o pretexto do teto da dívida pública. Na Europa, o sistema político continuará a ser bastante exigido pela necessidade de reformas estruturais. Nesse contexto, o Brasil voltou a sentir que os velhos problemas e os mesmos fantasmas que assombraram os mercados em 2012 ainda rondam neste início de 2013. As condições macroeconômicas ainda seguem num tom de deterioração. Os agentes continuam ajustando suas expectativas para um ano de crescimento ainda fraco e uma inflação ainda bastante pressionada. Para piorar este quadro e contribuir para a elevação das incertezas atravessamos um período de risco de racionamento que pode afetar de maneira decisiva a retomada econômica esperada. Apesar de julgamos uma probabilidade bastante baixa de racionamento, apenas o risco pode impor alguma deterioração na confiança dos agentes, tornando a recuperação industrial ainda mais frágil. Nesse contexto, o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) manteve a taxa de juros básica (Selic) em 7,25% ao ano. A decisão foi unânime e em linha com as expectativas de mercado. No comunicado que acompanhou a decisão, o Copom reconheceu a piora da inflação no curto prazo e ressaltou que “a recuperação da atividade doméstica é menos intensa do que o esperado”. Nesse ambiente ainda difuso, a bolsa brasileira segue sendo o destaque negativo, quando comparada com os índices acionários globais. A variação acumulada no mês de janeiro é de queda de -1,95%. Apenas como referencial, o índice norte-americano mais negociado do mundo, S&P500, acumula alta de +5,20%. Se em termos macroeconômicos o cenário não mudou, em termos microeconômicos não pode se dizer o mesmo. Além das preocupações quanto a um possível racionamento de energia (mencionada acima) e sua eventual repercussão para a indústria, adicionalmente, eventos particulares como o fraco reajuste de preços para a Petrobras, as pesadas autuações sofridas pela Natura e pela MMX, contribuíram para uma queda sensível de nosso índice. Outros fatos que merecem destaque são: a destacar  destacamos:  anúncio do aumento de 20% para 25% do percentual de etanol na mistura de gasolina; complexo de Cozumel da OGX revelou ser um poço seco;  aquisições da Profarma (gerando outro grande player no setor de farmácias);  interesse de Abílio Diniz em entrar na BR Foods; (vii) entrada da MRV na lista de trabalho escravo.  Tudo isso tem importante peso na performance da Bovespa. O mês de fevereiro, inclusive devido ao carnaval, não deverá apresentar movimentos bruscos. No 1º. Pregão do mês a Bolsa subiu 1 %.

Europa –

Os dados econômicos na Europa continuam apontando para um quadro de atividade fraco e sem sinais consistentes de recuperação. No entanto, o bloco continua contribuindo para a melhora no apetite por risco nos mercados globais à medida que parou de ser uma fonte de incerteza relevante, conforme vimos em meados do ano passado. A necessidade de reformas estruturais continuará exigindo medidas do governo e entendemos que os riscos políticos na região continuam elevados, porém decadentes, o que tem ajudado na recuperação do humor dos investidores e deverá se manter assim neste mês que se inicia.

Ásia –

Dois fatores vêm marcando de maneira decisiva o comportamento positivo dos ativos de risco na região. No Japão, a nova administração vem usando o Banco Central de maneira bastante ativista para prover toda a injeção de capital necessária para reanimar a atividade e combater os problemas de deflação. A moeda do país continuou no seu movimento de desvalorização impulsionando o índice acionário local, que já acumula no ano uma alta de 7,15%. Na China, a divulgação mais recente do HSBC PMI, referente a janeiro, apontou o 5º aumento consecutivo na pesquisa, que passou a registrar 51,9 pontos, marcando o maior nível desde janeiro de 2011. A leitura direta deste indicador é que após um longo processo de ajuste na economia visto pela desaceleração em 2012, o setor industrial está motivado em retomar as atividades e o processo de reestocagem. A pesquisa apontou uma maior aceleração do ritmo de produção, aquisição de matérias primas e contratação de mão-de-obra, mesmo com uma demanda externa ainda frágil. Tal conjuntura corrobora, junto com os dados macros recentes da economia, uma virada do ano a um ritmo mais robusto que o observado recentemente.

EUA –

Continuamos recebendo os indicadores econômicos referentes ao final do ano passado e o que podemos observar é uma resiliência da maior economia do mundo em passar por períodos adversos de incertezas. Vale lembrar que os dois últimos meses do ano anterior foram marcados por eleição presidencial, catástrofe climática e paralisia diante da resolução do impasse fiscal. Mesmo assim, a economia norte-americana continua emitindo sinais consistentes de um crescimento econômico, a julgar pelos dados de consumo e mercado de trabalho. Julgamos mais provável que a dinâmica dos dados continue suportando esta resiliência, o que será positivo para sustentar as recentes altas nas bolsas do país. Por outro lado, vale monitorar a proximidade com as discussões fiscais sobre a elevação no teto da dívida pública que, independente do desfecho, atuará negativamente no comportamento dos ativos de risco.

Brasil – Retomada ainda frágil.

No Brasil, a retomada é frágil e o investimento privado continua a decepcionar. A política econômica tornou-se mais complexa. Para conter a inflação, as autoridades atuaram para evitar novas rodadas de depreciação do real, e esperamos que a moeda seja controlada para ficar muito próxima ao nível de U$ 2,00. Para piorar a expectativa de recuperação das atividades da indústria, o início do ano foi marcado pelo baixo nível dos reservatórios hidrográficos. Diante deste quadro, o mercado vem discutindo a possibilidade de um racionamento de energia elétrica. O ambiente de retomada do crescimento e a queda das tarifas elétricas, por conta das medidas governamentais, tendem a impulsionar ainda mais o consumo. Entretanto, o impulso dado por esses efeitos é incerto e o volume de chuvas, difícil de ser estimado. O racionamento surge como um risco, mas não nos parece o cenário base. Por enquanto, o mais provável é que o uso complementar de energia térmica gere alguma pressão adicional na inflação, por ser mais cara. Julgamos que a inflação mostre um resultado bastante pressionado em janeiro, mas depois acabe cedendo devido aos impactos do corte de energia elétrica. Nesse cenário, não vemos alteração na política monetária em um horizonte de tempo razoável e julgamos que os números de atividade deverão mostrar mais vigor apenas no segundo trimestre.

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Os números de 2012

05 janeiro. 2013

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

600 pessoas chegaram ao topo do Monte Everest em 2012. Este blog tem cerca de 6.300 visualizações em 2012. Se cada pessoa que chegou ao topo do Monte Everest visitasse este blog, levaria 11 anos para ter este tanto de visitação.

Clique aqui para ver o relatório completo

 A única certeza que se pode ter neste início de ano novo é que os juros em 2013 continuarão baixos. O cenário deve permanecer praticamente inalterado para os produtos mais tradicionais o que significa que os rendimentos da caderneta de poupança e dos fundos de renda fixa devem continuar perdendo da inflação. Isso levará os investidores a abandonarem os investimentos mais conservadores, pelo menos em parte. Para elevar seus ganhos e não ver seu patrimônio corroído pela inflação será preciso buscar alternativas de maior risco. O investidor terá que estudar mais e pesquisar mais. Os prazos das aplicações terão que ser alongados para se conseguir obter uma rentabilidade melhor. Essa nova realidade representa uma alteração muito grande no dia a dia dos investidores.  Parte desse cenário já vem levando os aplicadores a efetuarem mudanças em seus portfólios de investimentos desde os últimos meses de 2012. Essa mudança no perfil dos investimentos ainda está longe de ter se consolidado e por isso uma certa volatilidade deve ocorrer nos primeiros meses de 2013 para refletir a acomodação dessa nova ordem. Sem dúvida os produtos isentos de tributação do imposto de renda para as pessoas físicas, como os fundos imobiliários e os fundos de debêntures, deverão ter procura mais intensa. E a Bolsa? A Bovespa é sem dúvida a forma mais tradicional para quem deseja apostar no bom desempenho das empresas. É verdade que o índice Ibovespa é altamente impactado pelo desempenho das ações blue chips (entre as quais se destacam Vale, Petrobras, concessionárias de energia elétrica e bancos) empresas essas que vem enfrentando dificuldades não somente em função da desaceleração da economia mundial, mas principalmente pela intervenção do governo na política de preços dos derivados de petróleo, nas tarifas de distribuição de energia elétrica e na verdadeira guerra desenvolvida contra os bancos para redução das taxas de juros, usando como instrumento as instituições oficiais. Mas o importante é saber que há vida fora do Ibovespa. Há várias oportunidades particularmente no seguimento de samall caps. Em minha opinião a bolsa está barata e num ambiente de retomada do crescimento (mesmo que não seja nada espetacular) deverá representar uma das melhores alternativas para 2013. Mas a Bolsa é também muito suscetível ao que ocorre no mundo como um todo. Acontecimentos internacionais geralmente exacerbam a performance do mercado acionário doméstico. Por isso tudo é que o aplicador deverá começar a se preocupar com o que fazer com seu dinheiro bem antes do carnaval neste ano. Investir atualmente requer mais trabalho, mais técnica e mais conhecimento. O auxílio de consultores também deverá ser avaliado como alternativa importante. Está chegando o momento em que dispensar o conselho e o conhecimento de especialistas pode conduzir a enganos na escolha de investimentos que redundem em prejuízos. Para quem não está afeito ao dia a dia do mercado financeiro, que está cada vez mais sofisticado, não é fácil dominar os diversos tipos de ativos, estratégias, linguagem, riscos e até mesmo como operar no campo de investimentos. O perigo aumenta por que cada dia mais os investidores contam com ferramentas que propiciam a possibilidade de operar por conta própria, como os home-brokers oferecidos por grande parte das instituições financeiras. Sugiro que os investidores estabeleçam objetivos claros para sua vida financeira, organizando orçamentos com o maior detalhamento possível. Como diz o professor Fábio Gallo, não há planejamento demasiado ou escasso, há planejamento certo ou errado. Com o planejamento adequado será possível estabelecer prazos para os investimentos e o grau de risco que poderá ser aceito para atingir cada um dos objetivos traçados.  É claro que nenhum planejamento é imutável. Correções de rota podem e devem ser aplicadas, mas o mais importante é ter disciplina para seguir o que foi planejado.

Algumas pessoas têm me solicitado para voltar a abordar o tema dos fundos imobiliários e as possíveis vantagens de adquirir cotas desses fundos em relação à compra direta de um imóvel. Atendendo a essas solicitações seguem meus comentários, com um breve resumo histórico e alguns dados estatísticos.

Histórico:

No Brasil, os fundos imobiliários surgiram em junho de 1993, com a Lei nº 8.668/1993 e foram regulamentados, pela CVM, em janeiro do ano seguinte, através das Instruções CVM 205 e 206, ambas de 14 de janeiro de 1994. A Instrução CVM nº 205 foi revogada pela Instrução CVM nº 472, que por sua vez foi alterada recentemente pela Instrução CVM nº 478.

A partir de 2005, a atividade dos investimentos em fundos imobiliários para pessoas físicas aumentou devido à promulgação da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que as isentou de tributação a título de imposto de renda sobre os rendimentos distribuídos pelos fundos imobiliários.

Como reflexo da evolução do marco regulatório na indústria e da criação de um ambiente de investimento atrativo à pessoa física, o mercado de fundos imobiliários listados, aos poucos, ganhou a forma que possui hoje.

Tudo isso contribuiu para a crescente demanda por classes de ativos imobiliários e para o desenvolvimento do mercado de fundos de investimento imobiliário (“FII”) no Brasil. De acordo com dados da Uqbar, no ano de 2011, até julho, foram registrados R$ 2,6 bilhões de cotas de FII, no ano de 2010 foram registrados R$ 9,8 bilhões de cotas de FII, sendo que no exercício de 2009 o volume de registros foi de R$ 3,44 bilhões.

Os Fundos de Investimento Imobiliário são veículos de investimento coletivo, que agrupam investidores com o objetivo de aplicar recursos em ativos de cunho imobiliário de maneira solidária, a partir da captação de recursos por meio do sistema de distribuição de valores mobiliários, nos termos da Lei nº 8.668/1993, da Lei nº 9.779/99, da Instrução CVM nº 472 e demais regras aplicáveis.

Os recursos de um FII podem ser aplicados no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários, na construção de imóveis, na aquisição de imóveis prontos, no investimento em projetos que viabilizem o acesso à habitação e serviços, para posterior alienação, locação ou arrendamento; ou ainda em outros investimentos de lastro imobiliário, como Certificado de Recebíveis Imobiliários, Letra Hipotecária, Letra de Crédito Imobiliário e cotas de outros Fundos Imobiliários, ou seja, em ativos de cunho imobiliário, visando gerar retorno pela valorização, locação, arredamento, venda ou demais atividades relacionadas ao ativo.

O Artigo 45 da Instrução CVM nº 472 estabelece o rol taxativo de ativos que podem ser investidos por um fundo imobiliário:

“Artigo 45 (…)

I – quaisquer direitos reais sobre bens imóveis;

II – desde que a emissão ou negociação tenha sido objeto de registro ou de autorização pela CVM, ações, debêntures, bônus de subscrição, seus cupons, direitos, recibos de subscrição e certificados de desdobramentos, certificados de depósito de valores mobiliários, cédulas de debêntures, cotas de fundos de investimento, notas promissórias, e quaisquer outros valores mobiliários, desde que se trate de emissores cujas atividades preponderantes sejam permitidas aos FII;

III – ações ou cotas de sociedades cujo único propósito se enquadre entre as atividades permitidas aos FII;

IV – cotas de fundos de investimento em participações (FIP) que tenham como política de investimento, exclusivamente, atividades permitidas aos FII ou de fundos de investimento em ações que sejam setoriais e que invistam exclusivamente em construção civil ou no mercado imobiliário;

V – certificados de potencial adicional de construção emitidos com base na Instrução CVM nº 401, de 29 de dezembro de 2003;

VI – cotas de outros FII;

VII – certificados de recebíveis imobiliários e cotas de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC) que tenham como política de investimento, exclusivamente, atividades permitidas aos FII e desde que sua emissão ou negociação tenha sido registrada na CVM;

VIII – letras hipotecárias; e

IX – letras de crédito imobiliário.”

No entanto, a Instrução CVM nº 472 estabeleceu que caso um fundo imobiliário invista volume superior a 50% (cinquenta por cento) do seu patrimônio em títulos e valores mobiliários, deverá respeitar os limites de aplicação por emissor e por modalidade de ativos financeiros estabelecidos na Instrução CVM nº 409, sendo que os limites de aplicação por modalidade de ativos financeiros não se aplicam aos investimentos previstos nos incisos IV, VI e VII descritos acima.

O veículo Fundo Imobiliário é isento de impostos tais como PIS, COFINS e IR. O Imposto de Renda incide somente sobre as receitas financeiras decorrente das aplicações do caixa do Fundo.

Para possuir tal benefício tributário, o Fundo:

 Deve distribuir, pelo menos a cada seis meses, 95% (noventa e cinco por cento) de seu resultado de caixa aos quotistas;

 Não pode investir em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio de imóvel pertencente ao Fundo, quotista que possua, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de 25% (vinte e cinco por cento) das cotas do Fundo.

 Ainda, o investidor pessoa física recebe rendimentos sem pagar Imposto de Renda, uma vez que os rendimentos distribuídos pelo Fundo são isentos de IR, desde que: a) o cotista seja pessoa física titular de menos de 10% (dez por cento) de cotas do Fundo; b) as suas respectivas cotas gerem rendimentos não superiores a 10% (dez por cento) do rendimento total distribuído pelo Fundo; c) as cotas do Fundo sejam negociadas em bolsa de valores ou mercado de balcão organizado; d) o Fundo tenha no mínimo 50 cotistas (Lei 11.033/04). 

Os FII são fundos fechados, ou seja, não permitem resgate das cotas, de modo que o retorno do capital investido se dá através da distribuição de resultados, da venda das cotas ou, quando for o caso, na dissolução do fundo com a venda dos seus ativos e distribuição proporcional do patrimônio aos cotistas.

Como o investimento em bens imóveis e aquisição direta de CRI normalmente envolve alto valor de aplicação, poucos são os investidores que possuem recursos suficientes para aplicar diretamente em empreendimentos dessa natureza. Esse foi um dos principais fatores que estimulou o surgimento no mercado do conceito de fundo imobiliário, regulamentado pela legislação brasileira a partir da década de 90, por meio da Lei 8668/93 e da Instrução CVM nº 205, esta revogada pela Instrução CVM nº 472, que por sua vez foi alterada pela Instrução CVM nº 478.

Essa nova forma de investimento veio, portanto, viabilizar o acesso de pequenos e médios investidores aos investimentos imobiliários. Os fundos passaram a juntar os recursos captados e investir em um ou mais empreendimentos imobiliários ou em um ou mais CRI, que compõem sua carteira.

 O veículo Fundo Imobiliário é isento de impostos tais como PIS, COFINS e IR. O Imposto de Renda incide somente sobre as receitas financeiras decorrente das aplicações do caixa do Fundo.

Para possuir tal benefício tributário, o Fundo:

 Deve distribuir, pelo menos a cada seis meses, 95% (noventa e cinco por cento) de seu resultado de caixa aos quotistas;

 Não pode investir em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio de imóvel pertencente ao Fundo, quotista que possua, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de 25% (vinte e cinco por cento) das cotas do Fundo.

 Ainda, o investidor pessoa física recebe rendimentos sem pagar Imposto de Renda, uma vez que os rendimentos distribuídos pelo Fundo são isentos de IR, desde que: a) o cotista seja pessoa física titular de menos de 10% (dez por cento) de cotas do Fundo; b) as suas respectivas cotas gerem rendimentos não superiores a 10% (dez por cento) do rendimento total distribuído pelo Fundo; c) as cotas do Fundo sejam negociadas em bolsa de valores ou mercado de balcão organizado; d) o Fundo tenha no mínimo 50 cotistas (Lei 11.033/04).

Os FII são fundos fechados, ou seja, não permitem resgate das cotas, de modo que o retorno do capital investido se dá através da distribuição de resultados, da venda das cotas ou, quando for o caso, na dissolução do fundo com a venda dos seus ativos e distribuição proporcional do patrimônio aos cotistas.

Como o investimento em bens imóveis e aquisição direta de CRI normalmente envolve alto valor de aplicação, poucos são os investidores que possuem recursos suficientes para aplicar diretamente em empreendimentos dessa natureza. Esse foi um dos principais fatores que estimulou o surgimento no mercado do conceito de fundo imobiliário, regulamentado pela legislação brasileira a partir da década de 90, por meio da Lei 8668/93 e da Instrução CVM nº 205, esta revogada pela Instrução CVM nº 472, que por sua vez foi alterada pela Instrução CVM nº 478.

Essa nova forma de investimento veio, portanto, viabilizar o acesso de pequenos e médios investidores aos investimentos imobiliários. Os fundos passaram a juntar os recursos captados e investir em um ou mais empreendimentos imobiliários ou em um ou mais CRI, que compõem sua carteira.

 

Abaixo, podem ser observadas algumas características dos Fundos de Investimento Imobiliário comparativamente às características de um investimento por aquisição direta de imóvel: Principais Benefícios dos Fundos Imobiliários 
Características Fundo de Investimento Imobiliário Investimento Direto em Imóvel
Investimento Com um baixo valor inicial de investimento, proporciona ao investidor a diversificação das suas aplicações imobiliárias, participando, ao mesmo tempo, do investimento em diversos imóveis. O valor mínimo de aplicação corresponde ao valor de cada imóvel a ser adquirido, exigindo um montante maior de recursos e resultando em um investimento mais concentrado.
   
   
Gestão Imobiliária O fundo conta com estrutura profissionalizada para cuidar das questões relativas aos imóveis e à gestão dos recursos. A gestão é de responsabilidade do proprietário, o qual responde diretamente por todas as questões relativas ao imóvel. 
Tributação Rendimentos mensais isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas (desde que sejam satisfeitas as condições estabelecidas pela legislação do I.Renda). IRPF de até 27,5% sobre os rendimentos.
Taxa de Corretagem O investidor paga uma taxa de corretagem na negociação das cotas em mercado secundário, em torno de 0,5% sobre o valor da transação. O proprietário fica sujeito ao pagamento de corretagem na venda do imóvel, que pode chegar a 6% do valor do imóvel.
       

 

Diagnóstico do Setor no Brasil

 Atualmente o país vive uma nova realidade de mercado, tendo em vista as moderadas taxas de inflação, os novos conceitos que permeiam os meios empresariais – de qualidade, competitividade e produtividade – e o encaminhamento de reformas estruturais que conduzem de forma gradativa à estabilização da economia. Neste contexto, o mercado imobiliário figura como um dos mais aquecidos do país.

Recentemente, o crédito imobiliário se ampliou largamente, os prazos de financiamento se alongaram e houve o desenvolvimento do financiamento via mercado de capitais, com relevante participação de capital estrangeiro.

Apesar de terem sido criados há mais de 10 anos, o volume de oferta de novos fundos não tem apresentado um ritmo consistente. Mesmo assim, nota-se um crescimento em sua importância e popularidade.

O ano de 2011 terminou com um conjunto de 141 FII, com patrimônio líquido consolidado de R$ 18,02 bilhões, dos quais 60 FII são listados e tem uma capitalização de mercado consolidada de R$ 12,55 bilhões. (Fonte: Anuário Uqbar 2012: Securitização e Financiamento Imobiliário)

A CRISE DO ENTRA E SAI

07 setembro. 2012

O que é a Crise do Entra e Sai?

Um investidor entra no mercado e em poucos meses sai. Motivo: Insatisfeito com os resultados. Os resultados da grande maioria variam entre pouca rentabilidade, nenhuma rentabilidade e prejuízos. O sonho de investir e ganhar rapidamente de forma fácil faz com que muitos arrisquem em mercados alavancados ou procurem ativos com grande volatilidade e logo em seguida na ausência de bons resultados, partem para o tudo ou nada. Esse processo do entra e sai ocorre em torno de quatro meses. A ideia de investir em longo prazo em empresas sólidas sempre é a intenção dos iniciantes, mas devido à ansiedade e as rápidas variações, as negociações começam a acontecer com maior frequência visando lucro rápido. Aquele que opera pequenas variações em períodos menores é chamado de Trader, o famoso Especulador, mas para ser tornar um Trader é necessário ter perfil e seguir algumas regras imprescindíveis entre as quais se destacam a disicplina e o acompnhamento do mercado, não só local mas munidal, para ter um mínimo de visão de tendências. Para quem pretende se inicar recomendo a leitura do livro: DIARIO DE UM TRADER escrito por OSNEY COLA.

Vale a pena lembrar uma conselho de Warren Buffet :”Por maior que seja o talento ou o esforço, algumas coisas exigem tempo: não dá para produzir um bebê em um mês engravidando nove mulheres”

A expressiva redução da taxa básica de juros determinada pelo Banco Central através do Comitê de Política Monetária (COPOM) trazendo a SELIC para seu nível histórico mais baixo (8,5%) modificou bastante o cenário econômico brasileiro no primeiro semestre deste ano. Como a Selic afeta diretamente os investimentos em renda fixa, já que muitas aplicações possuem a taxa básica como referência para a sua rentabilidade, os investidores precisam repensar suas aplicações em renda fixa e readequarem seu portfólio de investimentos.

Diante deste novo cenário, a pergunta que muitos fazem é: como devem ficar as aplicações em renda fixa no segundo semestre deste ano?

Aos níveis atuais de 8,5% para a Selic  as aplicações que renderem abaixo de 100% da Selic  poderão não serem suficientemente rentáveis para cobrir a inflação, i.e. o recurso aplicado quando for resgatado terá menor valor de compra, mesmo computado o rendimento obtido. Isso decorre das distorções da tributação do Imposto de Renda que tributa toda a diferença entre o que foi aplicado e o que foi resgatado por alíquotas bastante salgadas inclusive sobre a inflação. Nos passado apenas o ganho real era tributado, mas hoje as regras mudaram para que o governo pudesse aumentar sua arrecadação. Vejamos o seguinte exemplo: Para uma aplicação de R$ 100 mil num fundo de investimento de renda fixa de alta performance ( que consiga retorno equivalente a 100% da Selic), depois de um ano o investidor deveria receber R$ 8.500,00. Entretanto um fundo de investimento desse perfil deverá cobrar uma taxa de administração de no mínimo 1% a.a., o que já reduziria o rendimento para R$ 7.500,00. O saque dos rendimentos, após um ano de aplicação, implica uma tributação de 20%, ou seja R$ 1.500,00, reduzindo o rendimento líquido para R$ 6.000,00. Como a inflação real  (não apenas o IPCA) projetada para para os próximos 12 meses deverá se aproximar dos 6%, o investidor poderá ter uma rentabilidade negativa.

Será preciso portanto ter muita cautela com a inflação. É preciso lembrar que o governo tem praticamente esgotado seu arsenal de medidas para conter a escalada dos índices. Já  zerou a CIDE (imposto incidente sobre combustíveis), já reduziu o IPI sobre muitos produtos e não poderá evitar que novos e necessários aumentos dos combustíveis venham a pressionar a inflação. Nesse contexto os investimentos atrelados aos índices de preços podem ser uma opção interessante para os próximos meses.

Entre as aplicações que possibilitam lucrar com a alta dos preços está a NTN-B (Nota do Tesouro Nacional – Série B), títulos públicos que possuem a rentabilidade indexada ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação “oficial” do país.

Para adquirir estes títulos, é preciso se cadastrar no programa Tesouro Direto, e ter conta em uma corretora de valores autorizada a operar com títulos públicos.

Também é possível “investir em inflação” por meio dos fundos de renda fixa. Não existe um tipo específico de fundo de inflação classificado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), mas diversos fundos de renda fixa investem primordialmente nestes títulos. Basta analisar o portfólio e o regulamento do fundo antes de investir, para saber que tipo de ativo é mais comprado pelo gestor.

Dentro da renda fixa, outras alternativas de investimentos também podem trazer al rentabilidade no próximo semestre. A LCI (Letra de Crédito Imobiliário) também deve ser analisada. A principal vantagem é que ela é isenta de Imposto de Renda. Com isso, a rentabilidade líquida da aplicação pode ser maior do que de outros investimentos de renda fixa que são tributados.

Outra vantagem da LCI é o fato de a aplicação ser garantida pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 70 mil, o que reduz significativamente o risco da aplicação. Para aqueles que não tem necessidade de utilizar os recursos aplicados, mas pretendem usar apenas os rendimentos obtidos uma das melhores opções são os fundos de investimentos imobiliários, cuja aplicação é suportada por imóveis e o rendimento decorre dos alugueis desses imóveis, estando também  isento de imposto de renda.

Há muito tempo paira no ar uma pergunta que não quer calar: Até quando a Grécia vai resistir e o que poderá acontecer se ela  deixar o euro e retornar à dracma. A dracma  (antiga moeda  da Grécia antes da vigência do Euro) cuja tradução pode ser “punhado” – não poderia ter significado mais apropriado na atual conjuntura.
Nas últimas eleições realizadas recentemente, a maioria dos gregos votou em partidos que manifestaram abertamente a intenção de abandonar o acordo de resgate firmado pelo país com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. A maior vencedora foi a Syriza, uma coalizão de esquerda contrária ao resgate internacional. Para esse grupo, a austeridade exigida pela comunidade internacional é inaceitável. Se esse partido for dominante no próximo governo grego, o país não aceitará o plano de resgate internacional, abrindo o caminho para que a Grécia abandone o euro.

Não se pode esquecer que a Grécia foi um dos países que fraudaram informações sobre sua economia e a situação fiscal do país, para poder aderir ao Euro. Agora a hora da verdade parece estar chegando, inexorável. Se continuar usando o euro, a Grécia não poderá desvalorizar a sua moeda (porque ela não é sua de fato), o que dificulta a tarefa de saldar as suas enormes dívidas.

Mesmo tendo reduzido seus débitos a mais da metade, por meio de um gigantesco perdão de dívidas patrocinado inclusive pelo sistema bancário privado, a Grécia ainda passa por um profundo movimento de protestos populares contra a austeridade que tem que ser adotada. O país terá ainda que conviver com muitos anos de recessão e uma política de austeridade severa imposta pelo plano de resgate internacional.

Qual será então o caminho a ser seguido pela Grécia para abandonar o Euro?

Este será um evento inusitado porque não existe um mecanismo para que um país possa abandonar apenas o euro. Na verdade os acordos que criaram a moeda  nunca contemplaram esta possibilidade.

Para deixar a zona do euro, a Grécia precisará abandonar a União Europeia como um todo, opção que  foi acrescentada no arcabouço legal do bloco em 2007, com a assinatura do Tratado de Lisboa.

Abandonar o bloco é um processo relativamente simples: basta notificar o Conselho Europeu – formado pelos Chefes de Estado do bloco – que o país quer sair. Os termos da saída são votados pelo Conselho que os aprovará por maioria.

Sair da União Europeia não seria o fim do mundo para os gregos. Islândia, Liechtenstein e Noruega não fazem parte do bloco e conseguem bons termos de comércio por pertencerem à Área Econômica da Europa. A Suíça sequer faz parte deste grupo, e mesmo assim tem boas relações comerciais com o bloco.

Mas caso o país venha a abandonar a União Europeia, ele precisa montar a logística para voltar a imprimir uma moeda nacional.

Segundo a empresa britânica De La Rue, que imprime a maioria do papel moeda em circulação no mundo, esse tipo de operação não é nada simples, já que é praticamente impossível operacionar tudo em menos de quatro meses. Nesse período, uma moeda de transição – regida pelas leis de demanda e oferta do mercado – teria que entrar em funcionamento.

Na opinião de Peter Dixon, economista do banco alemão Commerzbank  que tem estudado profundamente essa possibilidade, a nova moeda cairia rapidamente para um valor mínimo, com inflação explodindo e o padrão de vida do povo caindo na mesma proporção. Pode parecer uma opção atraente, mas os custos de curto-prazo seriam enormes.   Ele alerta ainda para o fato de que a volta da dracma causaria uma série de disputas legais, já que vários contratos  teriam que ser renegociados.

A desvalorização da moeda também desagradaria os credores internacionais detentores de papéis gregos atualmente denominados em euro, já que eles sofreriam mais perdas. Para impedir uma fuga de divisas, a Grécia teria que impor controle de capitais nos seus mercados.

Ainda no melhor dos cenários, o poder de compra dos gregos seria drasticamente reduzido e isso, sem dúvida,  provocaria novas e maciças manifestações populares, ameaçando a governabilidade do país.

Mas a ideia por trás disso tudo é que uma moeda fraca possibilitaria que a Grécia voltasse a crescer.

O exemplo mais lembrado é o da Argentina, que em 2001 decretou unilateralmente a moratória de US$ 102 bilhões em uma época em que a moeda nacional era vinculada ao dólar. Em 2005, a Argentina obrigou 76% dos seus credores a aceitar receber menos pelas dívidas do país. Mas a Argentina tem passado por anos de condições econômicas difíceis. E ainda hoje o país não consegue recorrer aos mercados internacionais para tomar empréstimos.

Outro cenário lembrado é o da Islândia, que em 2008 viu uma corrida aos bancos, depois de um colapso do sistema financeiro nacional. Nesse período a moeda islandesa – o krona – perdeu mais da metade do seu valor em apenas três meses. O país tinha taxa de juros de 15% e inflação de 14%.

O povo grego teve a opção de resolver a crise causada por êle próprio via ajuda internacional, mas como toda ajuda internacional é  considerada usurpação imperialista por parte dos governos populacionistas que incentivam as manifestações contra os usurpadores, a solução terá que vir via sacrifício interno, a custa de muito sofrimento, provavelmente muito maior do que se o caminho escolhido fossse outro. Vale o velho conceito: – Não me dê conselhos, deixe-me errar sózinho.

A única certeza é de que mais perdas serão espalhadas pelo mundo.